Investimento também é assunto de mulher: 4 dicas para começar já

Foto: Pexels / Reprodução
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Para muitas mulheres, a ideia de investir seu dinheiro é distante e complexa demais para ao menos pensar no assunto. Taxas de juros, rendimentos, ações: melhor ficar tranquila e guardar tudo na poupança. Mas é realmente melhor deixar de lado uma possibilidade de organizar melhor a renda?

– Em um país com inflação e taxas de juros tão altas, o maior erro que você pode cometer é de não investir o seu dinheiro – a explica Carolina Sandler, fundadora do site Finanças Femininas e coautora do livro “Finanças femininas – Como organizar suas contas, aprender a investir e realizar seus sonhos”. – A diferença entre um CDB (certificado de depósito bancário) e um fundo de renda fixa são marginais quando comparadas com a alternativa de deixar o dinheiro parado na conta.

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Provavelmente ao ler a fala de Carolina sobre CDB e fundo de renda fixa já provocou arrepios em quem não entende nada sobre o assunto. Esse medo está relacionado à falta de confiança das mulheres nessa área. É uma questão histórica que vem da época em que as mulheres não estavam inseridas no mercado de trabalho e deixavam seus maridos em função dos pagamentos.

– A ascensão da mulher no mercado de trabalho só aconteceu para valer a partir dos anos 1960, ao mesmo tempo em que passamos a ter um CPF e o direito de ter uma conta bancária individual. Por isso, passamos a ter nosso próprio dinheiro e o direito de cuidar dele muito recentemente – comenta Carolina.

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Não houve tempo suficiente ainda para as mulheres ficarem familiarizadas com todas as questões que envolvem investimento. O que não quer dizer que elas não começando a se inserir nesse mercado.

Segundo uma pesquisa de 2015, a participação de mulheres na BM&FBovespa era de 24,16%. Desde 2002, a presença delas como investidoras cresceu 800,7%. Um estudo de 2011 do instituto Sophia Mind sobre os hábitos de investimentos das mulheres já mostrava de 52% das entrevistadas investiam parte de sua renda, sendo que 67% pretendia aumentar o volume de investimentos nos meses seguintes.

Outra informação importante é que as mulheres procuram investimentos mais conservadores, com menos riscos, como tesouro direto, poupança (escolhida por 76% das mulheres, segundo dados de 2011 do instituto Sophia Mind) e imóveis. Um ponto comum dessas aplicações é que elas dão pouco retorno quando comparadas com investimentos mais arriscados. Porém, por apostarem mais nos rendimentos de longo prazo e não se arriscarem, as mulheres acabam conseguindo retornos superiores aos dos homens.

Carolina acredita que o mais importante é que as mulheres se deem conta que precisam aprender a cuidar do seu dinheiro, deixando estereótipos de lado.

– É somente dessa forma que a mulher vai se sentir realmente empoderada – declara.

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Passo a passo para o mercado

Com cuidado e a ajuda correta, investimento pode se tornar uma parte importante do seu vocabulário. Carolina e a planejadora financeira Marisa Dornelles, representante gaúcha do Instituto Brasileiro de Certificação de Profissionais Financeiros, explicam como começar com quatro dicas fundamentais:

1. Busque aprender sobre o assunto

Leia tudo que conseguir sobre investir. De nomenclaturas a taxas e retornos. O importante é se informar. Para isso, buscar fontes confiáveis, como profissionais certificados pode ser uma boa opção. Ele vai ensinar como se faz um investimento e ajudá-la a encontrar a melhor opção para os seus recursos. Marisa cita que saber quanto rende um investimento e qual taxa de aplicação é cobrada pelo banco em cada investimento é o básico para iniciar.

2.Tenha um motivo para investir

Pergunte-se: qual o objetivo para o investimento? É curto prazo, daqui um ano, por exemplo? Ou é para o futuro, aposentadoria? Algumas aplicações são cobradas no imposto de renda, outras não; algumas dão mais retorno a longo prazo, outras não precisam de tanto tempo. O motivo pelo qual você está investindo vai guiar o tipo de investimento.

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3.Comece a se organizar

O primeiro passo da organização é conhecer o seu fluxo de caixa: quanto ganha e quanto está gastando. Para isso, Marisa indica fazer uma planilha, pode ser à mão, para anotar todos os gastos. É importante ter essas anotações, pois muitas vezes nos esquecemos de algum gasto e achamos que estamos guardando mais do que realmente estamos. Com esse conhecimento, você começa a ver quanto dinheiro tem de verdade para guardar e começar um investimento.

4.Escolha um investimento

Com um motivo e o dinheiro em mãos, está na hora de escolher um investimento. A opção escolhida vai depender desses dois fatores. O importante é pesquisar o máximo possível sobre o que tem disponível para as suas necessidades e escolhas. Tire todas as dúvidas possíveis. Carolina indica: pergunte até entender quais são os custos, a liquidez do investimento (com quanto tempo de antecedência você precisa pedir o seu dinheiro de volta até ele cair na sua conta), impostos e riscos.

Comece a investir! Que investimento fazer em caso de…

  • Plano de curto prazo: se seu objetivo for guardar dinheiro por seis meses ou um ano para uma viagem, por exemplo, a poupança pode ser uma boa ideia, pois não é cobrado imposto de renda sobre o lucro. Qualquer outro investimento de renda fixa cobra imposto regressivo: quanto menos tempo o dinheiro fica aplicado, mais imposto é pago.
  • Plano de médio prazo: se você tem uma meta para daqui a três ou cinco anos, como adquirir a casa própria, títulos do tesouro direto são opções interessantes, pois permitem estabelecer um valor fixo e calcular a rentabilidade a médio prazo. As LCs (letras de crédito) são títulos de renda fixa, isentos de imposto de renda, que também funcionam para esse propósito.
  • Plano de longo prazo: se seu desejo é guardar dinheiro para o futuro, pode optar por um plano de aposentadoria como o VGBL (Vida Gerador Benefício Livre) ou o PGBL (Plano Gerador de Benefício Livre). No caso do PGBL, a contribuição pode ser abatida no imposto de renda. O imposto cobrado sobre o lucro vai diminuindo progressivamente com o tempo. Cuidado: procure saber a taxa administrativa de bancos ou corretoras – se for muito alta, pode comprometer a rentabilidade.

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