Brincadeira perigosa: cuidados para orientar a relação entre crianças e seu pet

A cena bizarra, engraçada ou inédita paralisa os adultos enfeitiçados pela inocente infância de seus filhos. Mas o “que coisa mais querida” pode terminar tão rápido quanto uma piscada de olhos, e lá vai a família para o consultório veterinário, ou mesmo para um hospital, conhecer a extensão de um dano fruto de uma brincadeirinha de criança. “Foi sem querer”, dirão os pais, e quase sempre é, mas a ignorância do perigo não raro traz consequências piores que a própria maldade.

O “não foi por mal”, porém, pode ter dado lá seus avisos, sinais inquietantes que não foram devidamente dimensionados pelos adultos. Colocar o gato na máquina de lavar roupa ou dentro de um micro-ondas são um claro sinal disso. “Eles não vão apertar o botão”. Mas apertaram. Mesmo estando pessoas responsáveis ao lado dos filhos, e até mesmo contando com a ativa e voluntária participação do mascote, animais e crianças de pequena idade precisam de supervisão. Uma característica no quesito “acidente” comum a todos aqueles que tiveram de passar por essa situação é que tudo se passou muito rápido e não houve tempo para intervenção.

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Geralmente são os animais as maiores vítimas das brincadeiras infantis. O contrário, porém, também acontece, quando é a criança vítima da brincadeira que de repente toma contornos mais hostis. Uma criança mordida por um cão ganha publicidade bem maior porque também é divulgado nas redes sociais, algo como “se cuidem, pais, olha o que aconteceu lá em casa…”. Animal ferido pelas mãos de uma criança não é uma notícia que se passa adiante, até porque os pais não querem ser apontados como os negligentes do pedaço. Quando uma criança é atacada, cachorro vira vilão. Mas o que ela fez contra o animal um segundo antes pouca gente leva em consideração. Quando um mascote é ferido por crianças a cobrança é bem menor já que se tratava de uma pessoa sem conhecimento da extensão dos seus atos. Daí o olho vigilante dos pais ou de quem fica com as crianças em casa pois não conseguir visualizar o perigo de determinadas brincadeiras, como já disse, trazem consequências tão devastadoras para o animal quanto se tivesse a pessoa vontade de praticar o mal. Sendo assim, os pais podem ficar em uma situação pouco confortável porque serão apontados como responsáveis pela vigilância deficiente.

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Luxação de joelhos, patas quebradas, deslocamentos de ombros, queimaduras, sufocação e até esmagamento de partes do corpo são alguns dos relatos de brincadeiras que acabaram mal. Um tombo de uma criança de cinco anos sobre seu pinscher pode fazer um estrago danado, mas é o pegar no colo, o jogar no chão, atirar sobre os ombros (como se fosse uma boneca) e até em direção à parede são ações que, não previstas, levaram o mascote à morte. E, acredite: é muito triste elaborar o luto de uma criança que percebeu ter sido a responsável pelos acontecimentos que resultaram na morte de seu bichinho.

O cuidado vai longe. Crianças com mais de seis anos geralmente já têm mais noção de suas atitudes, mas cada um conhece a energia de seu filho e há relatos de crianças de dez, doze anos que protagonizaram brincadeiras que ultrapassaram a fronteira do entretenimento saudável. Muitas vezes as crianças têm conhecimento do que não pode ser feito com seu pet, problema são seus amigos, festinhas de aniversário e outros eventos que reúnem um grande número de crianças em um único espaço havendo animais é cenário comum de acidentes. Em caso de haver esse tipo de evento, o mais prudente será exportar o pet para um parente ou amigo próximo. Quando há muitas crianças a situação foge do controle e o corre-corre dos pequenos é um momento perigoso para hamsters e porquinhos da índia, por exemplo, que podem ser esmagados por uma simples pisada de criança que estão correndo de um lado para o outro. Sim, elas fazem dessas: tirar os pets das gaiolas para mostrar aos amigos.

