Dermatologista gaúcha é a única especialista em tratamento para a pele negra no país

Rosângela Honor Especial, Rio de Janeiro

Na agenda da dermatologista gaúcha Katleen da Cruz Conceição, constam nomes como Lázaro Ramos, Taís Araújo, Preta Gil, Cris Vianna, Thiaguinho, Juliana Alves e Érica Januzza. Eles fazem parte de um time de famosos que entrega o rosto e o corpo aos cuidados da médica. O motivo de tanta credibilidade e confiança tem razão de ser: Katleen é a única dermatologista brasileira especializada em tratamentos para a pele negra.

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De terça a sexta, o consultório da gaúcha de Porto Alegre, instalado no bairro do Leblon, na zona sul do Rio de Janeiro, fica lotado de celebridades e anônimos em busca de soluções para problemas de pele de toda natureza. Foi com a médica que Isabel Fillardis conseguiu curar, depois de um longo tratamento, um líquen plano pigmentoso, doença que manchou a pele do rosto e danificou o cabelo da atriz. Apesar de ser cultuada por astros e estrelas, Katleen garante que está longe de ser uma profissional inatingível para os simples mortais. A dermatologista recebe a todos, sem distinção, com o mesmo sorriso e alegria contagiante – resultado da devoção que sente pela profissão que escolheu por influência direta do pai, também dermatologista, que colaborou em muito para que ela se transformasse numa das médicas mais respeitadas em sua especialidade.

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Na entrevista que concedeu a Donna, em seu consultório, no final de um dia movimentado de trabalho, Katleen revelou como se tornou esta referência em todo o Brasil.

Donna: Existe uma lenda de que a pele negra é privilegiada, que custa a envelhecer. Isso é verdade ou mito?

Katleen da Cruz Conceição – A pele negra tem uma fibra colágena mais densa, mais espessa. Ao mesmo tempo em que a pele negra tem essa fibra boa, é mais propensa ao queloide, que tem um tratamento difícil. É uma pele com envelhecimento tardio devido a uma quantidade maior de melanina, que dá um fator de proteção maior. Também é uma pele que tem tendência a ter manchas, mas que reage mais rápido ao tratamento a laser nos casos de manchas, flacidez e estrias.

"Juliana Alves faz tratamento com laser para uniformizar a pele" (Arquivo pessoal)

“Juliana Alves faz tratamento com laser para uniformizar a pele” (Arquivo pessoal)

Donna: Quais são as principais queixas de suas pacientes de pele negra?

Katleen – São as manchas provocadas pela acne, porque a pele negra é mais oleosa do que a branca. As pacientes também queixam-se de estrias, foliculite (pelo encravado), cabelos quebradiços, porque são mais secos nas pontas e mais oleosos no couro cabeludo. Sempre dou um conselho: se acertou com um tipo de química nos fios, oriento a manter. Sabe aquela história de que agora resolvi e então vou partir para a escova progressiva? Não rola. Pessoas de pele negra costumam ser mais alérgicas. O envelhecimento dos olhos é muito marcante, já que no restante do rosto é mais demorado, então chama a atenção. A olheira também é uma queixa, que acontece muito quando se tem filho, quando se tem uma perda, um trauma. Um dos pontos positivos é que a celulite não é comum na pele negra.

Donna: Quais os tratamentos de ponta para a pele negra atualmente?

Katleen – O laser fracionado para manchas, o laser ablativo para o escurecimento, que muita gente diz que não pode fazer e eu faço, o laser de depilação, que muitas pessoas também afirmam que não pode, mas pode, sim. Só que, na pele branca, você faz seis sessões e fica bom. Na pele negra, tem que fazer de seis a 18 sessões. É mais trabalhoso, mas é possível. E o laser de flacidez, que faço muito, principalmente no olho.

Donna: uais são as suas dicas de beleza para a mulher negra?

