Entrevista! Guru do meio empresarial, Roberto Shinyashiki aponta o que falta para se ter mais igualdade de gênero no mercado de trabalho

(Pixabay)
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Suas palestras, seminários e convenções no Brasil e no Exterior fizeram de Roberto Shinyashiki um guru no meio empresarial. De cima do palco, o psiquiatra e empresário assistiu à transformação de suas plateias, hoje mais femininas do que masculinas. Shinyashiki bateu um papo com Donna sobre mulheres e carreira. Para ele, a chave do crescimento delas nas empresas passa por autovalorização e meritocracia.

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Donna – O senhor soma mais de duas décadas de palestras. Quais mudanças percebeu na plateia feminina de lá para cá?
Roberto Shinyashiki – A começar, a quantidade. Essas palestras para empresas começaram por volta dos anos 1990. Naquele tempo, o número de mulheres na plateia era entre 20% e 25%. Hoje, falo para uma maioria de mulheres. Elas tomaram a plateia assim como tomaram conta de quaisquer pontos de trabalho. Para você ter uma ideia, nas últimas semanas dei cerca de 15 entrevistas sobre meu último livro (A Nova Lógica do Sucesso, Editora Gente), e você é o primeiro homem a me entrevistar.

Donna – E no perfil delas, o que mudou?
Shinyashiki – Há, sem dúvida, mulheres em cargos mais elevados. As que eram da gerência, agora são da diretoria. Mas é um crescimento ainda lento e um pouco limitado. Com problemas, como receber 30% a menos do que um homem para a mesma função. E muitas delas estão estagnadas em um nível muito primitivo das escalas hierárquicas: são recepcionistas, operadoras de telemarketing… Essas têm dificuldade em subir na carreira.

(Instituto Gente/Divulgação) Shinyashiki é conhecido como guru do meio empreasarial

(Instituto Gente/Divulgação) Shinyashiki é conhecido como guru do meio empreasarial

Donna – Há quem atribua a diferença salarial à disposição da mulher de trabalhar por menos.
Shinyashiki – Existe o que chamo de pedágio. Algo que as empresas cobram subtraindo do salário dos funcionários em nome de uma condição desfavorável, como ser um jovem recém-formado, ser uma pessoa mais velha se reinserindo no mercado, assim por diante. Nesse sentido, sim, pode haver mulheres que, em nome de terem muito interesse em exercer uma função, aceitem fazê-lo por menos. Cabe a elas medirem se esse pedágio está ficando caro demais a ponto de desvalorizá-las como profissionais. Se não é valorizada, a mulher deve “demitir” o chefe. E ele, em vez de uma associada, terá uma concorrente.

Donna – Quais são as maiores barreiras para o crescimento das mulheres dentro de uma empresa?
Shinyashiki – O maior ainda é o preconceito, e ele aparece de forma sutil. Um exemplo: a gerente de uma área está furiosa, em uma reunião, com o não cumprimento do trabalho de um colega. Aí ele diz: “Por favor, não traga o seu estado emocional para o projeto”. Zangado ou não, um homem nunca ouve nada parecido. Quando uma mulher ouve algo assim, ela precisa trazer a discussão de volta ao profissional: deixar claro que ela está furiosa com a incompetência de quem não fez a sua parte. Não tem nada a ver com seu estado emocional.

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Donna – Há mitos em relação a mulher e trabalho?
Shinyashiki – Não só em relação à mulher. O ambiente de trabalho é tomado de mitos: “o jovem é disperso”, “o velho é acomodado”… Um grande mito é que a mulher não mantém uma boa performance depois de ter filhos. Na realidade, geralmente elas voltam de uma licença-maternidade ainda mais focadas e objetivas, porque precisam trabalhar na hora que têm para trabalhar. Outro mito é de que a mulher perde muito tempo de trabalho com fofoca. Ora, os homens são tão fofoqueiros quanto (risos)! Se elas perdem, eles perdem tanto quanto.

Donna – Como as empresas podem tornar os ambientes de trabalho mais igualitários?
Shinyashiki – A solução está na meritocracia. A linguagem das empresas não é o português, o inglês ou o chinês, é o lucro. Muita vezes um gestor mantém um funcionário, ou remunera ele melhor, por fatores que nada têm a ver com a entrega dele. O funcionário não entrega, mas já entregou no passado. Não entrega, mas é boa-praça. Não entrega, mas vem de uma boa faculdade. É uma bobagem: se for uma moça de 21 anos que se graduou por correspondência, mas entrega resultados, é ela quem deve ser promovida. Quanto mais as empresas focarem no quanto os funcionários produzem, menos se importarão com o sexo dos funcionários.

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