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Cabe lembrar que acidentes acontecem e não vamos impedir que a notável e recíproca relação de amizade entre cães e crianças deixe de existir. Pode um cão cair da cama, uma gaveta fechar em cima do rabo do gato, uma criança cair sobre seu pet, mas ao recapitular os momentos que antecedem boa parte dos acidentes envolvendo cães, muitas vezes encontraremos razões preocupantes o suficiente para dobrar a atenção e até mesmo terminar com a brincadeira a tempo de evitar o acidente. O que vale é treinar o olho para ter maior prudência naquelas brincadeiras potencialmente perigosas não apenas para seu mascote, mas também para sua família.

Confira algumas dicas que podem evitar danos à saúde do seu pet:

– Em caso de visita de amigos e festas infantis, evite cair em tentação e deixar seu pet solto;

– Não transfira para o seu filho a responsabilidade de cuidar o movimento brusco de seus amigos;

– Sacada aberta é um perigo, ainda mais aquelas que não são feitas de concreto, mas de grades: o cão pode correr atrás de uma bolinha que cai entre as grades e ele não tem tempo de parar e evitar uma queda;

– Gatos em fuga de crianças também podem se aventurar a pular de uma sacada ou janela sem rede de proteção;

– Janelas também favorecem a fuga de pássaros tirados das gaiolas;

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– Cuidado com a brincadeira de jogar bolinha. Um acidente comum é o cão alucinado correr atrás dela sem olhar para os lados, batendo com o olho ou a cabeça no sofá quando a bolinha corre para debaixo dele;

– Olhos são sensíveis e frequentemente os primeiros a serem atingidos por brinquedos perdidos;

– Não deixe, em hipótese alguma, crianças menores de três anos com seu pet, por mais mimoso que ele seja. Basta um dedo no olho para o animal sentir dor e tentar fugir da criança, provocando arranhões;

– Aliás, animais assustados ou com dor tentam instintivamente se defender, o que justifica aquela dentada no nariz de uma criança que brincava de enfiar a espada no traseiro do seu cão.

– Crianças desconhecem o que é uma articulação e a melhor forma de pegar mascotes sem machucá-los. Ao pegar um pet de qualquer jeito, os animais se sacodem em busca da melhor posição e podem acabar caindo. Não é necessário muita altura para causar uma fratura, basta cair de mal jeito par se ter uma ruptura de fígado, por exemplo.

– O quesito altura é campeão de acidentes: colocar sobre as camas e mesas facilita a queda;

– Fazer cabanas com cadeiras, pufes e cobertores precisa de supervisão de adultos. O pet pode ficar sufocado;

– Cuidado se você tiver piscina. A imaginação das crianças corre fértil e o pet pode se transformar em um feroz tubarão e ser esquecido lá dentro;

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– Evite brincadeiras no hora da refeição com seu mascote. Ele pode revidar.

– Proteja seu pet da aglomeração de crianças. Se não for possível, fica sob seu resguardo ou confinado a um quarto da casa;

– Cuidado também com a visita de colegas e primos. O pet é a vedete da casa.

– Atenção com gaiolas que são levadas pelas crianças a outro cômodo. Pássaros e hamsters podem ficar esquecidos em determinado local da casa e serem vítimas de insolação;

– Atenção também se seus filhos têm o costume de soltar os pets que vivem em gaiolas. Os adultos, desconhecendo o fato, podem causar acidentes como colocar o pé na pantufa que estava servindo de refúgio para o hamster;

– O ato de abrir a gaiola também é perigoso quando a família tem duas espécies distintas, cães e hamsters, por exemplo;

– Levar mascote para o chuveiro ou banheira é uma brincadeira sempre solicitada pelas crianças e nunca deve ficar sem supervisão. O animal pode ter seu comportamento alterado devido à constante água nos olhos e nariz, tentando sair de qualquer jeito, o que pode provocar a queda do animal e arranhões nas crianças;

– Lembrando que aniversários e animais soltos não combinam. Convidados adultos também podem tropeçar, esmagar e causar acidentes envolvendo seu pet;

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Para mais informações, já postamos aqui os perigos escondidos em uma casa que podem comprometer a saúde e o bem-estar de seu mascote.