Novo secador inteligente promete não queimar os cabelos e pode custar mais de R$ 1.000

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por Elizabeth Paton, The New York Times

O designer e engenheiro britânico Sir James Dyson, usando tênis, óculos azul-cobalto e um volumoso cabelo prateado, estava em seu escritório de vidro, nas profundezas dos campos ingleses, em uma tarde de terça-feira. Segurava um dispositivo que, segundo afirma, poderia mudar a monotonia da rotina do toalete para sempre.

– Não há nenhum tipo de inovação nesse mercado há mais de 60 anos – disse Dyson de 68 anos, bilionário nomeado cavaleiro pela rainha Elizabeth, em 2006. – Diariamente, milhões de pessoas usam engenhocas que são terrivelmente ineficientes, fazendo-as perder tempo e lhes causando danos em longo prazo. Percebemos que poderíamos, e deveríamos, resolver esta situação.

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Ele empunhava triunfalmente o que parecia ser um elegante donut de plástico preto e rosa preso a uma vara.

– Quatro anos, umas 100 patentes e 600 protótipos mais tarde, acho que encontramos a resposta.
Conhecido como o Dyson Supersonic e apresentado em Tóquio, o dispositivo é resposta a uma pergunta que muitos nunca pensaram em fazer: é possível fazer um secador de cabelo melhor?
Pode não parecer lá grande coisa. Tirando o couro cabeludo queimado e um pouco de frizz, as pessoas se viram muito bem com o secador padrão há décadas. Mas, como Dai Fujiwara, estilista japonês que colaborou com Dyson em um desfile de Issey Miyake, escreveu:

– Como o cotidiano é muito rotineiro, as pessoas raramente percebem que há um problema.

Dyson é o inventor britânico vivo mais famoso, o Steve Jobs dos aparelhos domésticos. Fez fortuna transformando produtos padronizados em algo esteticamente desejável e, ao mesmo tempo, convencendo consumidores de que realmente querem aspiradores sem fios e sem saco, purificadores de ar, ventiladores sem pás e até mesmo robôs domésticos.

– Suas invenções são revolucionárias e lindas. Quem diria que um aspirador sem saco poderia se tornar um símbolo de status altamente cobiçado? Ele fez outras empresas repensarem o uso do design, da criatividade e da inovação – disse Terence Conran, restaurateur e designer de móveis britânico.

Dyson disse que 103 engenheiros estavam envolvidos na criação do Supersonic – o que incluiu domar mais de 1625 quilômetros de cabelo humano e sete mil testes acústicos –, e as equipes abordaram três temas centrais: ruído, peso e velocidade.

Foto: Isak Tiner/NYTNS

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Os projetos são mantidos a sete chaves, protegidos de virtualmente todos os forasteiros – e de muitos dentro da própria fábrica (que, como a do proprietário excêntrico da fábrica de chocolate de Roald Dahl, conta com paredes roxas).

– Foi o projeto mais difícil no qual já trabalhei. Além de ter que entender a ciência do cabelo, tivemos que abordar a psicologia altamente subjetiva do usuário – disse Ed Shelton, gerente de design do Supersonic. – Confie em mim quando digo que existem mais abordagens e ângulos no processo de secar o cabelo do que no de aspirar o pó. As mulheres britânicas querem volume, as japonesas querem o cabelo liso, ninguém quer cabelo danificado. Então, tivemos que criar uma frota de robôs especificamente para testar o produto várias vezes.

A empresa diz que a parte mais importante do Supersonic é seu motor de 13 lâminas de alta velocidade. Quase do tamanho de uma moeda de 25 centavos, é pequeno o suficiente para caber na base do cabo do secador, e não na posição convencional na parte superior do dispositivo, uma mudança que cria sua estética aerodinâmica diferenciada.

O motor menor permite um fluxo de alta velocidade, mas não com pressão, diz a empresa, que é como a temperatura aumenta em secadores de cabelo tradicionais, que podem queimar o usuário, caso o secador esteja muito perto da cabeça.

