Caso de novela: cor da pele e roupas definem caráter e conduta de alguém?

Foto: Reprodução/Globo
Foto: Reprodução/Globo

A veracidade do racismo na televisão fez com que eu quisesse falar sobre a visão que as outras pessoas têm em relação ao homem e mulher negros pobres. Afinal, cor de pele, origem e roupa definem nossa conduta?

Em todas as novelas da Globo, o racismo e o preconceito com classe social é ou já foi retratado.

Costumo acompanhar novelas com minha mãe. E, na última sexta, estávamos vendo Malhação, série teen com a qual estou extremamente satisfeita com a temporada atual. Esta é a melhor temporada que já assistimos da série justamente pelas abordagens dos temas tão reais, sem superficialidade ou medo. A forma que as questões são tratadas é linda e ao mesmo triste, por notarmos que nossa realidade está tão longe do que gostaríamos. Malhação fala sobre a força da mulher, a entrada do álcool na adolescência, rejeição, autismo, maternidade na adolescência, racismo e o preconceito de diversas formas. A linguagem usada é fácil e acredito que não abra espaço para interpretações muito absurdas.

A cena em questão que me chamou a atenção era sobre quando há algo de errado e ilícito, o negro é o primeiro (quase sempre único) a ser culpado pelo problema. O personagem Fio, interpretado por Lucas Penteado (foto acima) foi acusado de tráfico em uma festa na casa de uma menina rica com maioria branca.

O Fio sumiu???? (Foto: TV Globo)

Personagens Ellen e sua avó em “Malhação” | Foto: Reprodução/Globo

Já na novela das sete, Pega-Pega, o herdeiro de uma grande empresa por algum motivo teve que utilizar roupas simples e saiu para a rua de uma zona humilde sem documentos. Segundos depois, foi abordado por uma blitze policial e levado para a delegacia sem tempo de maiores explicações.

Mostrar o que se passa com as pessoas que sofrem preconceito é uma forma de educar e fazer com que o telespectador sinta a dor do personagem e consequentemente da pessoa real. Infelizmente casos como esses não são exclusivos da teledramaturgia. Ontem mesmo li um relato em uma rede social de que um aluno negro foi impedido de realizar a prova do Enem por motivo de atraso, pois minutos antes foi parado em uma blitze policial no bairro nobre que estava, já que o local de prova dele era próximo e demoraram para liberá-lo.

A determinação de comportamento dos negros impede de termos uma vida tranquila. O medo de sermos perseguidos e/ou rejeitados vive dentro da gente 24 horas por dia. Precisamos de afeto e respeito.

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