O que fazer no dia do parto do seu pet? Dicas de como ajudar e cuidados

Uma das grandes preocupações dos donos de animais de estimação é o que fazer no dia do parto. Por ter permitido o acasalamento, proprietários não raro sentem certa culpa pela suposta dor e agonia infringida pelo parto, sofrimento que desejam reduzir baseando-se em suas próprias experiências na sala de cirurgia.

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É muito improvável uma morte por parto, porque a dificuldade de parir vem sendo eliminada pela seleção natural há séculos. No entanto, como é possível determinar quais são os animais que vão reproduzir entre si, a escolha de um macho muito maior que a fêmea pode trazer contratempos na hora do parto que necessitam de intervenção médica.

O peso ao nascer é uma característica materna: o feto costuma ter um percentual do peso de sua mãe. Isso não quer dizer que será um animal pequeno – pode até ter altura maior que a de seu pai na idade adulta. Porém, se todo filhote nascesse com um percentual do peso paterno, maiores seriam as perdas das fêmeas no parto.

No caso de cães e gatos, com vários filhotes programados para o mesmo dia, exames de imagem já permitem visualizar a existência de um feto muito grande, que não passará pelos ossos da bacia da mãe. Nesse caso, a cesariana salvará a vida de ambos.

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Saber quantos fetos são esperados é outra informação importante. No caso de retenção fetal, o proprietário buscará ajuda antes de comprometer a vida de sua mascote. Quanto mais cedo a intervenção, maiores as chances de recuperação da mãe.

Se o proprietário não tem experiência nenhuma com parto, os barulhos da mascote e os incômodos do parto podem ser motivo de grande angústia. Estar perto de uma pessoa que já tenha passado por essa experiência pode auxiliar na manutenção da serenidade, o que é muito importante para a parturiente, ainda mais se for mãe de primeira viagem.

Cabe lembrar que a mãe natureza já deixou sua marca e não é incomum os donos acordarem de manhã com grunhidos de pequenos filhotes que nasceram tranquilamente durante a madrugada sem que sua mascote fizesse um ruído. Mágica? Não. Instinto de quem soube fazer seu serviço.

Há casos, porém, de mascotes mais nervosas que não sabem o que fazer com os filhotes que saem do corpo dela. Isso é visto em animais muito apegados aos seus donos e transferem a eles a responsabilidade de cuidar dos filhotes, o que os proprietários realmente deverão fazer por alguns dias até que sua mascote aprenda lentamente qual é seu papel.

Deixar animais desse temperamento sozinhos nos dias que antecedem o parto é correr o risco de perder a ninhada toda. Se os donos acharem conveniente, deixar sua mascote em uma clínica veterinária para ter seus filhotes é uma boa alternativa. Verifique a possibilidade de poder estar ao lado dela.

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O que se espera depois da cobertura?

No caso de cães e gatos, é bom ficar atento ao comportamento de sua mascote a partir do 55º dia. Caminhando mais lentamente, ela poderá começar a construir “ninhos”, o que ela procura fazer com as roupas de sua cama, jornais e até com as roupas dos donos. A mascote tende a ficar mais quieta e dorme por mais tempo. Com a proximidade do parto, pode querer ficar mais tempo em sua casinha ou junto aos donos, mas isso não é uma regra.

Quanto mais próximo do 60º dia, as fêmeas podem se mostrar mais incomodadas, dando muitas voltas na cama antes de se deitar. A respiração pode se tornar ofegante, o que pode durar por muitas horas e até um dia inteiro nessas condições. O proprietário que acompanhar o parto deve ter em mente a que horas começaram as contrações, intervalos que podem indicar a necessidade de intervenção. A margem é bastante larga. A expulsão dos filhotes, após as contrações, pode se dar em poucos minutos ou até algumas horas depois. O intervalo entre o nascimento dos filhotes também é bastante variável (de minutos a horas) e diversos fatores contribuem para esta diferença. Raças grandes, como Fila, podem levar 24 horas para parir 12 filhotes.

Quando se preocupar?

Antes mesmo do dia do parto, alguns sinais merecem dos proprietários maior atenção:
– sinais de dor durante a gestação;
– corrimento escuro ou sanguinolento em qualquer período gestacional;
– tremores dias antes, durante ou após o parto (eclâmpsia);
– passados 63 dias do acasalamento, é bom verificar a viabilidade dos filhotes;
– respiração ofegante por mais de 8 horas;
– temperatura elevada ou reduzida;
– intervalo muito longo (mais de 5 horas) sem que seja expelido outro filhote (existência comprovada pelo ultrassom).
– feto retido no canal (a cabeça está exposta mas o corpo permanece dentro da mãe).

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Quem sabe não simplificamos com cesariana?

O parto de cães e gatos costuma ser tranquilo. O pequeno percentual de problemas, porém, podem comprometer a vida da parturiente e de seus filhotes. Partos distócicos aumentam as chances de contaminação uterina, mas uma cesariana que não é feita em um centro cirúrgico e por pessoas especializadas pode trazer consequências ainda piores.

Há quem prefira a cirurgia por supostamente proporcionar um parto sem dor à sua mascote. Porém, o corte de acesso ao útero se localiza entre as mamas que nessa altura já estarão ingurgitadas de leite, local onde os filhotes vão mamar nas horas seguintes, o que pode trazer grande dor e desconforto à mascote. Uma cirurgia sempre é um risco pois se expõe o animal a uma série de fatores que não estão presentes no parto normal. A contaminação é o maior fantasma do pós operatório seguido de perto pela rejeição ao fio de sutura. E tem a deiscência da sutura. Estes são alguns dos argumentos pelos quais não se recomendar a cesariana apenas porque o proprietário deseja parto com hora marcada.

Agora, se a intenção é aproveitar a intervenção cirúrgica para remover o aparelho reprodutor (castração), pode-se valer o risco. Fêmeas que tiveram ossos da bacia quebrados, como sequelas de quedas e atropelamentos, também tem indicação de cirurgia. Fora isso, estando os exames de acordo, o melhor para qualquer animal sempre é dar uma chance ao parto normal. Na dúvida, o acompanhamento de um profissional tranquiliza e faz previsões baseadas nos exames de pré-natal de sua mascote.