Famosas faturam alto emprestando o nome para linhas de produtos de beleza

Drew Barrymore, Cindy Crawford e Iman são algumas das que têm produtos bem-sucedidos no mercado

Sucesso em vários países, a linha de maquiagem para pele negra desenvolvida por Iman surgiu depois de um aperto numa sessão de fotos
Sucesso em vários países, a linha de maquiagem para pele negra desenvolvida por Iman surgiu depois de um aperto numa sessão de fotos Foto: Elizabeth Lippman

Numa tarde nublada de segunda, enquanto vários de seus colegas cuidavam da ressaca do Globo de Ouro, Drew Barrymore cumprimentava jornalistas no bairro de TriBeCa, em Nova York, na sede da fabricante de cosméticos que é parceira na sua nova linha de maquiagem. Os produtos da Flower começaram a chegar às lojas da rede Wal-Mart em janeiro, com preços variando entre US$ 4 e US$ 13.

Se você já está revirando os olhos e pensando que é só mais um golpe de publicidade de celebridade, saiba que Drew fez o mesmo.

– Detesto essa coisa de só pôr o nome em cima e pronto, não se envolver, não querer saber para quem é ou como foi feito. Para mim, esse tipo de coisa é pessoal, é um trabalho no qual me envolvo nos mínimos detalhes – declarou a atriz.

Para demonstrar sua dedicação, Drew jura que deixou todos os seus outros projetos em suspenso, incluindo a própria produtora, a Flower Films. Em parte, também abdicou de mais tarefas além da linha de maquiagem por causa da filha recém-nascida, Olive, de quatro meses.

– Eu me sento na cadeira de maquiagem desde os seis anos de idade – explica a atriz, justificando a paixão por produtos de beleza.

Hoje, aos 37, Drew engrossa a lista de famosos que emprestam seus nomes para linhas de cosméticos ou perfumes de alguma empresa ou se envolvem na criação do produto, tornando-se, às vezes, até executivos.

– A cada cinco minutos, é lançada uma linha de celebridade – conta Erin Flaherty, diretora de beleza e saúde da revista Marie Claire.

Mas ela se apressa em acrescentar:

– Acredito que as empresas tenham se tornado muito mais seletivas em relação às parcerias do que há 10 anos.

Uma reconhecida história de sucesso é a de Iman, a ex-modelo que, em 1994, introduziu a maquiagem para negras.

– Eu sabia que não poderia trabalhar como modelo para sempre – disse a beldade de 57 anos.

Ela conta que, na primeira sessão de fotos para a Vogue norte-americana, descobriu que a maquiadora só tinha produto para modelos caucasianas. Por sorte, o filme era preto e branco.

– Poderia ter sido o início do fim da minha carreira – filosofa. – Uma modelo não é nada sem fotos decentes.

Iman acabou criando uma base própria, que levava para os trabalhos, e começou a vendê-la na loja J.C. Penney. Desde então, a marca se estabeleceu para venda em farmácias, é comercializada em duas mil lojas ao redor do mundo e através do site Ulta.com. A ex-modelo também tem um contrato de licenciamento com a Procter & Gamble, embora mantenha as rédeas de sua própria empresa. Ela garante que a transição da passarela para as salas de reunião não foi fácil.

– Ninguém leva as modelos a sério – resume.

Em 2004, outra modelo entrou no lucrativo negócio. Cindy Crawford escolheu infomerciais de tevê para vender Meaningful Beauty, uma linha de produtos para a pele que desenvolveu com o médico Jean-Louis Sebagh, há anos seu guru dermatológico.

– Eu me casei, tive filhos, e o meu contrato com a Revlon estava chegando ao fim – conta Cindy, hoje com 46 anos. – Claro que poderia ter tentado renovar, mas já estava com 35 anos e achei que era hora de fazer algo diferente.

O ano passado foi o mais rentável para a marca até agora, com as vendas se aproximando dos US$ 175 milhões, informa a empresa.

– O que eu descobri depois de começar esse negócio foi que, por maior que seja o número de banqueiros e marqueteiros na sala, ninguém melhor do que eu mesma para conhecer a marca – revela.

Muitas horas em frente às câmeras não se traduzem, necessariamente, num sucesso da noite para o dia. Josie Maran, atriz e ex-modelo da Maybelline, pode comprovar. Em 2004, aos 34 anos, ela começou uma empresa de produtos de beleza feitos a partir do óleo de argan, que descobriu quando fazia um trabalho no sul da França. Um ano depois, ainda na fase de desenvolvimento, quase foi à falência.

– Meu contador disse que eu teria que vender a minha casa! Aí saí atrás de empréstimo, mas parecia impossível – ela conta.

Josie não desistiu, e seus produtos, que entraram no mercado em 2007, começaram a vender bem. Hoje, os hidratantes Josie Maran são extremamente populares. Agora que alcançou o sucesso, as empresas começaram a lhe oferecer financiamentos. Josie, que continua como sócia majoritária da empresa, ri.

O promissor negócio também tem suas armadilhas. Em outubro, a Jemma Kidd Makeup School, companhia fundada pela ex-modelo Jemma Kidd, pediu falência no Reino Unido. Sua linha com a Target, a JK Jemma Kidd, também foi descontinuada.

– Confiei nas pessoas erradas. Saí de licença-maternidade e tive que me afastar um tempo. Para piorar, não tinha experiência – lamenta.

Jemma, 37 anos, está tentando se reerguer para apostar na categoria de maquiagem natural, na qual acha que pode se diferenciar. Mas, dessa vez, promete que vai escolher a equipe com mais cuidado.

Nesse aspecto, Drew Barrymore pode levar vantagem, pois já tem uma produtora de filmes bem-sucedida e conhece mais o mercado. De acordo com o site do Wal-Mart, ela prometeu abdicar das campanhas publicitárias elaboradas para investir nas fórmulas dos produtos de sua linha. A expectativa é grande: Carmen Bauza, vice-presidente de beleza e higiene pessoal do Wal-Mart EUA, disse que espera cada vez mais produtos semelhantes aos da M.A.C. ou Tom Ford, mas com preços acessíveis.

– Adoro a ideia de produzir algo que lhe faça se sentir bem consigo mesma, como comprar maquiagem. Mas sem ter que gastar demais – afirma a atriz.

– É muito fácil se identificar com Drew – diz Flaherty, da Marie Claire. – É isso que as mulheres procuram hoje em dia.

O crescente número de produtos by celebrity que chegam ao mercado todos os anos é visto com certa desconfiança pela pioneira Iman.

– Tem muita tranqueira e muito blablablá por aí. Todo mundo tem alguma coisa para vender.

Cindy Crawford, no entanto, alerta que quem é bom acaba se destacando.

– O que interessa é o produto – simplifica. – Não importa se você é famosa ou não.

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