Depilação (ou a falta dela) no ensaio nu de Nanda Costa gera debate sobre o simbolismo dos pelos femininos

Atriz posou para a revista Playboy de agosto sem fazer a famosa "brazilian wax"

Foto: Playboy

Nanda Costa tem apenas 26 anos, mas sua carreira e vida pessoal já estão marcadas por duas questões, digamos, de fundo capilar.

Em outubro do ano passado, a então desconhecida atriz – alçada a protagonista de novela global – se viu malhada pela imprensa por conta da esquizofrênica edição de imagens em Salve Jorge. Em um mesmo capítulo, a mocinha Morena ora aparecia de cabelos crespos, ora lisos de chapinha, ora presos, ora soltos feito propaganda de comercial de xampu. Tudo isso com diferença de poucos segundos de uma cena para outra. A culpa da lambança não era de Glória Perez, autora da confusa novela, e sim de gravações prévias feitas na Turquia com um look posteriormente vetado pela cúpula da emissora. Impossível prestar atenção na performance da “guerreira do Alemão” em meio a tanta informação visual.

Pois agora, em agosto de 2013, Nanda Costa e seus fios roubam novamente os holofotes. Desta vez, o buraco é mais embaixo. Capa da revista Playboy deste mês, a atriz posou para o ensaio nu sem muita preparação anterior, ou seja, com quase todos os pelos pubianos. Em vez de raspar tudo, como é prática de todas as Moças da Capa, Nanda optou por fazer apenas o contorno do biquíni. O resto seguiu farto. E farta também é a polêmica virtual. Por ir na contramão do hábito, a não depilação íntima de Nanda virou o assunto da semana no fértil terreno da internet, o tribunal que nada perdoa.

Zero celulites, silicone apontando para o céu, photoshop chapando a barriga: como usual em publicações masculinas, tudo o que as mulheres adoram criticar está presente nas páginas de fotos de Nanda. Mas o “kit corpo irreal” sequer foi mencionado desta vez. O clássico ensaio ao natural de Cláudia Ohana, em 1985, é que virou alvo forte de comparações. Quase 30 anos depois, o que Nanda fez agora foi ignorar a tendência do brazilian wax, prática que consagrou o Brasil internacionalmente por sua, ahn, ousadia. Consiste em simplesmente retirar tudo. Tudinho. Mas Nanda declinou.

– Não depilei por escolha própria – escreveu no Twitter, justificando-se perante o auê do ensaio realizado em Havana, fotografado por Bob Wolfenson. – Fiz até foto em uma barbearia, mesmo assim não mudei de ideia.

A declaração não apazigou o debate nas redes sociais. Pelo contrário: motivou mais brincadeiras. A principal delas é que a falta de depilação combina com o cenário das fotos, afinal Cuba é a ilha dos barbudos revolucionários. Há, ainda, teorias de que os pelos permaneceram lá por pura estratégia de marketing. Afinal, existe maneira melhor de alavancar as vendas de uma revista do que promovendo uma boa polêmica? Especialmente após uma onda de boatos de que a dita publicação, que celebra 38 anos neste mês, seria encerrada.

Nanda parece que curtiu o jogo de provocações. Não satisfeita, a atriz voltou ao Twitter para uma declaração sucinta.
– Não iria fazer bigodinho de Hitler na terra de Fidel – afirmou, politizando o ensaio nu.

(Nota da editora: optamos por dispensar a descrição detalhada sobre o que é um bigodinho de Hitler na depilação íntima).

– A declaração de Nanda é ótima, pois coloca a política ideológica no lugar dela: nas partes pudendas. Em que outro lugar poderíamos colocar a direita e a esquerda? _ questiona o filósofo Paulo Ghiraldelli Jr., professor da UFRJ, animado com o debate.

É, até a área acadêmica curte o assunto. Quem chegou até esta altura do texto ficará sabendo que a  importância social dos pelos é tema de estudos gringos. Roger Friedland, professor visitante da New York University Abu Dhabi, é conhecido por famosa pensata (http://zhora.co/donnapelos) que linka o sumiço deles à perda da força do movimento feminista. Se, nos anos 1970, as mulheres ostentavam pelos – nas pernas, nas axilas e lá embaixo _ como forma de protesto, há toda uma nova geração que cresceu com a obrigatoriedade de removê-los, por menores que sejam.

– Fios representam uma enorme simbologia. Na ficção científica, criaturas aliens são carecas, por exemplo. Além disso, eles marcam a divisão entre o que é animal e o que é humano. Os peludos são próximos à natureza, à animalidade – escreve Friedland. – Muitas garotas acham o aparecimento dos primeiros pelos púbicos algo enervante, feio, até nauseante. Quando adultas, elas os odeiam. Querem parecer “limpas”. Ou seja: isso implica que o corpo, ao natural, é sujo – analisa.

Alheia aos debates filosóficos e sociológicos a respeito do tema, Nanda deu de ombros para todas estas referências no lançamento oficial da revista, na noite de terça-feira (dia 13), no bar Número, em São Paulo. Com os cabelos meio presos, meio soltos, talvez para evocar (de novo) a sofrível Morena de Salve Jorge, esnobou as já aguardadas perguntas cabeludas dos repórteres:

– Nunca imaginei esse barulho todo por causa de um assunto tão pentelho – finalizou.

SAIBA MAIS SOBRE A “BRAZILIAN WAX”

O hype midiático acerca da depilação brasileira não é novo: já bombou na TV em Sex and the City (referido mais de uma vez por Samantha, na foto abaixo, a personagem mais liberal da trama) e até mostrada na série Dirt, com direito a uma Courteney Cox, foto mais abaixo, de pernas para cima gritando de dor quando a depiladora puxa a cera quente. A prática de depilar todos os pelos pubianos ficou popular nos Estados Unidos graças às irmãs brasileiras J. Sisters, hoje milionárias, donas de uma badalada rede de salões que atende celebridades.

 

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