Celia Ribeiro: Agenda de cardápios

Em vez de ficar puxando pela memória a cada vez que recebe convidados que já estiveram à sua mesa e qual o cardápio servido para não repetir o prato de resistência, melhor é ter uma agenda

Celia Ribeiro
Celia Ribeiro Foto: Divulgação

Em recente entrevista nas páginas amarelas da revista Veja, o governador Geraldo Alckmin declarou que foi na sua cidade natal, Pindamonhangaba, que aprendeu a chamar as pessoas como elas preferem ser tratadas. Por isso ele se refere à presidente Dilma como presidenta, ainda que o mais usado seja presidente, sem flexionar o gênero. Na diplomacia, uma mulher que exerce o cargo de embaixador é embaixadora, enquanto a mulher do embaixador é embaixatriz. Bom que, para mulher de presidente da República, governador e prefeito a palavra primeira-dama resolve a questão.

Tratar alguém pelo apelido num primeiro contato soa invasivo, ainda mais se for um senhor. É preferível optar pelo título – doutor, secretário, coronel e não coronel Betinho. Maioria dos apelidos bem aceitos tem sua origem no próprio nome, ainda na infância: Beto, Jango, Duda e o tão comum Zé, até como abreviação de José Luiz e outros nomes compostos. Homens públicos e empresários incorporam o apelido ao sobrenome e adotam o nome na sua certidão de nascimento só em documentos. Um apelido é democrático, aproxima as pessoas, mas pode não pegar, como o Gegê do presidente Getúlio Vargas.

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Vivemos na época da cozinha incorporada ao living, de donos de casa que gostam de cozinhar e colocar à disposição seu fogão para quem tenha o mesmo hobby. Em vez de ficar puxando pela memória a cada vez que recebe convidados que já estiveram à sua mesa e qual o cardápio servido para não repetir o prato de resistência, melhor é ter uma agenda. Nela incluindo a data e os participantes daquela reunião.

Também vale a pena anotar o cardápio e os participantes de um jantar para o qual fomos convidados – até para sentir quando está na hora de retribuir uma gentileza, sem oferecer o mesmo risoto de camarões e aspargos daquela anfitriã. E anotar a lembrancinha que a gente levou aos donos da casa: uma garrafa de vinho, bombons, flores, sachês para perfumar gavetas, chás etc.

Amigos que gostam de receber em casa, cada um colaborando com um prato de sua especialidade para o cardápio combinado previamente, podem pedir a receita em outra ocasião, desde que saibam que a amiga expert em alguns pratos não se importa de repassá-lo. Imagina alguém dominar só cinco receitas e ter de revelar os segredinhos do seu modo de fazer. É também uma delicadeza não preparar um desses trunfos da amiga quando recebê-la em sua casa.

A melhor maneira de organizar esta agenda é pela data, com dois tipos de chamada: “Na Minha Casa” e “Em Casa de Amigo”.

Quem já abandonou as agendas de papel pode adaptar a ideia para os seus arquivos virtuais.

Menu de um happy hour

A volta do veraneio é ideal para reunir um grupo de amigos em casa, com a sua colaboração no cardápio.

Bebidas? Espumante, cerveja, suco de frutas e água mineral com gelo e folha de hortelã na jarra.

No cardápio?

Mousse de salmão com maionese, salada de alface e tomate em tirinha. Sopa Vichyssoise gelada (batata,cebola alho poró, manteiga e caldo de galinha). Torradinhas para saborear com Guacamole (pasta de abacate), Quiche Lorraine, escondidinho de arroz com carne desfiada, em forminhas ao forno, sorvete e doces em calda.

Sobremesa? Sorvete, doces em calda, salada de frutas sem açúcar e nata batida.

Retribuição de gentilezas

“Fui hóspede de um casal amigo por uma semana. Ao comprar um presente para eles, lembrei-me que tinha visto um liquidificador muito antigo na cozinha e pensei em dar-lhes outro mais moderno. Mas, como se trata de um objeto de utilidade, achei que seria uma indireta sobre a minha observação e acabei dando quatro garrafas de espumante. Agi certo?” HENRIQUE

– Se você tem grande intimidade com o casal, poderia ter dado o liquificador, mas sua opção pelos espumantes foi bem mais elegante, desde que eles apreciem vinho. A idéia de um presente não íntimo recai em algo que às vezes a pessoa não compra para si e é recebido como um luxo que agrada.

Visita a recém-nascido

“É mais adequado visitar a nova mamãe na maternidade ou quando já estiver em casa com seu bebê? Como a mãe pode impedir que uma visita pegue o bebê do berço sem magoar a pessoa?” BERENICE

– É sempre melhor para a mãe receber as visitas na maternidade ou após duas semanas em casa, mas em visitas curtas. Quanto a retirar o bebê do berço, cabe às avós e pessoas muito íntimas da mãe. A presença bem à vista de um frasco de álcool gel para desinfetar as mãos já serve como indireta. A mãe dirá “ele acabou de mamar…” ao pedir que o bebê não seja pego no colo.

Macarrão com colher

“Não me sinto à vontade ao comer macarrão, pois não sei se é só com a colher, enrolando a massa em torno dela ou com garfo também”. RICHARD

Usa-se garfo e colher, jamais faca. A colher fica na mão esquerda como um anteparo para o garfo, onde é enrolado o talharim. Se os fios forem muito longos, parte-se com o próprio garfo. Comer massa só com a colher implica num malabarismo não aceito por italianos mais refinados.

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