A empresa diz que o posicionamento do motor no cabo também limita o chamado efeito de halteres dos modelos antigos, onde o topo mais pesado pode deixar o braço dolorido. Pesando apenas 370 gramas, a nova estrutura possibilita a existência de um longo tubo silenciador e de um ventilador menor, reduzindo drasticamente o ruído.

Juntamente com o motor de alta velocidade, a fusão de novas tecnologias suporta as teorias de Dyson, que diz que as ondas sonoras podem operar em um nível ultrassônico – em outras palavras, em frequências mais elevadas do que o limite superior audível para os humanos. O aparelho também conta com bocais magnéticos refratários e sensores de calor inteligentes para evitar que o cabelo queime.

– Francamente, fiquei bem assustado. Tivemos que aprender muito com o Supersonic e surgiram inúmeras novidades em todas as frentes, incluindo o fato de que tive que deixar meu cabelo crescer especialmente para um lançamento – brincou Dyson. – A última vez em que esteve comprido assim foi na minha época de estudante, nos anos 60, quando eu usava camisas floridas e calça boca de sino.
Como com qualquer outro dispositivo da Dyson, pesquisa e desenvolvimento não são baratos: o investimento, incluindo um moderno laboratório de cabelo, chegou a 50 milhões de euros (cerca de R$ 199 milhões).

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Como resultado, o Supersonic custará US$ 399 (em torno de R$ 1.409) quando chegar aos Estados Unidos nas lojas Sephora em setembro, preço drasticamente diferente do modelo preço baixo/grande volume de vendas que tradicionalmente define o mercado de secadores de cabelo.

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Foto: Isak Tiner/NYTNS

A resposta voa com o vento: a história do ar quente

O primeiro secador de cabelo foi inventado em 1890 pelo estilista francês Alexander F. Godefroy. O dispositivo era um chapéu de metal grande anexado à chaminé de um fogão a gás, e o usuário se sentava sob ele.

Em 1911, o inventor armeno-americano Gabriel Kazanjian recebeu a primeira patente de um secador de cabelo portátil e, durante os anos 1920, os primeiros modelos portáteis de metal chegaram ao mercado. Lento, pesado – cerca de 1 kg – e com tendência ao superaquecimento, houve vários casos de eletrocussão.

Os dispositivos estilo chapéu continuaram a ser populares em salões de beleza, e surgiram novos modelos com cubículos que vinham com revisteiros, cinzeiros e até alto-falantes para que as clientes pudessem ouvir música enquanto arrumavam o cabelo. Algumas mulheres que buscavam um efeito semelhante em casa conectavam uma mangueira ao exaustor de seus aspiradores.

Secadores com toucas macias foram introduzidos em salões. Com cabelos curtos e cacheados na moda, um secador em forma de caixa ligado por um tubo a uma touca plástica com furos soprava ar continua e uniformemente por toda a cabeça.

O secador rígido – uma touca de plástico grande e dura – chegou em 1951 e se tornou um dos pilares dos salões de beleza por 30 anos. Sua premissa era a mesma das antigas toucas, mas era possível chegar a um nível muito mais elevado de potência, resultando em penteados mais rápidos, mais elaborados.

O secador de cabelo portátil continuou a atrair grande interesse graças à maior privacidade e eficiência do uso doméstico. Ao longo do tempo, unidades de plástico foram desenvolvidas, os motores foram ficando mais leves e mais poderosos e interruptores de circuito de segurança foram incorporados para limitar acidentes ou lesões.

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Na década de 70, os secadores de cabelo haviam se tornado um produto de consumo de massa. O funcionamento interno da maioria dos modelos permaneceu praticamente inalterado desde os primeiros dispositivos, mas características externas foram adicionadas, incluindo o difusor, o concentrador de fluxo de ar e escovas anexadas ao bocal.

Muitos modelos também foram ficando mais compactos. O secador portátil do século 21 pode produzir mais de dois mil watts de calor.

O Dyson Supersonic, apresentado em abril, é a primeira incursão no mundo da beleza da empresa conhecida por ventiladores e aspiradores de pó. O secador de cabelo da Dyson tem seu motor na haste, não na extremidade, e seus inventores afirmam que ele é menos barulhento, mais seguro e mais leve que os concorrentes no mercado.

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