Os cuidados necessários ao adotar um animal de rua

Um dia ele apareceu. Por alguns minutos, ficou debaixo do seu guarda-sol, o que é estranho, já que não se permitem animais transitando na beira do mar. Às vezes parecia fugir do sol; outras até aproveitava para tirar um cochilo. Então você começa a desconfiar: o cachorro mora na rua. Sendo assim, praias lotadas significam sobrevivência, pois é nessa época do ano em que ele encontra comida em abundância, nem que seja aquela deixada no lixo.

Acontece e há quem se sensibilize. Alguns dos cães, graças aos esforços de moradores locais, até se mostram bastante adaptados à vida sem lar. Outros, entretanto, ostentam pesadas cicatrizes, marcas de queimaduras e até costelas aparentes. Estes, frequentemente, são o que atingem em cheio pessoas que gostam dos animais, não raro querendo levá-los para a casa.

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Foto: Pexels, reprodução

Pronta para o desafio? Anota aí:

1 – Antes de colocar seu companheiro de guarda-sol no carro, certifique-se de que ele, de fato, não tem dono.

2 – Se você gostou dele e percebeu que o sentimento é recíproco, já é meio caminho andado. Adoções precisam ter embatias para começar uma história de sucesso.

3 – Reserve um tempo para dar uma olhadinha na saúde da pele e pelos do pet. Muitos meses na praia sem um dono para manter a limpeza e alimentação podem ter efeitos graves. Procure um veterinário no litoral para saber o que pode ser feito antes de levá-lo. Os problemas mais comuns costumam ser pulgas, piolhos, carrapatos e desnutrição.

4 – Vacina é outro assunto que não deve ser negligenciado. Embora seja um animal de rua, é prudente que seu novo mascote comece um programa de vacinação pelo menos para as doenças mais comuns.

5 – Como não é conhecido o histórico do animal, é bom avaliar, por meio de exames, se ele é portador de alguma zoonose, enfermidade que pode prejudicar sua família e que exige tratamento imediato.

6 – Já olhou os dentes de seu novo pet? A saúde bucal também é outro aspecto que precisa ser considerado. Se esse pet for mais velho, talvez seja necessária uma avaliação da saúde do periodonto e a integridade dos dentes em função da halitose que rapidamente pode se instalar.

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Foto: Pixabay, reprodução

7 – Antes de seguir viagem, certifique-se de que ele não vai entrar em pânico dentro do automóvel. Faça primeiramente um trajeto curto, como a ida até o veterinário, para ver como ele se sai. Em caso de vômito ou estresse, já comunique ao profissional a melhor forma de contornar a situação.

8 – Chegou em casa? Pois bem, agora começa a adaptação. Veja o local onde seu mascote vai dormir e mostre onde ficará água, comida e o banheiro dele. Ler sobre os primeiros dias do novo pet em casa pode ajudar. No início, talvez ocorram problemas, afinal, ele era um animal de rua, sem regras e que só se guiava pelo instinto de sobrevivência e que pouco a pouco vai entender que alguém vai prover sua alimentação e abrigo.

O bom da adoção de animais que conheceram o flagelo do abandono é justamente a gratidão. Essa seguida de perto da boa imunidade dos anticorpos adquiridos a duras provações. Esses pet precisam de muito pouco para ser felizes porque sabem que tudo tem. Ser recolhido da rua costuma ser uma atitude reconhecida pelo animal, que passa a nutrir um apego incondicional, sentimento que faz dessa relação algo exclusivo.

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