Carpinejar: “Quem nunca desabafa, desaba. Quem nunca se abre, fecha-se para sempre”

Pexels
Pexels

Não é saudável represar as emoções. Elas confundem o raciocínio e você se precipita porque não aguenta mais acumular nenhum sentimento. Não há mais espaço para respirar no próprio quarto das ideias. Perde a paciência de se explicar e briga para acabar com o assunto.

Laços são cortados de modo inconsequente, estabilidade é destruída precocemente, relacionamentos quebram de vez pela falta da catarse. Você não é mais capaz de conversar pois há muito tempo não conversa sobre aquilo que está lhe incomodando. Desaprendeu a falar de tanto que se guardou e esperou o melhor momento.

As amizades são os anjos da guarda do amor. Sem um bom confidente, não há romance que fique de pé. Depende mesmo de alguém de fora, com uma perspectiva não viciada nos seus problemas, para entender o que vem acontecendo de errado e mudar as suas atitudes.

Só o amigo pode convencê-lo de que vem agindo torto. Ninguém mais. No calor do casamento ou do namoro, fará uma injustiça e ofenderá à toa.

Sem um amigo, a paixão não vinga. Distorcerá a realidade e será leviano com as suas impressões. De repente estará cobrando o que não é verdade, de repente o ciúme é a invenção de sua carência e insegurança, de repente transfere traumas e recalques antigos para situações inéditas, de repente não está conseguindo comunicar o que é importante, de repente o fim é orgulho bobo, de repente a tragédia é ressentimento inútil.

Desabafar é colocar tudo para fora das gavetas para reorganizar um por um dos pensamentos, para depois dobrar lentamente as roupas de suas convicções e arrumar o armário.

Não deve se descuidar da higiene emocional.

Quem nunca desabafa, desaba. Quem nunca se abre, fecha-se para sempre. Quem nunca se mostra, comete desatinos. Quem nunca partilha as dúvidas, explode com as certezas.

Não chegue para expor os seus tormentos de sangue quente na relação. Telefone para um colega leal e despeje os demônios. Encontre-se com ele num bar, chore como uma criança, beba como um adulto, em seguida chore o copo e beba as suas lágrimas, grite até acabar a voz e reaprender a ouvir de novo.
O amigo é o moderador das crises pessoais, o rascunho do casamento.

Leia mais colunas do Carpinejar:
:: Carpinejar: “A mãe não descartava os grãos de feijão feinhos. Ela colocava num saquinho pra plantar”
:: Carpinejar: “Na identidade, ninguém é bonito como no Instagram”
:: Carpinejar: “Hoje tenho sido lanterninha dos meus pais”
:: Carpinejar: Minha mãe não precisa de lugar no céu, ela levará a sua própria cadeirinha

Leia mais
Comente

Hot no Donna