Carpinejar: Perigosa falta de palavras

Foto: Pexels, reprodução
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Não deixe que a outra pessoa imagine, imaginar não é conversar.

Imaginar é quando não há conversa. Imaginar é desistir da conversa.

Todas as vezes em que sofri na vida, desde a separação dos pais até namoros rompidos, foi em função de algo que não foi dito e tive que imaginar o que aconteceu de errado. Não recebi as informações para aliviar a minha dor, a minha dor permaneceu burra, forçada a deduzir as respostas. Uma dor bem informada para de sofrer pois entende melhor a realidade.

Poderia alcançar sozinho a solução do problema, mas jamais contaria com a confirmação de que pensei certo. O engano é preencher as lacunas com os próprios medos, é completar a história com os recalques.

Não deixe os seus filhos imaginarem o que vem dentro de seu silêncio, só vai atrapalhar a pureza da relação. Quem imagina é capaz de ir para outro caminho e depois será tarde e cansativo chamar de volta.

Não deixe que a sua esposa ou seu marido imagine o que está passando pelo seu coração, a angústia é não ser útil nem para ajudar.

Não subestime o entendimento de sua companhia. Não falar é menosprezar o conselho. Dramas aumentam com a incompreensão.

Seja didático, seja direto e diga com todas as palavras, ainda que sejam provisórias, para evitar desconfianças e suspeitas.

Quando alguém confessa “eu imagino”, desfaça a confusão enquanto é tempo.

Imaginar é solidão, intimidade vai além: é explicar o que estamos sentindo. O que estamos sentindo unicamente será verdade quando é partilhado. Versões não são verdades, são suposições. Por hipóteses, sacrificam-se relações honestas.

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