Katleen – Primeiro, é preciso identificar se sua pele é oleosa ou sensível. Para uma pele oleosa, o ideal é usar um sabonete com ácido salicílico ou ácido glicólico, filtro solar oil free ou sérum. Para pele sensível, prefira sabonetes específicos associados à água termal. Às vezes é difícil identificar, eu mesma às vezes alterno nos meus pacientes conforme vou vendo a necessidade – ora sensível, ora oleosa. Filtro solar 30 é para usar sempre, porque, se você não quer envelhecer cedo, é preciso ter muito cuidado. A partir dos 25 anos pode começar a se cuidar porque, se sua mãe tem bolsa nos olhos, por exemplo, provavelmente você também terá. Nesse caso, o ideal é tratar com ultrassom focado, que melhora as rugas embaixo dos olhos ao provocar uma contração da musculatura ocular. Infelizmente, não existe um tratamento que possa ser feito em casa. Um truque que pode atenuar momentaneamente, mas não resolve o problema, é gelo no local ou chá gelado.

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Donna: A pele negra precisa de uma maquiagem especial?

Katleen – O ideal é ter um filtro solar e uma maquiagem que seja adequada ao tom da pele negra. Esse tipo de maquiagem é mais comum nos Estados Unidos.

Donna: Que tipo de tratamento é destrutivo para a pele negra e que não se deve fazer de modo algum?

Katleen – Fenol, que é um peeling mais agressivo, ou qualquer tipo de peeling abrasivo que possa causar hipopigmentação, que é a falta de pigmento, e também provocar queloides e cicatrizes hipertróficas.

Donna: O cabelo é um problema para os negros em função das químicas utilizadas. Alguma dica?

Katleen – O cabelo do negro é mais fragilizado, é bom ter um bom terapeuta capilar e fazer um tratamento associado com o do dermatologista.

"Preta Gil trata as olheiras, porque é muito alérgica" (Arquivo pessoal)

“Preta Gil trata as olheiras, porque é muito alérgica” (Arquivo pessoal)

Donna: A autoestima da mulher negra melhorou muito nos últimos anos. Essa transformação se deve a algo em especial?

Katleen – Credito a exemplos que servem de espelho, como Taís Araújo, Isabel Fillardis, Érika Januzza, Ildi Silva, toda essa galera ajudou muito para essa mudança. Elas são muito representativas, as mulheres as veem e pensam: “Eu posso ficar linda também, posso ficar igual”. Hoje, existem mulheres negras muito bem-sucedidas.

Donna: Como passou a ter famosos entre seus pacientes?

Katleen – O Lázaro (Ramos) na minha vida foi uma coisa de Deus, me ajudou e ajuda muito. É uma pessoa importante porque é extremamente engajado, inteligente. Fui entrando nos nichos onde estão os negros: atores, mundo do samba e do futebol, para divulgar meu trabalho. Primeiro atendi muitos homens, MV Bill, Fabrício Oliveira, e depois vieram as mulheres.

Donna: Como é tratar celebridades?

Katleen – Ser médica de celebridades aumentou ainda mais a minha responsabilidade, porque existe toda uma história em torno. Eles me divulgam muito, me ajudam, tudo no amor. As pessoas chegam aqui achando que eu sou soberba e eu sou completamente diferente – gosto de conversar, trocar ideias. Eu sou assim, meus pais são assim, minha família do Sul é assim. Sou muito feliz em vender essa coisa da negritude, de que sou linda, porque meu pai sempre me disse isso. Transito bem em qualquer lugar. O que estou alcançando hoje em dia é porque as pessoas acreditam em mim.

Donna: Sofre algum preconceito?

Katleen – Às vezes, atendo uma pessoa branca e ela não fecha o orçamento, muitas vezes fechando com outro porque espera encontrar em mim um valor mais baixo. A dermatologia é uma coisa elitista, mentira dizer que não é, porque é. Só que isso nunca me pegou porque meu pai é médico, eu vim da zona sul e com a autoestima lá em cima. Prefiro que a pessoa diga para mim que eu não vou conseguir, porque aí, sim, é que vou conseguir.

 

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