LIVRO MOSTRA QUEM SÃO AS MULHERES QUE INSPIRARAM VERSOS DE CANÇÕES FAMOSAS

"A Verdadeira História por Trás de 50 Clássicos Pop" foi escrito por Michael Heatley e Frank Hopkinson

Serge Gainsbourg criou "Je T'Aime Moi Non Plus" para ser cantada por Brigitte Bardot, mas a canção acabou imortalizada na voz de Jane Birkin
Serge Gainsbourg criou "Je T'Aime Moi Non Plus" para ser cantada por Brigitte Bardot, mas a canção acabou imortalizada na voz de Jane Birkin Foto: nao se aplica

Mulheres são responsáveis pelo surgimento de uma quantidade imensa de sucessos musicais: ou por despertarem o melhor dos sentimentos ou pela responsabilidade de um destino nem tão feliz assim. Em Músicas e Musas: A Verdadeira História por Trás de 50 Clássicos Pop (Editora Gutenberg), os escritores Michael Heatley e Frank Hopkinson dedicam-se a revelar quem foram as musas imortalizadas nas canções de ícones da música como Bob Dylan, Tom Jobim, David Bowie, Elton John e Serge Gainsbourg, entre outros.

- A música ficou eternizada no meu coração e, com isso, ao escutá-la, volto ao passado histórico de alegria.

A afirmação é de Helô Pinheiro, que, aos 15 anos, foi cantada em versos por Tom Jobim e Vinícius de Moraes enquanto passeava pela praia de Ipanema. Essa se tornou a canção brasileira mais tocada de todos os tempos mundo afora e chegou a vencer o Grammy de Música do Ano, em 1965. Para Helô, ganhar uma composição não deve ser algo para “subir à cabeça”.

- Não mexe com o ego de uma mulher. Considero um processo normal de inspiração – simplifica.

Para quem compõe, entretanto, a expectativa é outra. Como há declarações envolvidas, sejam de amor, sejam de admiração ou de ódio, é esperado que o alvo do esforço se reconheça nas estrofes.

O escritor Rodrigo Faour, autor do livro História Sexual da MPB (Editora Record), explica que, no início do cancioneiro brasileiro, os compositores colocavam as mulheres em polos opostos: ou elas eram as moças inalcançáveis e de completa pureza, ou eram “o diabo de saias”.

- Elas surgiam muito idealizadas, e o amor era mal resolvido. Se elas não tinham relações, eram do bem. Ao contrário, não mereciam quem as cantava – explica.

Faour diz que essa imagem mudou nas décadas de 1960 e 1970, quando a igualdade entre homens e mulheres começou a ser uma bandeira.

- Autores como Erasmo Carlos e Martinho da Vila eram machistas e foram mudando. Começou a existir uma vontade de entender a mulher – avalia.

Hoje, o autor reclama que há pobreza nas letras. As musas deixaram de ser uma referência para darem vez a versos que apenas somam palavras.

- Há ainda muita música que canta o amor romântico. Wando foi um dos únicos a falar sobre o sexo virtual, algo que hoje é comum. Pode ter letras pesadas, mas o funk, hoje, reflete mais a mudança de costumes que a MPB – constata.

EVERY BREATH YOU TAKE (THE POLICE)

Sting compôs a música para sua primeira mulher, Frances Tomelty. O cantor a usou como inspiração em diversas composições. Apesar de ser celebrada como um hino à devoção amorosa, o sucesso maior da banda é, nas palavras do autor, “uma canção fruto da experiência de ciúme e possessividade. Uma canção sinistra, perversa, disfarçada num contexto romântico”. Ele se divertia quando ela era escolhida como trilha de casamento.

SWEET CHILD OMINE (GUNS NROSES)

Axl Rose quase se destruiu por conta da musa que inspirou o maior hit da sua banda. Erin Everly o conheceu em 1986 e eles viveram um surto apaixonado. A música surgiu a partir do famoso riff do guitarrista Slash, somado a um poema inacabado que Rose escreveu para Erin. Axl contou, em entrevistas, que essa foi a primeira canção de amor positiva que escreveu. Porém, sua personalidade violenta acabou com a relação. Sobrou a música.

SWEETEST THING (U2)

Quem diria que o certinho Bono Vox poderia esquecer o aniversário da esposa, Alison Hewson? Mas foi esse o motivo que o fez escrever Sweetest Thing. O casal, um dos poucos do mundo do rock que se mantém até hoje, está junto desde 1976. Apesar de ter recebido de presente uma música tão bela, Alison não tinha do que reclamar. Afinal, foi por estar envolvido na gravação de um álbum da superbanda que Bono se esqueceu da mulher.

JE TAIME MOI NON PLUS (JANE BIRKIN E SERGE GAINSBOURG)

Sussurros, orgasmo simulado, órgão ao fundo e a fama de Gainsbourg resultaram nessa música, que foi inspirada em Brigitte Bardot. Porém, o marido da atriz na época, Gunter Sachs, não aceitou que ela gravasse a canção, deixando-a para ser imortalizada na voz da não menos musa Jane Birkin. “Serge fez essa canção de amor, que significa ‘Eu te amo, eu também não’. Ele me pediu para cantá-la uma oitava acima de Bardot, de modo que eu soasse como um menino de coro. Eu disse sim porque morri de medo que alguma outra garota bonita cantasse no meu lugar”, explicou Birkin, à época.

LUCY IN THE SKY WITH DIAMONDS (THE BEATLES)

Nada de substâncias alucinógenas, pelo menos oficialmente. Segundo John Lennon, quem inspirou a famosa canção que fala de uma Lucy com olhos de caleidoscópio foi uma colega do seu filho, Julian. Aos 4 anos, o garoto chegou em casa com um desenho da amiga de sala e disse ao pai: “É a Lucy no céu com diamantes”. Foi o suficiente para Lennon criar uma das letras mais conhecidas da banda mais famosa de todos os tempos.

Cerca de 2 bilhões de pessoas em todo mundo assistiram ao casamento real

MESMO DEPOIS DE UM ANO, WILLIAM E KATE CONTINUAM NA MÍDIA

Matéria anterior
13371461

MAQUIAGEM PARA A ERA DA ALTA DEFINIÇÃO

Próxima Matéria