Ana Cardoso: “Menos noivas irreais e mais beijos de amor verdadeiro”

Foto: Pexels
Foto: Pexels

Valéria, às vésperas de trocar alianças, fez uma dieta severa. Perdeu 10 quilos em dois meses. Todo dia postava fotos de omeletes de cenouras com alho-poró nas redes sociais. Para as amigas, era divertido e inspirador ver tanta foto – e receita – de comida gostosa e saudável. No dia do festerê estava elegante. Passados alguns meses, engordou 20 quilos.

Esta história te soa familiar, corriqueira? Talvez essa te perturbe então: você sabia que, no afã de “casar magra”, tem moça que se interna em clínicas e passa alguns dias tomando medicação por meio de uma sonda no nariz? A sonda goteja o dia todo, eliminando a fome. Você simula que está em coma, seu estômago se retrai, você ingere pouquíssimas calorias e emagrece.

Há magras que fazem lipo e outras cirurgias. No Instagram, há diversos perfis de musas do emagrecimento rápido.

Na rua das noivas em São Paulo, endereço certo de noivinhas de todas as querências, as moças chegam nervosas, acompanhadas da mãe ou de alguma madrinha mais participativa, sempre em jejum e entoando mantras “vou encontrar” e “vai ser um vestido bem em conta”.

A noiva entra na loja, separa uns vestidos e, quando sai do provador, tem tapete, música e até padre para celebrar o matrimônio. Escolhido o vestido, as vendedoras calculam o potencial de emagrecimento da cliente antes de falar sobre os ajustes até o dia D. Não mexem antes para não correr o risco de perder o vestido ou ter retrabalho. Tudo é custo.

Vida de noiva é fazer conta.

Se um docinho custa R$ 10 para fins de aniversário, na tabela do matrimônio ele dispara para R$ 30. A mesma matemática se aplica para o aluguel do local, a contratação de serviços e respirar: tudo torna-se mais difícil e pesado. O investimento é alto, em todos os sentidos.

“É desesperador, você vai botando os gastos na planilha e quer desistir de tudo. Eu viveria uns cinco anos esbanjando com aquela grana que meus pais gastaram. Era o sonho deles, eu respeitei, mas cada vez que me aperto, penso naquela orgia financeira”, conta Raphaela, que na ocasião torrou 10 quilos com uma reeducação alimentar que, ao menos, durou dois anos.

Este texto não é uma crítica, apenas um alerta: menos noivas irreais e mais beijos de amor verdadeiro, por favor.

Leia mais colunas da Ana: 
:: Ana Cardoso: “Perder a geladeira recém-paga é tristeza de levar os mais contidos a soluços sentidos”
:: Ana Cardoso: “No domingo, almoço é mero detalhe na rotina de uma família”
:: Ana Cardoso: “Protejo as minhas filhas. Quem não faria o mesmo em meu lugar?”
:: Ana Cardoso: “Ainda tem gente que tem pena de homem que se separa e não se casa de novo”

Leia mais
Comente

Hot no Donna