Celia Ribeiro: É primavera (também) na terceira idade

E a velhice? Só o "estar aqui", vivenciando o presente, é motivo para detectar os momentos de bem-estar, o que também é felicidade

Foto: Berenice Goelzer

Astrid Fontenelle é uma excelente apresentadora, que vence, dia a dia, uma grave doença como o lúpus. Âncora do programa Saia Justa no canal GNT, Astrid tem três excelentes parceiras duas atrizes e uma jornalista que tratam de fatos atuais e problemas das diferentes etapas da vida. Recentemente elas falaram sobre o conceito de felicidade e surgiram estas conclusões.

Quem idealiza demais acaba não sendo feliz nunca, pois a felicidade é feita dos momentos em que a gente se sente feliz e da capacidade de ter projetos que causam felicidade. É como uma viagem que já se curte ao projetá-la.

E a velhice? Só o “estar aqui”, vivenciando o presente, é motivo para detectar os momentos de bem-estar, o que também é felicidade. Se as dores aparecem no corpo como andarilhos é porque se está aqui. Elas vão e voltam.

O velho também sente a chegada da primavera. Quando se percebe os primeiros perfumes lá vêm lembranças da juventude, a nostalgia que não é bem saudade para quem vive o presente, sem esquecer a trajetória percorrida.

É frequente uma pessoa de mais idade ser tratada por “tu” pelas vendedoras de loja. Houve um dia em que eu perguntei à simpática moça, porque ela fazia isto. Sabe o que respondeu com um largo sorriso?

? Eu fazia isto. Até o dia em que umas clientes me disseram que eu as estava deixando mais velhas ainda do que são. Mas se a senhora quiser, eu mudo”.

Já a caixa do cinema do shopping Moinhos, por via das dúvidas, perguntou se me vendia inteira ou meia-entrada. Eu ri e ela sorriu dizendo:

? Eu só queria deixá-la feliz.

Anfitriões na cozinha

A escritora Margaret Visser cita no livro O Ritual do Jantar um verso de uma canção popular dos ibôs (povo ao noroeste da Nigéria): “Coma até o fim, porque é de outra pessoa”. A moral deste dito africano é não deixar sobra no prato, porque foi preparada por alguém, que se sentirá rejeitado pensando que sua comida não agradou. É uma regra de etiqueta não deixar sobra no prato, em qualquer circunstância.

Mas nem sempre pode ser seguida, quando somos servidos ou a comida vem empratada (serviço inglês). O hábito dos anfitriões cozinharem para seus convidados motivou a planta de apartamentos com cozinha aberta à sala. Muitas são mais sofisticadas, cadeiras pretas ou vermelhas de acrílico em torno da mesa, contrastando com o branco do ambiente.

Não se vai deixar sobra no prato diante do cozinheiro, que está nos servindo. Mas cabe a este chef anfitrião sentar-se à mesa com seus parceiros de cardápio. Uma sugestão é, à hora de apagar o fogo, atar as alças da panela com guardanapo.

Hannah Arendt

O ótimo filme Hannah Arendt sobre a filósofa (1906 -1969) chamou atenção para a biografia Nos Passos de Hannah Arendt, escrita pela francesa Laure Adler (Editora Record). O ex-ministro Celso Lafer, hoje consultor jurídico e membro da Academia Brasileira de Letras, aos 20 anos foi aluno de Hannah na Universidade de Cornell (USA). Diante do visual descuidado do jovem brasileiro e o excelente currículo universitário, ela recomendou: “Não basta ser é preciso também parecer”. Assim se inclui sua filosofia no código visual e na etiqueta moderna.

Desencontros

Dividir seus parentes e amigos recebendo-os em diferentes ocasiões é necessidade, pautada pelo esquema do espaço disponível e o grupo reunido. Não cabem sentimentos de exclusão. Lembro uma saudosa amiga que diante do comentário “estranhei não te ver naquela festa”, respondeu:

? Não fui porque estava exausta. Não me senti bem. Mesmo, não fui convidada.

À francesa

No serviço à francesa, o garçom oferece a travessa à esquerda do cliente para ele se servir e retira o prato usado pela direita. Quando a comida já vem empratada é a mesma coisa. Se você é canhoto pode tranquilamente trocar o lado dos talheres – colher e facas passam para a esquerda e garfos à direita. Um bom maitre, ao observar o gesto do cliente, recomendará ao garçom que mude também o lado do serviço.

Preço justo

“Contratei uma costureira para fazer uma saia de flamenco. Ela cobrou um valor abaixo do que eu esperava, pois os babadinhos são bem trabalhosos. Quando encomendei a segunda saia, ela ficou em dúvida se mantinha o preço. Devo dar mais dinheiro à ela?” VERÔNICA

Quando a costureira demonstrou dúvida em manter o valor do seu trabalho, você poderia ter pedido que ela dissesse o preço que achava justo. Pergunte novamente à ela o valor justo e complete a quantia.

Namorada gay

Estamos juntas faz alguns anos, mas somos discretas e muita gente não sabe da relação. Qual o modo apropriado de apresentar minha namorada, pois não queremos ser tratadas só como amigas?” MARIA RITA

Da mesma forma como um par de namorados héteros apresenta a companheira (o): “Este é o Rafael”. O pronome determinativo já sugere que o Rafael é especial para esta pessoa. Maioria dos casais gays com relação assumida diz “meu companheiro Fulano”.

Encomenda descabida

“Uma amiga que tem um filho morando em Miami sempre me pede para levar encomendas. Na última vez apareceu com uma sacola de seis quilos, que acabei levando na mão. Quero dar um fim nisso, sem magoá-la. Como?”

Assim como ela se sentiu no direito de não lhe consultar, use de franqueza e peça que na próxima viagem ela especifique antes o que consta no pacote. Não se aceita encomenda sem saber o que contém. Você poderia ser franca, dizendo que tem pouca bagagem e pedindo que ela retirasse algumas coisas. E que, na próxima vez, avise do que se trata para você acomodar na mala: nada quebrável ou alimento (proibido pela justiça internacional).

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