‘Ainda existe algum meio de reconquistar a confiança e o amor dele?’

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Fabrício Carpinejar
Fabrício Carpinejar Foto: Ricardo Wolffenbüttel

“Estava morando com meu ex-namorado, com quem tenho um filho de menos de um ano. Nos separamos há alguns meses, e eu não deixei de amá-lo. Nos magoamos muito nessa separação. Não houve traição, não houve briga, foi por causa da família dele. Ele não tem outra pessoa, eu também não. Mas ele está relutante. Disse que não quer voltar, pois está muito magoado. Sendo assim, será que ainda existe algum meio de reconquistar a confiança e o amor dele? Obrigada, Angélica”

Querida Angélica!

Mulher tem o costume de conversar o que incomoda na relação com suas amigas. Seu amor é pedagógico: vê com clareza as preocupações e paga o desconforto em dia. Não atrasa as contas do afeto. No casamento, fala diretamente com o sujeito aquilo que pressente, o que sente e o que teme. Com naturalidade. Não subestima sua intuição, chega a reconhecer que seu medo é um fato (às vezes é). Se acha que seu namorado está traindo, diz que está traindo mesmo sem provas.

Já o homem, engole as contrariedades. Fala evasivamente com os colegas, não explica direito suas mágoas para esposa. Nunca revela o seu descontentamento. Adia as dívidas, que se acumulam até a hipoteca da relação. O sujeito, quando toma a dianteira para discutir o relacionamento, é para terminar, jamais para encontrar uma solução. A gota d’água é colírio masculino.

O homem raramente acaba sem preparar uma segunda vida. Ainda mais quando tem um filho envolvido. É uma saída de casa difícil e traumática, só admitida quando nasce uma outra paixão.

Ele aceitaria a reconciliação se fossem somente os desentendimentos e provocações da separação. Quando amamos, a memória é o nosso desejo e esquecemos o que nos machuca.

Ele está relutante porque deve ter encontrado uma segunda namorada. Não apresenta a atual companhia para não gerar ciúme e represálias. Nem digo que foi infidelidade, mas interesse que coincidiu e cresceu com o aumento das discussões do divórcio. Pulou fora após arrumar o bote salva-vidas.

Somos maternais com o passado. Para sair de um casamento, só por um novo casamento.

Existe um plano B que você não conhece e não desconfiou. Ele não entra em contato, não procura, não sofre recaídas sexuais, não incomoda com mensagens e torpedos. A independência dele é estranha. Jura que ficaria no seco durante esse tempo e, na ausência de um caso, não lhe procuraria pela intimidade e cumplicidade amorosa?

Não é que permaneceu quieto pelo luto, por ter sofrido ou para se recuperar dos dissabores da convivência recente. Calou-se porque encontrou uma felicidade longe de você.

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