Cada vez mais homens aderem à depilação íntima

Hábito feminino chega ao universo masculino no cardápio dos salões. Donos garantem: os clientes se sentem mais masculinos sem pelos pubianos

Foto: Danny Ghitis

Anos depois de a palavra metrossexual ser incorporada ao cotidiano, ninguém mais se espanta com um homem que faz as unhas ou limpeza de pele. Ultimamente, porém, eles resolveram ir mais além e se aventurar num território que era exclusivo das mulheres: a depilação íntima.

Como na versão feminina, a remoção parcial ou total dos pelos pubianos está se tornando cada vez mais popular, e não só entre os nadadores e modelos de lingerie.

– Muita gente está fazendo: gays, heterossexuais, conservadores, liberais, homens de todas as idades – diz Mike Indursky, presidente da cadeia de spas Bliss, que oferece depilação íntima masculina sob o nome de Ultimate He-Wax. – Tornou-se muito mais popular do que a gente imaginava.

A depilação íntima masculina responde por 70% dos agendamentos no discreto Face to Face, com uma clientela predominantemente masculina.

– Quando comecei, achei que ninguém iria querer, só que o número de clientes não para de crescer – revela Enrique Ramirez, fundador do discreto salão nova-iorquino. – Os últimos dois anos têm sido uma loucura.

O salão oferece South of the Border (sul da fronteira), a depilação total, além da modalidade parcial. Há também o chamado “pejazzling”, no qual o cliente pode colocar pequenos cristais em formato de estrela ou golfinho na pele recém-tratada.

Evan Scott, produtor musical de 32 anos, é adepto da depilação íntima há dois. Ele considera que, se a maioria das mulheres faz, os homens também devem aderir.

– Gosto de manter meu estilo, seja nu ou vestido, e acho que a depilação reflete isso – justifica. – Se espero que a minha namorada faça, não custa nada eu retribuir.

Sua naturalidade pode ser explicada pelo grande número de famosos que se depilam, entre eles o jogador David Beckham.

– Não é nem querer imitar uma coisa que você viu num filme pornô – diz Jason Chen, editor de estilo da revista Details. – É questão de cuidado, de higiene.

Há também aqueles que veem uma vantagem extra em depilar as partes íntimas: o “aumento” da atração principal.

– Valoriza o resto, porque não tem mais nada para esconder o principal – brinca Ramon Padilla, diretor do Strip: Ministry of Waxing, outro salão que oferece o serviço.

Porém, como as mulheres bem sabem, depilação íntima dói (embora o resultado dure de um mês a seis semanas, sem o incômodo dos pelos encravados que resultam do uso da lâmina).

Para lidar com o sofrimento, muitos homens tomam antes um comprimido relaxante ou uma taça de vinho. No Strip, há bolas antiestresse em cada sala, para os clientes apertarem na hora da dor. Além disso, nem todo homem fica à vontade tirando a roupa num salão, seja o esteticista homem ou mulher. Para esses casos, há aparelhos especialmente criados para aparar os pelos da região íntima em casa. Diferentes marcas já lançaram modelos que prometem “aparar e depilar todo e qualquer lugar”. Há também uma versão adaptada da linha de equipamentos inventada por um homem que queria se livrar dos pelos das próprias costas.

– É um novo nicho – explica Kristi Crump, diretora de marketing da linha de cuidados pessoais da Philips Norelco. – Ficamos surpresos, a tendência é muito forte.

Pirooz Sarshar, especialista em depilação masculina e criador do site PRZman, é adepto da prática há 12 anos:

– Para mim, já virou rotina. Eu mesmo faço tudo, me sinto melhor, mais limpo, o visual é outro. Sem contar que é bem mais higiênico.

Como no caso das mulheres, os cuidados posteriores também são importantes, já que a incidência de pelos encravados, que podem infeccionar, é maior. Os esteticistas aconselham evitar, por 24 horas, qualquer atividade que cause o aumento da temperatura local, como sauna, exercícios físicos e sexo.

Manter a região limpa também é importante. Já foram lançados produtos calmantes unissex, apresentados em forma de tubos que parecem cola em bastão e ajudam a diminuir a irritação e a vermelhidão.

Apesar da manutenção complicada, os donos de salões juram que os homens não desistem.

– Eles experimentam, olham e percebem que ficou muito melhor do que antes – afirma Indursky, dos spas Bliss, com a certeza de que sua clientela dobrará até o final deste ano. – E pode acreditar, é verdade: você se sente mais confiante, mais masculino, e não o contrário. Pode soar como um paradoxo, mas não é.

Seja como for, Padilla, do salão Strip, revela que muita gente também acaba se submetendo por pressão da parceira:

– A grande maioria diz que só resolveu fazer porque a mulher ou a namorada pediu. Elas até vêm junto e dizem: “Se eu faço, você também vai ter que fazer”.

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