Você sabe se vender bem? Dicas para fazer seu marketing pessoal

Foto: FreePics, reprodução
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A imagem que os outros têm de você é formada por fatores alheios à sua vontade. Alguns deles, porém, só dependem da maneira como você se expõe. Seja ao vivo ou online, pela forma de vestir ou de se comunicar, tudo contribui. E aí, para dar aquele gás na carreira, é preciso rever sua postura e começar a “se vender” da forma certa. E é bom deixar de lado agora mesmo qualquer preconceito em relação a esse tipo de comportamento por medo de parecer arrogante ou ambiciosa.

– Muitas pessoas veem isso como algo negativo, o que não é verdade. Fazer seu próprio marketing nada mais é do que salientar seus atributos e suas características positivas. E gerar resultados concretos, como acelerar a carreira – explica Stefan Ligocki, consultor de personal branding.

Não se trata de usar uma camiseta com os dizeres: “Sou boa no que faço”. Na verdade, você não tem que dizer às pessoas o quanto é competente, e sim mostrar.

As mulheres, aliás, estão cada vez mais interessadas nesse assunto. Confrarias femininas, eventos de networking e cursos de desenvolvimento profissional voltados só para elas estão cada vez mais em alta.
– A cada 10 alunos em uma turma, nove são mulheres, não só porque elas têm mais consciência do impacto do marketing pessoal no trabalho, mas também porque ainda encontram obstáculos no mercado e precisam se “provar” mais – destaca Ana Carolina Gismonti, consultora e sócia da NewMe Escola de Carreira, na Capital.

Primeiro passo: autoconhecimento

Quem é você? O que você faz de melhor? Parece básico, mas nem todo mundo se faz estas perguntas a sério. Antes de sair atirando para todos os lados, você precisa identificar seus talentos, suas habilidades e ter clareza de seus objetivos e valores, para então saber se divulgar melhor. Se não for desse jeito, ficará andando em círculos.

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– Não existe nenhum processo que funcione se não for baseado em quem a pessoa é de verdade, no que ela acredita. É sempre a partir da essência dela que se constroem ações e oportunidades para gerar marketing pessoal. Não adianta ir a um evento ou reunião se aquele ambiente ou conteúdo não for do seu perfil. Vai entrar e sair de lá sem gerar nenhum contato. Relacionamento é essencial – explica Ana.

Como funciona na prática

Se você é uma pessoa mais extrovertida e a comunicação é uma das suas habilidades, precisa usar isso em sua marca pessoal, ou seja, criar situações de trabalho e participar de projetos que permitam expor esta característica. Por exemplo: seu chefe precisa de um PPT criativo e “fora da caixa” para apresentar alguma nova ideia ao grande grupo? Esta é sua chance de se candidatar para a missão.

Já se a capacidade analítica é seu diferencial, coloque-se à disposição para participar de ações em que esta qualidade apareça. É expert em fórmulas de Excel e percebeu que o fluxo de trabalho coletivo pode melhorar com o implemento de uma simples planilha? Desenvolva uma proposta e apresente aos colegas ou ao coordenador, como sugestão.

Outra dica é pedir que amigos e familiares apontem três qualidades e três defeitos seus. Reúna as respostas em uma lista e avalie estes feedbacks sem contestar. É um grande aprendizado antes de dar os próximos passos.

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Ao vivo

Roupas

O autoconhecimento passa também por entender seu estilo e se adequar à área em que trabalha. Se a empresa não tiver um dress code formalizado, o que é cada vez mais raro, chegou a hora de pesquisar os códigos implícitos.

– Todos os elementos falam algo a seu respeito. A nossa imagem comunica por linhas, modelagens, texturas, cores, formas, padronagens. Que tipo de cliente você atende, como é a cultura e o ambiente da empresa, mais casual ou mais certinho? Observe como as outras pessoas se vestem e veja como seu estilo próprio se encaixa nesse padrão – indica Vandressa Pretto, consultora de imagem.

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Se seu ramo é mais criativo, por exemplo, você pode ser mais ousada nos looks. Invista em combinações de cores ou peças inusitadas ou customização – pega bem. Mas, se a empresa é mais formal, vale ser mais discreta: linhas mais retas e cores mais sóbrias dão credibilidade.

Na prática: olhe para a roupa em cima da cama ou no cabide antes de vestir e pense “Isso me representa?”. Se não me conhecesse, que imagem eu teria da pessoa que veste esse look? Cada cultura tem seus padrões. Faça um exercício: que imagem você tem na cabeça quando pensa em uma mulher empreendedora? Ou em uma supercriativa e comunicativa? Reserve um tempo para avaliar: você é mais contemporânea ou mais clássica? Essas respostas dão um norte para compor sua imagem.

