Celia Ribeiro: Downton Abbey aviva a lembrança de outro castelo inglês

As senhoras mais privilegiadas andavam de cadeirinha de arruar, carregadas por dois escravos
As senhoras mais privilegiadas andavam de cadeirinha de arruar, carregadas por dois escravos

Adorei o seriado Downton Abbey, que me avivou lembranças de um tour no final dos anos 1990, também numa propriedade rural da Inglaterra, com um belíssimo castelo Woburn Abbey. É próximo de Londres e propriedade hoje do 14º duque de Bedford. A surpresa quando chegamos ao castelo foi trocar o ônibus por uma van para percorrermos o zoológico, dividido em reinos de leões, tigres e outras feras. Entramos em seu cotidiano, vendo-os brincar com os filhotes enquanto macaquinhos subiam no teto transparente da van e as feras se aproximavam tranquilamente. Mas o motorista recomendou:

– Não confiem neles. Please, deixem as janelas fechadas.

Foi graças à escritora Nicole Milenaire, uma das primeiras mulheres a produzir seriados de televisão, que ocorreram reformas e mudanças na administração de Woburn Abbey. Ela filmava em Nova York Dick e a Duquesa quando achou um duque de verdade, Ian Russell – o 13º duque de Bedford – para fazer a promoção do seriado. Apaixonaram e Ian transformou-a em duquesa de verdade.

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Mas Woburn Abbey não pararia de me surpreender. Na porta de um dos dormitórios do castelo, li The Flying Duchess (A Duquesa Voadora). No grande quarto há um pequeno avião cercado por hélices, capacetes antigos, medalhas e fotos daquela que foi a mais diferenciada entre as duquesas: Mary Tribe. Ela conheceu o marido, Herbrand Russel, na Índia, durante a I Guerra Mundial (1914-1918) e, como em Downton Abbey, a 11ª duquesa de Bedford montou um hospital, no prédio da escola de equitação. Ela desapareceu, em 1937, num voo solitário na costa da Inglaterra.

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Woburn Abbey é uma lembrança especial para mim. O final do tour ocorre no porão do castelo, diante de uma mesa para 18 pessoas, três nas cabeceiras, brasão nas porcelanas e talheres de ouro (vermeil). Por isso, em 2003, quando titulava meu livro de crônicas de viagem, o amigo Liberato Vieira da Cunha sugeriu chamá-lo de A Duquesa Voadora.

ONTEM

Em setembro de 1835, pelo atraso na chegada ao sul do Brasil dos figurinos parisienses, as porto-alegrenses não acompanhavam a moda. Por isso, além de cumprir com a etiqueta – “senhoras sérias vestem-se de preto” -, em pleno verão iam à missa na catedral às quatro horas da manhã, acompanhadas de escravas, fugindo do calor. De 1836 a 1840, na Capital sitiada pelos governistas, elas economizavam ingredientes para cozinhar.

HOJE
A moda está diversificada e democratizada pelas confecções, com a comunicação imediata dos lançamentos. A mulher emancipou-se e se espreme em ônibus lotados, tratando de administrar a alta dos preços e economizar luz e água.

Etiqueta na prática

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Presente para debutante

A escolha da lembrança da festa de 15 anos estará de acordo – como sempre – com os interesses da guria e o valor disponível para o gasto. Um pingente de ouro, um anel de bijuteria fina (há lindas e delicadas com pedras coloridas em tons de esmeralda, rubi e safira), algum livro infanto-juvenil que possa ser indicado por outra jovem na mesma faixa etária da aniversariante.

Um presente fino e útil são cartões de visita brancos com o nome da debutante acompanhado de seus respectivos envelopes. Logo, logo a garota encontrará ocasião para usá-los como sua identificação nos pacotes de presente.

Na escada rolante

Ficar no centro do degrau da escada rolante impede o caminho daqueles que têm pressa e desejam usar os degraus para subir ou descer, enquanto a escada se move. A posição correta é ficar à direita, sem pisar na borda entre o degrau e o corrimão, que pode prender o pé. A esquerda fica então livre para os apressados. É preciso ter cuidado também ao pisar no degrau de entrada, ao nível ainda do solo, colocando o pé no meio do degrau que logo será formado, caso contrário o anterior ao se abrir nos empurra para frente, causando desequilíbrio.

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