Celia Ribeiro: dia a dia servindo Freud

Uma leal empregada de muitos anos pode ser preciosa fonte de informações para o biógrafo de uma personalidade

Celia Ribeiro
Celia Ribeiro Foto: Divulgação

Testemunha do que acontece no cotidiano de uma família, uma leal empregada de muitos anos pode ser preciosa fonte de informações para o biógrafo de uma personalidade. Assim aconteceu com Celeste Albaret, a empregada de Marcel Proust, e com a austríaca Paula Fichtl, governanta de Sigmund Freud. Além do depoimento gravado pelo psicanalista Detlef Berthelsen, autor de Dia a Dia com a Família Freud (Editora Civilização Brasileira), Paula também auxiliou na reconstituição da residência onde o pai da psicanálise mantinha seu consultório, em Viena. O local, na Rua Bergasse, foi mais tarde transformado em museu.

Paula conhecia bem a intimidade de Freud com a mulher, Martha, a cunhada Minna Bernays e a filha Anna Freud, que moravam com ele. Através do livro, fica-se sabendo da dedicação de Martha Freud, que ajudava o marido diariamente à hora do banho, e as pequenas preferências dele, que “…cobrava vinte e cinco dólares pela consulta e, por isso só gente rica era sua cliente”. A maioria dos ternos de Freud era de tweed inglês, impregnados de cheiro de charuto, que tinham de ser escovados diariamente. Com o mesmo cuidado, Paula Fichtl tirava o pó da coleção de figuras da antiguidade egípcia, grega e romana na mesa do consultório.

O “senhor professor” (herr professor) tinha como companhia permanente a cachorra Jofie, da raça chow chow, que ficava deitada junto da poltrona dele até durante as consultas. Paula dava toda atenção à cadela, compensando a antipatia de Martha pelo animal que seu marido adorava. Um dia, Freud chegou a dizer:

? Se Jofie manifesta desagrado por alguém que nos visita, pode estar certo que há alguma coisa errada com esta pessoa.

Referia-se ele ao instinto presente no ser humano?

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Gentileza de hóspede

“Um casal amigo convidou eu e minha mãe para uma semana na sua casa de praia. Nosso orçamento não é grande, mas não podemos chegar lá de mãos abanando. O que posso levar?” MARIA DA GRAÇA

– Um presente não se avalia pelo preço, mas pelo agrado que possa dar a uma pessoa. Se esse casal gosta de ler, escolham um bom livro. Outra sugestão bem recebida por todos é uma cesta com frutas de primeira qualidade ou um pote de doce caseiro de uma das frutas da estação. É tempo de pêssego na Vila Nova, em Porto Alegre.

Luxo na hospedagem

“Hospedei-me no apartamento de praia de uma prima, onde encontrei no banheiro desde escova e pasta de dentes até algodão, desodorante e um jogo completo de toalhas. Eu tinha levado tudo isso na minha bagagem para passar uma noite e fiquei indecisa se usava o que era oferecido”. SUZETE

– Escova, pasta de dentes e desodorante poderiam ser os seus. Se aproveitasse a toalha menor à sua disposição, teria demonstrado que tivera consciência do conforto oferecido e a consideração com os anfitriões, levando o básico do seu consumo pessoal. Afinal, era só por uma noite. Ao receber um convite para fim de semana, é importante perguntar se deve-se levar toalhas de banho e lençóis.

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