Postura

Nos anos 1970, fez sucesso um livro chamado O Corpo Fala – A Linguagem Silenciosa da Comunicação Não-Verbal. E o tema continua mais atual do que nunca. Dar atenção aos sinais que o corpo emite (expressão facial, postura, gestos, variação vocal e adornos) facilita tanto na hora de buscar uma oportunidade de trabalho quanto de comunicar ao vivo e a cores no que você é bom.

Na prática: a treinadora em linguagem não verbal Luciana Schroeder, diretora da Luni Neurocomunicação, em Porto Alegre, elenca quatro itens a serem observados se você quiser deixar uma boa impressão em seu interlocutor.

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• Postura aberta: não esconda suas mãos, pois são indicadores de confiança. Sem braços cruzados ou bolsas e pastas à frente.

• Olhos nos olhos: geram um sentimento de conexão. Mas não exagere: manter o olho vidrado o tempo todo é ruim. De 60% a 70% do tempo é adequado.

• Sorria, mas não o tempo todo: cuide os excessos – mulheres costumam sorrir mais do que homens.

• Mãos em campanário: mãos em direção ao peito, pressionando as pontas dos dedos um no outro passam a ideia de autoconfiança em negociações ou entrevistas de emprego.

campanario

No trabalho

Networking

Atualmente, estão em alta os eventos direcionados de networking, onde você sempre tem a oportunidade de conhecer alguém e trocar contatos. Eventos específicos da sua área de atuação, como palestras, workshops, congressos, têm ganho duplo, pois ainda agregam conhecimento. Mas também acredite muito no velho e bom cafezinho.

– Procurar pessoas que tenham relação com sua área de trabalho ou que possam ser parceiros em algum projeto que está elaborando e marcar um papo é sempre uma ótima maneira de criar um contato que pode gerar um boa oportunidade – indica Ana Carolina Gismonti.

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Reuniões

Não é para ficar recitando currículo, exceto se estiver em uma entrevista. Mas é superválido colocar suas opiniões e percepções, ainda mais se elas forem baseadas em experiências e fatos vivenciados por você anteriormente. Isso dá credibilidade.

– Logicamente, precisa ser dosado, pois é preciso dar espaço aos demais para expor suas ideias e até de discordar de você. Então, exponha suas opiniões, mas também garanta estar atento e ouvindo os outros – aconselha Ana Gismonti.

Na prática: para colocar suas ideias sem parecer arrogante, dependendo do ambiente vale usar o formato de pergunta. Exemplo: “E se considerássemos este outro segmento como uma opção para esta análise?”. Assim não parece que você está impondo sua opinião, mas, sim, levantando possibilidades junto com os demais. Do mesmo jeito, para compartilhar uma experiência, ao invés de simplesmente sair contando sobre o episódio, vale dizer algo como: “Vivi algo parecido no meu trabalho anterior, se for interessante posso compartilhar com vocês, o que acham?”. Alerta: autoelogios soltos, sem contexto, podem ser mal interpretados.

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Na internet

O mais importante sobre marketing pessoal nas redes sociais não é o “quanto” postar, mas o “como”. E esse “como” começa pela escolha da rede social mais adequada para fazer o marketing pessoal.

Na prática: se você vai fazer marketing pessoal numa rede social, é fundamental destacar por que aquilo é tão relevante a ponto de levar você a comunicar para a sua rede de contatos.

– Não basta comunicar que ganhou o prêmio tal. É preciso explicar por que aquele prêmio é importante na sua área – destaca o consultor de marketing de conteúdo Stefan Ligocki.

LinkedIn

Se seu objetivo é destacar seus atributos profissionais, este é o espaço certo. É fundamental compartilhar conhecimento, divulgar conteúdo relevante, especialmente relacionado à sua área de atuação. Muita gente pensa, de forma equivocada, que o LinkedIn é apenas uma rede social para disponibilizar um CV online e, assim, facilitar a conquista de um novo emprego. O site serve para fazer networking, distribuir conteúdo relevante, compartilhar conhecimento, prospectar clientes e fazer negócios. Ao compartilhar novidades sobre um assunto da sua área por meio da publicação de um artigo, por exemplo, você está ressaltando seus atributos profissionais para o mercado.

Outras redes

Dependendo do seu segmento profissional, você pode até fazer marketing pessoal em redes sociais como o Facebook, o Instagram e o Twitter. Blogueiras, por exemplo, fazem isso de forma muito eficiente por meio da publicação de posts que geram engajamento em torno de suas marcas pessoais. Claro que qualquer um pode usar o Facebook e o Twitter para divulgar o que pensa, mas é essencial cuidar conteúdos de origem suspeita. Leia com atenção e cheque a fonte de notícias que você for comentar.
– Conheço vários casos de pessoas que compartilharam histórias falsas e conteúdos de mau gosto e arranharam a reputação nas redes sociais – pondera Stefan.

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