Diferença de remuneração entre homens e mulheres no agronegócio é menor do que na economia brasileira

Foto: Tadeu Vilani
Foto: Tadeu Vilani

Na semana que passou, estive com centenas de mulheres que estão inseridas em algum elo da cadeia do agronegócio. Ouvi histórias emocionantes de superação, enfrentamento e pioneirismo. Na bagagem da volta para casa, eu trouxe uma certeza: a coragem dessas mulheres as torna grandes realizadoras e ajuda a acelerar mudanças no setor. Prova disso, é que no agronegócio o diferencial de remuneração entre homens e mulheres é menor do que na economia brasileira.

Em 2017, as mulheres brasileiras ganharam, em média, 76,2% da remuneração recebida pelos homens, segundo dados do IBGE em sua Pesquisa Nacional por Amostragem de Domicílio (PNAD) Contínua. Já as mulheres do agronegócio receberam, na média, 78,3% da remuneração dos homens. Os dados inéditos sobre a inserção das mulheres no mercado de trabalho do agronegócio brasileiro foram divulgados na última semana pelo Centro de Estudos do Agronegócio da Fundação Getúlio Vargas (GV Agro). As mulheres já entenderam que, para fazer a diferença num segmento no qual elas ainda são minoria (mais de 65% da população ocupada no setor é formada por homens), precisam estar bem preparadas e essa é uma das hipóteses que explica porque a diferença é levemente menor.

No segmento agro, a mulherada está aumentando seus ganhos em ritmo mais acelerado também. No acumulado entre 2012 e 2017, enquanto a remuneração entre as mulheres aumentou 10,6% (na economia brasileira ficou em 6,6%) entre os homens essa expansão foi de 6,6% (na economia brasileira cresceu 3,6%). Mesmo com os nítidos avanços, as mulheres do setor ainda ganham menos do que a média nacional. Só em 2017, no agronegócio as mulheres receberam mensalmente, em média, R$ 1187, valor inferior à média do Brasil que ficou em R$ 1763 (já descontado a inflação).

O papel das mulheres na sociedade brasileira ainda vai mudar muito. Para que a equidade seja alcançada ainda vamos levar um tempo, mas são as pequenas transformações que revelam uma grande mudança já em curso. Em comum, as mulheres inseridas no mercado de trabalho neste segmento tem uma característica muito importante: a vontade de fazer a diferença. E isso já começou a acontecer.

Importante: no texto não é usado o conceito de salários, pois o IBGE não acompanha apenas a população empregada, mas a população ocupada. Dentro do universo da população ocupada, temos os empregados, empregadores, autônomos e o trabalhador familiar. Desses, em geral, apenas empregados recebem salários e remuneração abrange todos esses tipos de ocupação.

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