Ana Cardoso: “A pergunta que devemos nos fazer”

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Na última eleição, eu conhecia pessoalmente alguns candidatos. Cada vez que algum me pedia voto eu perguntava: por que devo votar em você? Quais as suas propostas? As respostas iam de “porque eu sou legal e você sabe” a “eu vou mudar tudo, quando eu entrar, descubro como”. Não se elegeram.

Política não é brincadeira. Nunca participei de centro estudantil, mas já fui síndica de prédio. Contemplar os interesses da maioria que te elegeu e da oposição, trabalhar no feriado e ter gente comentando a tua vida privada, mesmo que você nem tenha uma muito emocionante, requer motivações fortes. Motivações que vão além de poder e dinheiro. E se for só poder e dinheiro, você quer mesmo “ajudar” a pessoa nesse sonho?

Em minha cabeça passa o filme de um conhecido eleito. Eu lá pleiteando leis e soluções, e a pessoa com os ombros a balançar. “Bem, você sabe como são as coisas, o meu partido, blá-blá-blá.” Mais um motivo para votar em propostas e não em pessoas. Porque as propostas a gente pode e deve cobrar, sempre.

Com a internet, esse caminho está mais curto. Todos os candidatos têm sites com seus programas de governo (tanto executivos quanto legislativos). É muito simples ler e refletir se faz sentido para você ou para seu ideal de sociedade. Alguns me enchem de esperança, outros parecem não estar falando comigo, como aqueles garçons que só se dirigem ao homem da mesa.

Saber que o que importa para nós – de forma pragmática ou sistêmica – é o primeiro passo para não gastar a próxima década reclamando da política como se você não tivesse nada a ver com o resultado do pleito.

Se você é pobre e planta orgânicos, precisa votar em quem te proteja. Se utiliza o SUS ou tem filhos na escola pública, deve pesquisar o que pensam seus candidatos a respeito.

Quem é milionário tem preocupações distintas de quem não sabe como vai pagar o aluguel, é natural. O voto consciente é uma mistura do que acreditamos ser bom para nós com o que parece ser melhor para a sociedade. É utilitarista e ideológico, sempre.

Quais as origens da violência? A que serve a educação? Qual o papel da igreja no Estado? Alterações em impostos e previdência têm qual impacto na sua vida? Seu escolhido consegue defender suas ideias e argumentar num ambiente legislativo? Vai se abster em discussões mais polêmicas que lhe são caras?

Eu, mulher, mãe de duas meninas, com casa própria e sem plano de saúde, sei onde aperta o meu calo. E você?

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