Sem saia justa: especialistas dão dicas para resolver situações no trabalho

Foto: Isadora Neumann, Agência RBS
Foto: Isadora Neumann, Agência RBS

Por Rossana Silva, Especial

 

Intriga, chefe que pega no pé, colega que não coopera… Situações que deixam o clima pesado no trabalho podem desmotivar e comprometer o rendimento profissional. Mas, apesar de se repetirem com frequência nas empresas, encontrar a maneira correta de resolvê-las não costuma ser tarefa simples. Muitos funcionários – e até gestores – não estão preparados para enfrentar as saias justas do dia a dia.

Pensando nisso, preparamos um guia com dúvidas comuns no mercado de trabalho e convidamos as coachs Yukiko Takaishi, líder do Núcleo de Coaching da People + Strategy, e Janaína Lima, especialista em recolocação profissional, para dar orientações de como encarar situações delicadas que, volta e meia, a gente enfrenta no trabalho.

– São questões que as pessoas sempre têm de lidar, mas quando elas se deparam, é difícil de encarar. É importante agir com serenidade e equilíbrio para resolver melhor cada situação, consultando também uma pessoa mais experiente na qual você confia e pesar os prós e contras – explica Yukiko.

Confira as dicas das especialistas para resolver questões que, amanhã ou depois, podem aparecer na sua mesa.

Fofoca no trabalho

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Informações extraoficiais são corriqueiras em alguns ambientes de trabalho. Ignorá-las nem sempre é uma opção, já que chegam até a quem não tem interesse em tomar conhecimento de notícias de fonte duvidosa. A coach Yukiko Takaishi recomenda a adoção de um princípio: sempre que tiver algo para falar sobre uma pessoa, fale diretamente a ela, jamais para outro colega.

– É muito importante a transparência e a postura não apenas em uma situação de dificuldade, mas no dia a dia, para mostrar às pessoas, o tempo todo, seu posicionamento, o que você acredita, do que você gosta e do que não gosta – diz Yukiko.

Mais desconfortável ainda é descobrir que o seu nome está envolvido em um “diz-que-diz” da rádio-corredor. Nesse caso, cabe esclarecer o mal-entendido o quanto antes. Aproveite um momento no qual os colegas estiverem reunidos para contar a verdade sobre a situação. Se preferir, converse com as pessoas individualmente, sempre com calma e bom senso.

– Dissolva o mal-entendido deixando claro que, se é uma fofoca, a informação não deve ser verdadeira. Fale a verdade e deixe clara a sua opinião sobre o assunto, além de destacar que você não está gostando de ser alvo de comentários – afirma Yukiko.

Chefe difícil de lidar

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Como a maior parte dos problemas no trabalho, uma conversa franca pode melhorar uma relação problemática. No caso do chefe, a coach Yukiko recomenda uma dose extra de tato:

– Um bom caminho é dizer a ele, de forma cuidadosa, a forma como você quer ser gerenciada. As pessoas dificilmente mudam de um dia para o outro sua maneira de fazer a gestão. Então é preciso falar mais de uma vez, dando exemplos de quando o trabalho fluiu bem e progrediu.

Para um chefe que pega muito no pé enquanto você desenvolve um trabalho, por exemplo, é possível combinar, com gentileza, que não o interrompa muitas vezes, pois isso pode atrasá-la. Tire as dúvidas com antecedência e alinhe as expectativas sobre o resultado do que será entregue. Se der certo, lembre o gestor nas tarefas futuras, procurando estabelecer uma relação de confiança mútua. Paralelamente a isso, lembre-se que a única coisa sobre a qual você tem controle é o seu próprio comportamento e considere aumentar o grau de tolerância com o gestor.

– É preciso enxergar o lado bom do chefe “mala”. Ao olhar para a mesma pessoa por ângulos diferentes, nossa energia, nosso olhar e nosso comportamento se alteram e o outro acaba se alterando também. Quando mudamos a nós mesmos, o outro tende a mudar também ou, no mínimo, nos afetar menos – afirma a coach Janaína.

Colega lento

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E aquele relatório que você está precisando, mas segue empacado na mesa do colega? Além da oportunidade para exercitar a paciência e lembrar que cada pessoa tem o seu próprio tempo e ritmo, Janaína recomenda marcar uma conversa para falar de maneira transparente sobre o assunto, expondo sua expectativa e o que você acredita que possa ser melhorado – além de se colocar à disposição para ajudar nesse processo. É comum que a pessoa não perceba o desajuste até receber um feedback. Não espere, porém, que o problema seja resolvido imediatamente.

– Você pode tentar conversar mais de uma vez. Se perceber que não há abertura, uma pré-disposição para mudança e colaboração desse colega, é possível que você precise levar para uma instância superior – explica Yukiko.

