Ana Cardoso: “Mães não deveriam ser descartadas em seus trabalhos após a licença-maternidade!”

Foto: Pexels
Foto: Pexels

Quando uma mãe decide parar de trabalhar para cuidar dos filhos é uma situação. Quando é demitida, o sentimento é um bocado diferente. A gente fica sem chão. Com uma mão na frente, outra atrás e um bebê pendurado no peito. E, nessas horas, o que a gente faz com a frustração, a tristeza e a impotência?
A gente vive esse luto – de ter nosso dinheiro, nossa autonomia e liberdade – tendo que oferecer amor e paciência em doses cavalares. É um paradoxo.

Casamento é acordo. É consenso. Tem que ser bom para os dois lados. Aí, é amor também. Se não, é outra coisa. Ao engravidar, a mulher precisa conversar sobre a possibilidade de perder o emprego.
Metade das mulheres é demitida ao voltar da licença-maternidade. Durante a gravidez, muitas trabalham mais pesado para demonstrar que são capazes. Nem sempre essa técnica garante a carteira. Mães não deveriam ser descartadas.

Dizem que, quando esperamos que alguém realize um trabalho, devemos chamar alguém bem ocupado, que costuma dar conta do recado. Quer alguém mais ocupado que uma mãe?

Nenhuma faculdade de Direito ensina defesa e argumentação como a parentalidade. Fazer acordos, acusar (um coleguinha que morde) sem ofender, defender de bullying seu pimpolho, outra criança, a professora ou a si própria de acusações falsas são o dia a dia de qualquer ser que se tornou mãe. Pesquisas da Universidade de Londres demonstraram que desenvolvemos a criatividade, o relacionamento interpessoal e o controle das emoções de forma inexorável.

Algumas empresas finalmente parecem estar despertando para isso. De tanto as feministas (sempre nós) reclamarem, há iniciativas surgindo como projetos que oferecem empregos apenas a mães que estão fora do mercado há mais de dois anos. Há também bancos de currículos só de mães para empresas amigas.
Se você tem uma empresa ou trabalha no RH, considere isso nas próximas vagas. Lembre-se que mães felizes e equilibradas criam filhos saudáveis e seguros. Assim, quem ganha com esta contratação não é só a sua empresa, mas também as futuras gerações.

Leia mais colunas da Ana:
:: Ana Cardoso: “Que tal nós, mulheres, pararmos de nos diminuir em público?”

Leia mais
Comente

Hot no Donna