Celia Ribeiro: A evolução do almoço

Na evolução dos costumes, o tempo de comer foi também o da inclusão social e da cultura do homem

Sala de almoço de Claude Monet , no Museu Giverny , com coberta de mesa de porcelana Limòges , em amarelo e filete azul , combinando com os guardanapos
Sala de almoço de Claude Monet , no Museu Giverny , com coberta de mesa de porcelana Limòges , em amarelo e filete azul , combinando com os guardanapos Foto: reprodução

Brillat Savarin, o papa da gastronomia, escreveu que a diferença entre o ser humano e o animal, é que ambos se alimentam, mas só o homem sabe o que come, incorporando a comida aos sentimentos e experiências de vida. O exemplo nos dá Marcel Proust, autor das memórias do tempo perdido da sua infância, partindo da nostalgia da madeleine, o bolinho em forma de concha, que lhe trazia a lembrança de sua mãe.

Na evolução dos costumes, o tempo de comer foi também o da inclusão social e da cultura do homem. Seguindo o processo civilizatório, ele usava os dedos – até surgirem os talheres, cujo manuseio era como um prolongamento das mãos. Assim nasceram as boas maneiras.

Da necessidade vital da alimentação criou-se o hábito do almoço como a principal das cinco refeições diárias, realizado às 10 horas da manhã em função do hábito de dormir e levantar cedo que imperou até o final do século 19. Pouco a pouco, com o acesso da mulher ao mercado de trabalho, se começou a almoçar fora com serviço de bufê.

O almoço de executivos é um estágio específico de aproveitamento do tempo da refeição para a atividade profissional. O número de pratos foi reduzido. Saladas, grelhados e frutas têm a primazia nos cardápios, proporcionando praticidade e saúde. Bebidas de teor alcoólico que provocam sonolência não fazem parte desses almoços, em que se ampliam as relações profissionais em torno da mesa.

Também na família os almoços se modificam. São transferidos para sábados ou domingos, em cardápios mais elaborados e horários esticados, em que a preocupação maior é harmonizar comidas e vinhos, deixando a conversa rolar até o anoitecer.

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Muito elucidativo o quadro Vai Fazer O Quê?, do Fantástico, que exibiu a encenação de uma mãe que humilhava a filha em público. O que impressiona é a passividade das pessoas em volta, ainda que indignadas. É difícil intervir na relação de mãe e filhos menores, mas, no momento que a cena é pública, as intervenções são válidas.

Vi na lancheria de um shopping uma mãe destratando sua menina por ter derrubado sorvete na senhora ao lado. Falei que em vez de ela falar agressivamente com a menina, que não derrubou o sorvete de propósito, devia pedir desculpas à senhora, dando, pelo menos, um exemplo de boa educação. Foi até engraçado, porque ela seguiu zangada e no mesmo tom furioso pediu desculpas, me olhando com cara feia.

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Presentes devolvidos

“Recebi durante minha vida lindos presentes e, como agora vou me mudar para um apartamento menor, preciso reduzir o número de louças e objetos. Há coisas que não são do estilo de meus filhos e netos, então pensei em devolver para as pessoas que me presentearam. Será que vão se ofender?” LINA

Estas pessoas não têm como se ofender se você telefonar e disser a verdade. Diga que por muitos anos estes objetos lhe foram caros e lhe proporcionaram prazer. Por isso gostaria que seguissem valorizados. Faça depois um bonito cartão e mande entregar na residência das suas amigas.

Cumprimentar de pé

“Sou executivo e estou há uma semana numa empresa, onde há chance de progredir. Tenho dúvidas, diante de certas circunstâncias, de quais atitudes tomar: estou sentado com minha mulher e chega um homem conhecido que me estende a mão, devo levantar?” RAFAEL

Sim. O homem não levanta só para uma mulher, mas também para outro homem. Já sua mulher não se levanta, só sendo um senhor idoso ou que ela queira distinguir.

Sem retorno

“Dei de presente um xale a uma aniversariante. Entreguei o pacote ao chegar ao almoço e disse que havia sido tricotado por mim. Ela sequer abriu-o na hora e até hoje não me deu uma palavra. Pergunto se gostou?” HILDA

Coloca-se um cartão no pacote, pois é difícil para quem recebe um presente abri-lo na hora. Provavelmente, sua amiga se confundiu, mas mesmo assim poderia ter agradecido. Quando encontrá-la ou arrumando um pretexto para telefonar, pergunte se gostou.

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