CASAMENTO É BOM NEGÓCIO: BRASILEIROS CASAM MAIS E EMPRESAS LUCRAM COM FESTAS INCREMENTADAS

Brasileiros estão casando mais, e o mercado comemora faturamento com festas cada vez mais incrementadas

As empresárias Renata e Clarissa, que fazem parte do crescente mercado de eventos
As empresárias Renata e Clarissa, que fazem parte do crescente mercado de eventos Foto: Ricardo Duarte

Casar está na moda. E quem colhe os frutos do aumento do número de casamentos no Brasil é o crescente mercado especializado em fazer da festa de bodas um grande evento. Maio, o tradicional mês das noivas, ilustra bem o crescimento do setor: multiplicam-se feiras no país, assim como programas de TV dedicados a quem vai se casar e a publicação de toda sorte de revistas temáticas.

O número de casamentos no Brasil cresceu, segundo o IBGE, 30,53% entre 2003 e 2010. O rendimento de quem produz eventos também cresceu. Dados do Instituto Data Popular mostram que 2012 deve encerrar com faturamento de R$ 14 bilhões para este mercado. Nunca se ganhou tanto dinheiro com festas, e uma das razões é o aumento do número de serviços oferecidos. Se há 30 anos os noivos comemoravam com bolo e espumante, hoje o planejamento ganhou tantos extras que há quem reserve dois anos para organizar um casamento. Um único item agora se desdobra em vários (confira quadro na página ao lado). A cada dia, surge uma novidade – e uma empresa que lucra com ela.

As arquitetas Clarissa Alonso de Bem e Renata Franciscon viram, na personalização das festas, febre nos Estados Unidos, uma oportunidade. Aberta há cerca de um ano, a Best Wishes trabalha para que um casamento seja totalmente diferente do outro. Elas criam uma marca para o casal, que ilustre a personalidade dos noivos, e aplicam no convite, na lembrança, na decoração e até mesmo na embalagem do remédio deixado no banheiro da festa para o convidado que bebeu além da conta.

- Quando me casei, procurei alguém que personalizasse todo o meu casamento, mas não encontrei. Convidei minha colega de faculdade, que também adora trabalhos manuais, e montamos a empresa – conta Renata, destacando que o número de clientes aumenta a cada dia.

Concorrência acirrada

O que também aumenta a cada ano são as feiras de casamento. A Casar, em São Paulo, é uma das mais famosas do Brasil. Até o ano passado, a feira era realizada nas dependências da famosa loja Daslu. Já 2012 será o primeiro ano em um novo espaço e com desfiles de moda festa. Em 2011, a Casar teve cerca de cem expositores, que chegam a pagar até R$ 30 mil por um estande para expor seu trabalho. Circulam por lá centenas de noivas em busca da novidade que faz sucesso na Europa a um modelo de arranjo. A idealizadora da feira, Vera Simão, alerta para os requisitos para atuar na área:

- É preciso estar atento às novas tendências. O mercado é dinâmico, pulverizado, com concorrência acirrada.

Em busca de maior qualificação para os profissionais do setor, nasceu, no final do ano passado, a Associação Gaúcha de Empresas e Profissionais de Eventos Sociais (Agepes). O objetivo é difundir conhecimento e trocar ideias para potencializar lucros. O presidente, Alexandre Graziadio, está reunindo associados de todos os portes, da grande empresa de som e iluminação, à pequena doceria:

- Casamento está na moda, e ao contrário do que muitos pensam, a festa não ficou mais cara. Ela simplesmente ganhou mais opções. Fica a cargo dos noivos escolher quais irão compor seu casamento.

Orçamento controlado e, ainda assim, estourado

Com tanta novidade para incrementar a festa, fica difícil controlar o orçamento. Os noivos fazem ginástica para incluir tudo o que desejam dentro de um valor que, cada vez, fica mais apertado. A jornalista Kamila Urbano, 24 anos, e o jogador de futebol Thiago Magalhães Pereira, 28, entendem bem do assunto. Eles casam dentro de duas semanas e, desde que começaram a organizar a festa, em 2010, trazem tudo na ponta do lápis. Apesar de toda a organização, gastaram bem mais do que imaginavam.

- Tínhamos a meta de gastar R$ 24 mil. Não deu nem para o começo. Já dobramos esse valor - conta Camila.

A festa de Kamila e Thiago terá atrações que quem comemora bodas de prata ou de ouro não conheceu quando casou. Os noivos distribuirão para os convidados fitinhas semelhantes às de Nosso Senhor do Bonfim, mas com seus nomes impressos. Os amigos e a família também ganharão de presente um porta-retrato com uma foto tirada minutos antes. O serviço é oferecido por fotógrafos que, enquanto todos se divertem, correm para imprimir as imagens feitas na festa. Tudo isso, é claro, será personalizado com um monograma, contratado em uma empresa de design e criado especialmente para o casal.

Cuidado para evitar dívidas

Apesar de terem extrapolado o orçamento, a organização não foi em vão: Kamila e Thiago trocarão alianças sem nenhuma dívida a pagar.

- Durante dois anos, separei um pedacinho do salário para o casamento. Dei prioridade para gastar mais com itens que achava mais importantes, como decoração e fotografia. Passamos do valor, mas tudo está rigorosamente pago até o dia da festa – comemora.

Dicas para economizar

O preço de um casamento depende dos serviços contratados, do número de convidados, do estilo do jantar e dos extras. Pode ficar  na casa dos R$ 50 mil, como o de Kamila e Thiago, ou na dos R$ 100 mil, valor médio das festas realizadas no RS, segundo a Agepes.

- Festa pequena em um salão enorme pode  ser problema. Os noivos precisarão gastar mais  com decoração para preencher o espaço e não  dar impressão de que a recepção está vazia.

- A decoração pode sair um pouco mais  cara em casamentos realizados entre maio e  junho. O motivo é o preço das flores, que sobe  impulsionado pelo Dia das Mães e pelo Dia
dos Namorados.

Não faz questão de casar em um sábado? Em vários salões e casas de festa, o preço de  locação é menor em dias de semana.

Faça você mesmo: envolver a família e as  madrinhas na confecção de lembrancinhas e
da decoração está na moda. É chique presentear os convidados com itens feitos à mão.

Antecipe-se: quanto mais cedo você contratar serviços, mais pode barganhar preços.

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