Proibição do uso de câmaras de bronzeamento segue recomendação da OMS

Apesar da proibição decidida pela agência de saúde, câmaras funcionavam ontem em Porto Alegre, com clientes para retocar a cor
Apesar da proibição decidida pela agência de saúde, câmaras funcionavam ontem em Porto Alegre, com clientes para retocar a cor Foto: Genaro Joner

A decisão da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) de proibir o uso de câmaras de bronzeamento artificial para fins estéticos no país segue uma recomendação da Agência Internacional para Pesquisa sobre Câncer, ligada à Organização Mundial da Saúde (OMS). Segundo o diretor da Anvisa, Dirceu Barbano, a proibição também foi motivada pela falta de manutenção e fiscalização dos mais de 5 mil equipamentos usados no país para esse tipo de bronzeamento.

– A OMS alertou o mundo todo que esse tipo de procedimento causa câncer, especialmente o melanoma – alertou. – Além disso, verificamos que há um baixíssimo índice de cuidado com os equipamentos e com a reposição das lâmpadas -, acrescentou.

Segundo o diretor, a quantidade de raios ultravioleta no interior das câmaras é oito vezes maior do que que os que incidem sobre a pele no horário de sol mais forte. Com as lâmpadas velhas e sem manutenção, a emissão de radiação acaba sendo ainda maior, porque é necessário ficar mais tempo no interior da câmara para se obter o efeito desejado.

Antes de decidir pela proibição, a Anvisa realizou consulta e audiência públicas com a participação de representantes da sociedade civil, de clínicas de estética e salões de beleza e de profissionais de saúde. O diretor da agência reforçou que a decisão levou em conta a ideia de que não se justifica manter a fiscalização sobre uma atividade que provoca mais riscos do que benefícios.

– É um procedimento de alto risco para um resultado questionável, que gera todo um trabalho de vigilância sanitária, que, por mais fiscalização que se tenha, não vai eliminar os riscos aos quais as pessoas ficam expostas – argumentou.

A recomendação da Anvisa é que as câmaras sejam retiradas das clínicas para evitar multas que variam de R$ 2,5 mil a R$ 1,5 milhão.

Segundo a agência, somente um fabricante desses equipamentos tem registro no mercado brasileiro e a licença será cancelada. De acordo com Dirceu Barbano, a decisão do Brasil será levada a um congresso da OMS em Genebra, no próximo dia 15 de novembro, e poderá servir de exemplo para outros países.

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