Se a situação chegar a esse ponto, Yukiko recomenda preparar a conversa com o chefe de modo que não pareça uma fofoca, apresentando fatos e dados que deixem a situação clara para o gestor. Em vez de levar o assunto para ele como um problema, apresente-o de maneira pró-ativa, como um pedido de ajuda. Antes de chegar à mesa da chefia, porém, analise se não é você quem está com um ritmo muito acelerado.

– É comum isso acontecer se você vem de outra empresa ou outra área que tem mais velocidade. É bom primeiro olharmos para nós mesmos e ver se não sou eu que não tenho que melhorar – afirma a coach.

Comunicar a gravidez

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Um dos momentos mais importantes da vida da mulher, a gestação pode ser planejada antes de ser levada a público no trabalho. As especialistas recomendam esperar até o terceiro mês de gravidez para divulgar a notícia. E a maneira como você vai fazer isso depende, de acordo com Yukiko, se você planeja continuar na empresa nessa nova fase.

– Se a sua intenção é seguir ali sua carreira, comunique com bastante clareza e transparência – explica a coach, que não recomenda, porém, dividir a notícia de que está tentando engravidar.

Mulheres que ocupam cargos de gestão ou com maiores responsabilidades podem se comprometer a fazer um treinamento e um período de transição antes da licença-maternidade. Vale apresentar uma proposta de planejamento para o período no qual estará ausente, detalhando de suas atividades e dos projetos nos quais está trabalhando, além do nome sugerido para assumir estas tarefas temporariamente e como organizará essa transição.

– É possível manter uma gravidez saudável sem grandes impactos na rotina do trabalho, enquanto organiza a transição das suas tarefas – diz Janaína.

Apaixonar-se no trabalho

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O amor está no ar – e também no ambiente de trabalho. É comum que paixões nasçam em um lugar no qual se passa muito tempo e se conhece muitos aspectos da personalidade das pessoas. Mas algumas empresas têm políticas de que, se dois colegas começam a namorar, um tem de mudar de setor.

– O importante é, no começo, ser mais discreto, dando tempo para ter certeza de que é realmente uma história séria. E, depois, comunicar e seguir as regras da empresa, tentando não misturar as coisas enquanto se está trabalhando – aconselha Yukiko.

A dica da coach Janaína é deixar as demonstrações de afeto para depois do expediente.

– Local de trabalho é para trabalhar. Por isso, é preciso separar as coisas e ser o mais profissional possível. Se a pessoa trabalha diretamente com você, lembre-se de que ela tem um perfil e um ritmo de trabalho que devem ser respeitados, não espere que isso mude porque vocês têm um relacionamento fora da empresa.

Sair no meio do expediente

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A escola do seu filho ligou. E agora? A decisão entre sair do trabalho imediatamente ou encaminhar as tarefas do dia antes disso depende da gravidade da situação e se você conta com familiares ou amigos que podem estar presentes enquanto você não chega. Embora seja difícil permanecer concentrada no trabalho nessa situação, é preciso levar em conta que você está desempenhando um papel na empresa – que conta com você naquele horário. Por isso, uma sugestão é ter um crédito de horas positivo para usar nesse tipo de situação.

– Antes mesmo de isso acontecer, converse com o chefe para explicar que gostaria de ter um banco de pelo menos oito horas para o caso de ter alguma emergência. Isso demonstra profissionalismo e tira sua culpa de sair mais cedo quando isso acontecer – afirma Janaína.

Em empresas onde o banco de horas não é possível, será preciso construir uma rede de apoio. Além de dividir as tarefas com o pai da criança, consulte familiares ou amigos dispostos a ajudá-la se os filhos precisarem de você durante o expediente.

Isso é assédio ou não?

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O chefe ou outro funcionário hierarquicamente acima de você está tentando usar do poder do cargo para tirar vantagens indevidas, ligadas a situações que fogem do trabalho? Você pode estar sendo vítima de assédio moral.

– É uma situação que inibe e fere emocionalmente quem está em posição inferior na hierarquia da empresa, especialmente quando o outro se sente ameaçado de perder o emprego – explica a coach Janaína.

Para definir se é mesmo assédio, identifique se a atitude é isolada ou se tem se tornado corriqueira.

– O assédio é caracterizado por ser um processo de perseguição deliberado e por atos repetitivos e prolongados. Não é uma única atitude que já pode definir que é um assédio. Tem de acontecer mais vezes – esclarece Yukiko.

Se você identificou as características acima, chame a pessoa para conversar. De forma educada e respeitosa, posicione-se afirmando o seu desconforto com a situação e que não deseja ser tratada dessa forma.

– Se essa conversa não resolver, procure o departamento de recursos humanos, a área de ouvidoria ou alguma instância neutra da empresa que possa ajudá-la – recomenda Yukiko.
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