LIVRO EXPLICA POR QUE CRIANÇAS FRANCESAS SÃO MAIS COMPORTADAS DO QUE EM OUTRAS PARTES DO MUNDO

Autora americana casou com um inglês e teve filhos em Paris, onde notou as diferenças

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Foto: Reprodução

A nova-iorquina Pamela Druckerman é casada com um inglês e mora com ele em Paris, onde teve filhos. Na Inglaterra ou nos Estados Unidos, ela poderia ter se relacionado com outras mães exaustas e privadas de sono. A maternidade em Paris, porém, era diferente.

Pamela se viu em um estranho mundo em que os bebês dormiam a noite toda a partir dos dois meses, comiam no horário das refeições dos adultos e geralmente frequentavam a creche desde os nove meses. Um mundo em que as crianças seguiam uma dieta variada e sofisticada e não jogavam o jantar fora. Enfim, um mundo em que as mães não viviam exaustas e respingadas de vômito. Ao contrário: aparentavam ser chiques, até mesmo sexy, e tinham suas próprias vidas de adultos.

Pamela se frustrou ao descobrir que as mães francesas não estavam interessadas em se relacionar com outras mães. Elas tinham coisas melhores para fazer.

Como jornalista e mãe desesperada, ela estava ansiosa para desvendar o segredo da educação francesa. Parecia “oscilar entre ser extremamente severo e chocantemente permissivo”, mas os resultados foram impressionantes. Os pais não gritavam e os filhos eram calmos, pacientes e capazes de lidar com frustrações. Pamela entrevistou pais e especialistas e comparou suas descobertas com o que viu e pesquisou em sua terra natal. O resultado está em French Children Don’t Throw Food (Crianças Francesas Não Jogam Comida Fora, em tradução livre). A versão americana, Bringing Up Bébé, está causando polêmica nos EUA.

Pamela não busca dar conselhos, apenas descreve sua experiência e apresenta os dois diferentes métodos: a calma, prazerosa e – para a maioria – agradável experiência francesa, contra o razoavelmente histérico, intenso e exaustivo método anglófono. A escolha é do leitor.

Paciência e pulso firme

O segredo francês é esperar: o método não dá gratificações imediatas. Ele começa mais ou menos no nascimento. Quando um bebê francês chora à noite, os pais se aproximam, param e observam por alguns minutos. Eles sabem que o padrão de sono dos bebês inclui movimentos, barulhos e ciclos de duas horas de sono, entre os quais o bebê pode chorar. Deixados sozinhos, eles podem se acalmar e voltar a dormir. Se você irromper como um anglófono e imediatamente pegar o seu bebê no colo, está o treinando a acordar de propósito. Resultado? Com frequência, bebês franceses dormem a noite toda a partir dos dois meses.

Crianças francesas continuam a esperar – quando são bebês, aguardam “longos intervalos entre uma refeição e outra”, e, quando mais velhos, esperam até as 16h por doces e bolos (sem guloseimas antes do caixa do supermercado) ou até suas mães terminarem uma conversa ou seja o que for que elas estejam fazendo no momento. Até mesmo crianças pequenas esperam sem problemas pela comida em restaurantes.

Essa espera, segundo os franceses, “é a primeira lição crucial sobre autoconfiança e como aproveitar a própria companhia”.

Françoise Dolto, “o titã da educação francesa”, acredita que crianças são racionais e “compreendem linguagem assim que nascem” – por isso, você pode “explicar o mundo para elas”. Deve-se impor “limites firmes, mas lhes dando uma liberdade enorme dentro desses limites”. É uma mistura difícil com a qual se familiarizar. Os franceses acham que crianças devem aprender a lidar com frustrações. É uma habilidade essencial para a vida. E “a palavra ‘não’ livra a criança da tirania dos seus próprios desejos”.

Voltando para casa, Pamela Druckerman ficou chocada ao ver as mãe americanas seguindo seus filhos pelos parquinhos de diversão, comentando em voz alta todos os seus movimentos – tão diferente das mais distantes mães francesas, que sentam no canto do parque conversando calmamente com amigas, enquanto deixam seus filhos irem em frente.

Outros fatos
- As mães francesas são mais calmas quanto à gravidez. Não existem avisos aterrorizantes sobre alimentos e sexo ou apelos por parto natural. Na França, 87% das mulheres tomam anestesia peridural e não parecem incomodadas. A França supera os EUA e a Grã-Bretanha em quase todos os índices de saúde materna e infantil.
- As grávidas francesas são mais magras. Para elas, “desejos por alimentos são transtornos que devem ser superados”, e não tolerados porque o feto quer cheesecake.
- Os franceses também não mimam seus filhos. As crianças são treinadas a comer de tudo. Sem ceder para comedores exigentes. Sem cardápios especiais para crianças em restaurantes. Aqui vai um menu de quatro pratos servido em creches: palmito com salada de tomate, seguido de peru com manjericão e arroz ao molho de creme à provençal, queijo Saint Nectaire com baguete e kiwi. Nenhum salgadinho à vista.

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