Hotel de luxo em constante reinvenção, o Copacabana Palace é parte importante da memória turística do país

O Copa oferece um estilo de hospedagem própria e é point quase obrigatório de celebridades internacionais

Foto: Divulgação

Para o Copacabana Palace, o tempo parece não ter passado com a mesma intensidade com que se viu a transformação da quase vazia praia de Copacabana nos anos 1920 para a então badalada parada obrigatória do turismo. A porta giratória de detalhes dourados do hotel dá acesso a um clássico da arquitetura modernista encomenda especial de Octávio Guinle, por sugestão do então presidente da República Epitácio Pessoa, que almejava um lugar glamouroso para eventos.

Desde 1989, quando a britânica Orient-Express comprou o empreendimento da família brasileira, o prédio vem passando por constantes reformas. A última, no ano passado, conseguiu ampliação de 80% no lobby e repaginação de 147 apartamentos do prédio principal.

Mas a idade tem seu peso. No caso do Copacabana Palace, ele está positivamente ligado à sensação de subir as escadarias desenhadas, visitar os 13 salões por onde desfilaram príncipes, princesas e estrelas hollywoodianas, encontrar quartos com pé-direito alto, que traduzem o fato de que espaço não era um problema em 1923. A modernidade só é reservada aos banheiros e à acessibilidade introduzida há pouco tempo.

A mobília segue padrões clássicos nos apartamentos mais simples, com vista interna, até aos mais luxuosos do 6º andar – onde costumam se hospedar as celebridades. A concorrência é grande para a noite de Réveillon, já que por lá a queima de fogos se torna praticamente exclusiva diante do alvoroço da praia de Copacabana.

Hospedar-se no Copa é uma experiência obrigatória se você puder desembolsar as diárias que vão de R$ 1,5 mil a R$ 6,8 mil. E se você não estiver com disposição para desbravar o Rio, é recomendável aproveitar, em pelo menos dois dias, o que o hotel tem a oferecer. A piscina e suas espreguiçadeiras são sempre convidativas. Em frente e atrás dela, dois restaurantes oferecem atendimento no almoço e no jantar.

O Pérgula, onde também é servido o café da manhã, é uma opção de cardápio cosmopolita que pode satisfazer o hóspede – e qualquer um, pois é aberto ao público em geral – com um típico picadinho até uma receita nova-iorquina de hambúrguer. O Cipriani é um elegante restaurante italiano. Comandado pelo italiano Nicola Finamore, tem como diferencial uma oportunidade inusitada de experiência gastronômica.

Os mais curiosos podem reservar a “mesa do chef”, um espaço para até seis pessoas acoplado à cozinha. Enquanto atende aos pedidos dos clientes do restaurante, Finamore elabora os pratos do cardápio e receitas exclusivas para os que elegem a mesa privilegiada.

Para relaxar, é impossível não passar pelo Palace Spa. O espaço de 900 metros quadrados oferece mais de 20 tipos de tratamento, incluindo massagens rápidas, até rituais de cinco horas, com um menu especial desenvolvido pelo chef Francesco Carli.

No mesmo prédio funcionam um salão de beleza e uma academia de ginástica. Se estiver disposto a ir às compras, duas butiques e uma joalheria também funcinam no complexo. A 1923 é especializada em moda feminina e a Villa Copa é mais casual e diversificada. Ambas vendem marcas nacionais e internacionais e algumas peças são exclusivas.

Se você entrar no Copacabana Palace somente para desfrutar dos restaurantes, spa, lojas ou participar de um evento nos salões, não pense que poderá subir livremente pelo elevador e desbravar os largos corredores. Os hóspedes têm acesso somente ao andar em que estão instalados – por meio de um cartão magnético – e há muitos seguranças para garantir este controle.

Tudo isso porque o Copa frequentemente é escolha de pessoas ilustres e assina um contrato de sigilo com os hóspedes, além de contar com o Livro de Ouro, que guarda por datas as assinaturas das personalidades que passaram por lá.

A grande anfitriã

Figura constante das colunas sociais, a elegante Andréa Natal é sinônimo de dedicação total ao Copacabana Palace. Há 11 anos, o hotel é seu trabalho e seu descanso. É lá onde reside com o filho de 19 anos – e é esta qualidade que levou Andréa a se dedicar quase que 24 horas ao trabalho. Seus momentos de lazer – um almoço em um dos restaurantes do hotel – podem servir de verdadeiro radar para um atendimento personalizado.

? Às vezes, em conversas informais, ouço que um hóspede gosta de uma flor tal ou uma determinada comida. Imediatamente procuro surpreendê-lo com uma de suas preferências. Gosto de fazer as pessoas felizes – garante a profissional, que chegou a contratar um chef de cozinha indiano especialmente para cuidar da alimentação de uma família daquele país.

Andréa é formada em hotelaria e chegou a trabalhar em outro grande hotel carioca da extinta rede Meridien. Morou em Salvador e, em 1990, teve seu primeiro contato com o Copacabana Palace.

? Fui a primeira mulher a trabalhar no front office do hotel – diz.

Acompanhada do marido na época, a gerente-geral chegou a viver no Caribe e em Paris, onde teve seu filho. Em 1996, Andréa voltou para o Copa como gerente de recepção e nunca mais parou. Hoje, comanda 600 funcionários divididos em três turnos:

? O bom, aqui, é que não estou presa a um escritório. Vivo muito este lugar.

* A repórter viajou a convite da organização do aniversário de 90 anos do hotel.

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