Carpinejar: “Posso fazer melhor” é uma frase com dois sentidos

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“Posso fazer melhor” é uma frase com dois sentidos.
Se você diz “posso fazer melhor”, quando erra e é criticado, representa culpa. Alguém apontou o vacilo e se viu questionado a se pronunciar. Não foi uma manifestação espontânea. Pretende apenas corrigir uma falha com a esperança, mas não significa que realmente queria ter feito melhor, é uma desculpa social, coletiva, para ser perdoado e seguir burocraticamente em frente. É um remorso por ser criticado pelos outros, uma vergonha engolida a seco, não traz revolução interior e impulso para se aperfeiçoar de verdade.

Se você diz “posso fazer melhor” quando acerta, daí é criatividade. Enxerga muito além do óbvio. Não houve pressão externa, e sim resolução de seus próprios pensamentos. Tem um nível de exigência e disciplina que não permite ser corrompido pelo elogio ou se facilitar pela bajulação. Sabe o que pode oferecer, é o quanto é acima ou abaixo de seu potencial. Alguns comentarão que está sendo perfeccionista, entretanto partilha uma noção de que acertar é estar em movimento, jamais comemorar uma vitória – as vitórias são momentâneas e parciais, à semelhança dos fiascos. Trata-se de um realista otimista, que vive se cobrando antes de ser cobrado. É filho da resiliência, de um rigoroso diagnóstico de suas vontades. Não se perturba com o não, e tampouco com um sim. O grande motivo de carreiras cortadas é a acomodação. Quando é dado só o que é solicitado, não mais, não o impossível.

Walt Disney, antes de fazer sucesso, faliu com o seu primeiro estúdio. Steve Jobs não completou a escola e foi expulso de sua própria empresa aos 30 anos. Michael Jordan terminou cortado da equipe de basquete de seu colégio por não corresponder às expectativas. Assim como Thomas Edison enfrentou a suposição de retardado.

Todos têm em comum a obstinação positiva. Não desanimaram com o julgamento exterior, já que se autoexaminavam com constância, e se dobraram em esforço para arcar com as suas ambições. Sussurravam para si “posso fazer melhor” mesmo quando atingiram a excelência depois. Não se acovardaram com as opiniões alheias. Não se intimidaram com os obstáculos e o medo externo da aprovação. Não engavetaram as suas ideias, pois se mantiveram fiéis às suas crenças e objetivos. Não mudaram de trajetória por quedas eventuais. Não recolheram os seus projetos e migraram para tarefas estáveis, seguras e menos pessoais.
“Posso fazer melhor” é sonhar. Quem fala isso para si mesmo, e nunca espera alguém de fora falar, jamais desiste.

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