Visagismo: técnica antiga ganha força em tempos de valorização da identidade

Conceito é baseado na criação de um estilo personalizado de cabelo

O longo com franjas de Angelina Jolie é um dos mais pedido nos salões
O longo com franjas de Angelina Jolie é um dos mais pedido nos salões Foto: AFP

Pare e pense por um minuto o que a sua imagem expressa. O visagismo (palavra derivada do termo francês visage, que significa rosto) é um conceito baseado na criação de um estilo personalizado de cabelo, capaz de revelar sua personalidade. Trata-se de uma técnica antiga que volta com força nesses tempos de valorização da individualidade.

Ter um estilo próprio vai além da moda. Não adianta querer ter o corte ou a coloração do cabelo de determinada celebridade se aquele modelo não combina com seu estilo. Este alerta vale para legiões de mulheres que sonham com tesouradas transformadoras. O visual da atriz Angelina Jolie, por exemplo (cabelo comprido e com franja lateral), tem sido um dos mais copiados em salões de beleza Brasil afora. Outra figura feminina bastante reverenciada, a Duquesa de Cambridge, Kate Middleton, aderiu ao estilo. Porém, para a construção da imagem de uma cliente, o visagista deve levar em conta suas peculiaridades, pois cada detalhe possui um significado.

– O profissional faz uma leitura rápida do rosto e entrevista a cliente sobre estilo de vida, profissão, desejos. Daí sim está capaz para estabelecer os primeiros passos do processo criativo – ensina Alan Silveira, visagista e orientador do curso na área do Senac de Santa Catarina.

A visagista Ellis Goedert, que há 26 anos trabalha na área e mantém consultórios em Florianópolis, Blumenau e Ituporanga, afirma que o visagismo não significa mudanças radicais.

– Aprendi que o corte perfeito pode ser alcançado com cortes extremamente sutis – revela.

Ellis dá dicas de maquiagem e de como manejar o cabelo.

– Quero que a cliente saiba se interpretar, por isso dou orientações para que cada mulher possa se tornar visagista de si mesma e encontrar o seu equilíbrio – observa.

O brasileiro Phillip Hallawell virou referência internacional no assunto ao lançar o livro Visagismo: harmonia e estética, em 2003. Diz ele:

– Visagismo é a arte de criar uma imagem pessoal que revele qualidades interiores de uma pessoa, de acordo com suas características físicas, e os princípios da linguagem visual (harmonia e estética), utilizando maquiagem, corte, coloração e penteado.

Kate Middleton também adotou franjas
Foto: AFP


Descubra seu estilo

Segundo Phillip Hallawell, os cabelos podem comunicar sobre você, mesmo que as mensagens transmitidas por sua imagem não estejam de acordo com sua personalidade. Confira abaixo os significados de cada um e veja se o seu corte de cabelo condiz com a imagem que você deseja passar.

– Cabelos com linhas verticais e retas: transmitem estrutura

– Cabelos com linhas retas horizontais: transmitem estabilidade. No entanto, uma franja reta e um cabelo com linhas verticais e base na horizontal, por exemplo, cria uma espécie de barreira e mostra que a pessoa é convencional; passa falta de jogo de cintura.

– Cabelos com linhas curvas: os cabelos estilo “Gisele Bündchen” transmitem amplitude, sensualidade, lirismo e romantismo.

– Cabelos com linhas inclinadas: transmite dinamismo. Os cabelos com linhas inclinadas (desfiados ou repicados) que se voltam para dentro representam introversão e dinamismo, o que segundo o visagista Philipi Hallawell, é algo perigoso, pois mostra desequilíbrio. O ideal são as linhas inclinadas voltadas para fora, pois elas mostram que a pessoa é dinâmica e extrovertida.

– Cabelos com linhas mais fechadas (cachos): transmite uma imagem emocionalmente conturbada.

– Cabelos com linhas quebradas (encaracolados): segundo Hallawell trata-se de uma linha lúdica, que transmite infantilidade. Os encaracolados normalmente não são levados a sério. “Por isso que a maioria das mulheres, quando chega à idade adulta não gosta desse tipo de cabelo. Elas reagem emocionalmente, instintivamente ao se olhar no espelho. E essa é a mesma reação de quem as vê”, explica. ia.

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