Carpinejar: “Separamos um bolinho do nosso casamento para a cerimônia nunca acabar”

Foto: Pexels
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Se num jantar em minha casa, uma visita, porventura, mexer no congelador, talvez para buscar uma cerveja gelada, jamais entenderá um pequeno embrulho na prateleira. Não são restos congelados de alcatra ou de frango, muito menos um queijo guardado.

É um doce, um doce de dois anos. Está lá há incríveis dois anos. Imóvel. É um doce da sorte. Um doce talismã da família. Só vamos comê-lo em uma situação de extrema crise, quando realmente apagarmos da memória a importância do amor.

Foi o que combinei com Beatriz, minha esposa. Se um dia você esquecer o quanto a amo, se um dia eu esquecer o quanto você me ama, dividiremos a pequena e heroica sobremesa para nos lembrar da força de nossa história e rirmos de mais um breve desentendimento.

O doce é um bem-casado que sobrou da festa de nosso casamento. Sobrou é força de expressão, salvamos da boca dos convidados. Beatriz, astutamente, colocou em meu bolso.
– Vamos roubar a nossa própria festa?

E roubamos um pedaço de nossa eternidade para depois. Separamos um bolinho das centenas que havia nas bandejas, polvilhado do açúcar da nossa paixão, para a cerimônia nunca acabar, nunca encerrar de verdade, nunca virar passado.

É um biscoito da sorte que guarda, simbolicamente, em suas finas massas envolvidas em chocolate, os votos que fizemos um para o outro naquela noite. Com aquele bem-casado na geladeira, estamos nos casando sempre.

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