Hey, mulheres, por que não falamos mais sobre dinheiro?

Por Kellen Severo
Jornalista, pós-graduada em economia

“Não sei dizer não”

Se você já disse ou ouviu alguém dizer isso alguma vez, pode ser o sinal para o começo de uma mudança que envolve o universo das finanças. Uma das maiores dificuldades das mulheres para lidar com dinheiro é justamente conseguir dizer não. O dado é apontado pela psicóloga e coach financeira Rafaela Pimpão, de São Paulo, que ouve centenas de pacientes relatarem a mesma questão.

– Essa resistência para dizer não vem de uma dificuldade de dizer sim para o que consideram importante de verdade. A falta de clareza e a tentativa de minimizar culpas que, no fundo, são sem sentido, também colaboram – explica a profissional.

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Saber dizer não também é um problema para a personagem da comédia romântica Confessions of a Shopaholic – Os Delírios de Consumo de Becky Blomm. O filme é antigo, mas apresenta questões bem atuais pelo menos desde 2009, quando foi lançado. A comédia é baseada nos livros da escritora britânica Sophie Kinsella e conta a história de uma jovem com compulsão por compras.

A jornalista Rebecca Bloomwood tem 12 cartões de crédito, está endividada e mesmo assim não consegue dizer não para as novas bolsas, as calças e tampouco consegue pagar as contas da casa, como aluguel e telefone. Por um acaso do destino ela começa a trabalhar numa revista de economia e finanças. Naquele momento, a relação dela com o dinheiro começa a mudar, especialmente quando seu par romântico diz que “Segurança pode ter diferentes significados para cada pessoa. [O que] pode dar a sensação de segurança por uma noite, pode gerar um efeito terrível no futuro”.

Pode parecer bobagem, mas as emoções mal esclarecidas viram, muitas vezes, as vilãs do cartão de crédito. Para muitas mulheres falar sobre essa relação com o dinheiro é desinteressante e chega a ser considerada tabu. É visto como algo feio, pejorativo e muitas vezes entendido como falta de educação. No entanto, a realidade da crise econômica brasileira levou centenas de brasileiras ao necessário enfrentamento da questão.

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Houve quem perdeu clientes, quem sofreu redução de salário, quem até mesmo perdeu o emprego e por isso foi preciso falar mais sobre dinheiro. Apenas em 2016, foram extintas 1, 32 milhão de vagas com carteira assinada, o que representa o segundo pior resultado do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados, que tem dados desde 2002. Mesmo com o resultado amargo, neste ano o Brasil ainda deve ser responsável por um em cada três novos desempregados entre as economias do G-20, conforme dados da Organização Internacional do Trabalho (OIT). Ou seja, o cenário de recessão econômica vai continuar exigindo mais atenção para com o dinheirinho de cada dia.

Essa discussão envolve outro ponto importante. O “X” da questão, segundo Rafaela, é também o fato de não termos paciência para viver a mudança de comportamento que esse universo financeiro nos exige.

– Eu percebo um desejo muito forte de que as questões financeiras se resolvam rapidamente e muita frustração quando as mudanças são gradativas. Estamos numa era de impulsividade e desejo por soluções instantâneas e infelizmente elas são ilusões – complementa a coach.

Minha sugestão para começar o ano mais entusiasmada com o tema “dinheiro” é justamente tentar falar mais sobre ele. Veja no dinheiro o caminho para a liberdade de escolha. A realização de muitos dos desejos nasce justamente do entendimento daquilo que é importante para nós.  Como nos ensinou a coach, “não é sobre dinheiro, é sobre a vida”. Então, por que não falamos mais sobre dinheiro? 

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