Nos EUA, médicas negras denunciam preconceito em campanha nas redes sociais

Foto: Reprodução/Twitter
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No início de outubro, a ginecologista e obstetra americana Tamika Cross viajava de avião quando um dos passageiros passou mal durante o voo. Ela – uma mulher negra – se ofereceu para prestar socorro, mas foi dispensada e teve suas credenciais questionadas por uma comissária de bordo.

– Ela me disse: “querida, estamos procurando médicos, enfermeiras ou outros profissionais de saúde, não temos tempo para falar com você agora”. Tentei informá-la que eu era médica, mas fui cortada por outros comentários condescendentes – relatou Tamika em sua conta no Facebook.

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Quando um médico branco se voluntariou a atender o homem e foi prontamente aceito, Tamika entendeu que estava sendo desqualificada enquanto profissional. Mais tarde, a comissária de bordo enfim lhe pediu assistência e se desculpou pelo ocorrido, oferecendo milhas de viagem como compensação.

– Gentilmente recusei (a oferta). Isso vai bem além dela. Não quero milhas em troca de discriminação flagrante. Não importa se foi discriminação por raça, idade, gênero: isso não está certo.

O relato de Tamika impactou outras médicas negras e mobilizou nas redes sociais dos EUA a campanha #WhatADoctorLooksLike (“como uma médica se parece”). Em solidariedade à ginecologista, as profissionais postaram fotos, textos e tweets exigindo visibilidade e respeito pelo seu trabalho.

Delta, ensine à sua equipe que é assim que médicas se parecem. Combata o preconceito velado, o machismo e o racismo nosso de cada dia.

Muitas pessoas já duvidaram que eu fosse a médica delas. Médicos vêm em todas as raças, cores, idades, gêneros e tamanhos.

A Delta Airlines, companhia pela qual Tamika viajava, pronunciou-se logo após o incidente afirmando que investigaria o caso a fundo, e que a discriminação vivida pela médica “não refletia a cultura da empresa nem os valores seguidos por seus profissionais todos os dias”.

No Brasil, Júlia Rocha – médica de família e ex-participante do The Voice – também sofreu uma onda de ataques racistas em agosto, ao se posicionar contra o preconceito linguístico de um colega de profissão no Facebook. A médica se disse chocada com os comentários que recebeu, muitos dos quais ridicularizavam sua aparência e suas credenciais profissionais.

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