Carpinejar: Relacionamento precisa de atitude

Pexels, reprodução
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Você pode ser uma abelha ou uma mosca no relacionamento.

A abelha busca o pólen, prepara longamente o mel do seu esforço, articula as asas em nome da colmeia, chega a esquecer de si pelo alvoroço da família, tem a euforia de passear acompanhada. Mesmo quando a vida não ajuda, trabalha a esperança. Não entrou num romance para esperar algo, mas para fazer. Não reclama à toa, partilha os seus dilemas procurando uma solução. A dúvida a inspira a perseguir novos jardins e explorar outras paisagens.

Por sua vez, a mosca namora ou casa já pensando no divórcio, já receosa do fracasso, já aguardando a confirmação de seus medos. Sempre tem razão, sempre replica expectativas desagradáveis. Quer provar que o seu par não presta, ainda que tenha que se privar da própria felicidade.

Ela sobrevoa sobras mortas e fica catando implicâncias superadas. Adota o ciúme para desqualificar, emprega a competição para constranger. Não avalia a sua alegria por aquilo que pode oferecer, mas por aquilo que pode receber. Não vai adiante nas adversidades, para no ar, fixa-se no passado. Revela o pior de sua companhia, desmerecendo os elogios e omitindo os avanços. Não cria o seu espaço, aproveita-se da personalidade alheia. Suga apenas a realidade de suas projeções, pois nenhuma mosca é capaz de morder ou mastigar os problemas.

A mosca finge que está tudo bem quando está mal, finge que está mal quando está tudo bem, não enfrenta a verdade, conversa fatiado, realizando muitas coisas paralelamente, isenta-se pela pressa dizendo que não é a melhor hora para mudar (nunca é a melhor hora), não coloca a sua companhia como prioridade, deixa o telefone tocar quando vê o nome, conserva uma atenção dispersiva, arruma pretextos para não se mexer, não pede desculpa porque não acredita no parceiro, arma-se de uma pendência no trabalho para manter a confortável inércia.

A mosca é egoísta, a abelha é solidária. A mosca é do contra, a abelha é a favor. A mosca é conformada, a abelha é curiosa. A mosca provoca enterros, a abelha apressa renascimentos. A mosca revira o lixo das contradições, a abelha organiza o caos e separa o útil do fútil. A mosca incomoda, a abelha incentiva. A mosca não defende ninguém, a abelha possui a ferroada para proteger quem ama. A mosca abandona, a abelha carrega.

Ambas voam. Mas só a abelha sobe alto no amor.

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