Amor sensorial: quando desenvolvemos o cheiro do casal | Pedro Jansen

Outro dia falava com uma amiga sobre como eu tinha certeza absoluta de que namoro a guria mais espetacular de Porto Alegre. Sempre afeito a hipérboles e exageros, comentei com ela que “quando acordamos, até o bafinho dela cheira a pétalas de rosa”. Ela riu junto comigo, concordou com o espetáculo da moça e completou: “É amor, maninho”.

“Eu acho tão incrível que quando tu ama alguém, vocês têm um cheiro do casal. Com cada pessoa é um cheiro e um gosto. É tipo uma receita: combina tu e ela e dá aquele cheiro e aquele gosto que não vai mais existir em nenhum lugar”. Eu não poderia concordar mais. Não porque eu seja um apaixonado bobalhão que procura faíscas de poesia por todo lado, mas porque todas as vezes em que acordo com os cabelos dela espalhados pelos meus travesseiros é inevitável. A mesma coisa acontece quando a gente sai pra passear de mãos dadas. Eu cheiro a rua, os cachorros que passam por perto, o carrinho de pipoca. Mas ao nosso redor, intransponível e impenetrável, lá está a redoma que a nossa relação cria.

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E a gente fala de cheiro e gosto porque o sensorial é tão mais apelativo, né? Chega a ser injusto. A verdade é que isso acontece em muitas outras “instâncias” que fazem acontecer um relacionamento. Está nas frases completadas, nas vontades antecipadas, nas transmissões de pensamento que te fazem acreditar que a telepatia de fato existe… Mas o sensorial é tão mais apelativo que não há como fugir: sentimos um gosto e um cheiro quando somos dois (ou mais de dois, que o poliamor tá aí e não tá prosa) e é esse gosto e esse cheiro que entregam o mais íntimo de uma relação.

Tanto que, quando as coisas começam a acabar – e como tudo no universo, os relacionamentos também passam por isso, um momento ou outro – é de imediato que sejam esses dois fatores que entreguem tanto que o fim de fato chegou. A saliva combinada não tem o mesmo sabor, o cheiro dos passeios feitos juntos dá lugar a outras fragrâncias e tudo entre o par parece que nunca mais será o mesmo. O que pode ser real, mas nem sempre acabar no fim. Há ainda a chance de se reinventar, tentar de novo, fazer novas combinações. A alquimia da delícia a dois. Os cheiros e gostos serão outros, mas quem liga?

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