Agora sou mãe: maternidade não tem manual prático

Aquela que faz parto humanizado, amamenta exclusivamente até o sexto mês e só dá alimentos orgânicos para seu filho é, certamente, uma boa mãe. A mulher que faz cesárea, não consegue amamentar, dá pizza e batata frita de vez em quando, também é. Afinal, quem tem coragem de descrever uma boa mãe?

Até quando as mães serão julgadas pelo tipo de parto, tempo (ou incapacidade) de amamentação, por compartilhar a cama vez ou outra, por pegar demais no colo ou deixar chorando? Ou por fazer o oposto de tudo o que eu disse?

Fico chocada pela facilidade com que algumas pessoas manifestam suas opiniões, melhor, expressam suas ofensas sem o menor conhecimento da vida alheia. Vejo isso principalmente nas redes sociais.

A Fulana fez cesárea e não conseguiu amamentar porque é “preguiçosa, covarde, egoísta, medrosa, irresponsável, não estava pronta para ser mãe”. Dizem coisas sem qualquer escrúpulo ou compaixão, muitas vezes sem conhecer a situação e sem pensar nos danos que pode ter causado a essa mulher.

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Onde foi parar a sensatez, o respeito e a capacidade de se colocar no lugar do outro? Com certeza esses são valores que eu quero ensinar para o meu filho, fruto de uma linda cesárea, após tentativa de parto normal.

Ao meu ver, há uma inversão de valores na maternidade. O nascimento é importante e mágico, mas ainda assim é apenas o começo. Será que a escolha pela modalidade do parto não está supervalorizada? Lógico que a mulher deve tomar todos os cuidados para manter sua plena integridade e a do bebê, bem como espera-se que o médico não imponha nenhuma condição, agindo com ética e profissionalismo. Mas acho que decisão da mãe precisa ser respeitada e tenho a impressão de que fatores mais relevantes não sejam tão comentados ou recebam a mesma importância.

Pouco vejo pessoas discutindo sobre a importância de cumprir o que se fala, ser um exemplo, uma pessoa correta e honesta, saber dizer não e impor limites com respeito, valorizar a família e ser um bom cidadão.

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Deve ser porque é muito mais fácil se afirmar como boa mãe ou pai através de fatores que a gente acha que tem total controle_ como as pequenas decisões sobre o cotidiano do bebê _ do que encarar nossos próprios defeitos e tentar ser uma pessoa melhor.

Uma coisa é certa. Assim como na vida, a maternidade não tem manual. Então por que tentar padronizá-la? A graça está justamente na diversidade. Tantas culturas, religiões, meios sociais. Se somos todos diferentes, por que criar nossos filhos de forma igual?

Termino deixando uma reflexão. O que você deseja para o seu filho nos próximos 10 ou 15 anos? Será que estamos direcionando nossos esforços de forma correta para alcançar esses objetivos?

Se queremos formar pessoas melhores, que tal começar pela gente?

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