Celia Ribeiro: é tempo de oferecer chá gelado

Ainda há noites frias, por isto começo comentando a concorrida palestra de Michel Bittencourt, realizada na semana passada na Tea Shop do Iguatemi, com a origem de uma das maneiras de se tomar chá quente. Nas antigas famílias brasileiras de origem portuguesa, havia o hábito do chá com leite, tanto no café da manhã quanto no chá da tarde e à noite. É um jeito europeu de degustar a bebida iniciado na Inglaterra, onde se servia o chá puro em xícara de fina porcelana, no five oclock tea. Ressabiados, no entanto, de ver as porcelanas trincadas pela bebida quente demais, os ingleses tiveram a ideia de colocar na mesa um pequeno bule com leite morno, agregado em pequena quantidade ao chá na xícara. Como um tempero; jamais leite com chá.

Para ilustrar que a erva é antibactericida foi contado que, após um dia de trabalho das gueixas, cumprindo o tradicional ritual numa casa de chá do Japão, elas aproveitavam as folhas de chá verde, após serem fervidas, como desinfetante para lavar o chão do salão.

A atual estação, com a proximidade das festas de final de ano e o verão, é ideal para se tomar chá gelado. Com a variedade de blends (misturas) são obtidos diferentes sabores, tanto de ervas (chá preto com chá verde é uma delas) quanto complementadas por especiarias (canela, cravo, laranja etc), fervidos juntos e coados em peneira fina. Ao apresentar numa jarra de vidro o chá com frutas ao natural (banana, pera e morango) cortadas como para clericot, mais pedras de gelo, o chá gelado é servido em copos altos. Já pensou uma mesa assim, em meio a frutas e flores? Mas a grande novidade que Michel Bittencourt reserva para as festas é o chá de Noel, de frutas vermelhas, colocando no copo um morango fresco. É um convite ao improviso e à criatividade.

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Temperando sobremesas

Marcelo Gonçalves, o Marcelo Patissiêr, participou do encontro em torno do chá, na Tea Shop, oferecendo miniporções de sobremesas para demonstrar o alcance de seu uso no preparo de doces e bolos. Numa grande bandeja foram servidas carolinas (poofs) recheadas de creme de confeiteiro ao qual foram agregadas folhas de chá do bosque, colocadas por três minutos em infusão em um pouco de água quente, sem ser fervida. As folhas são misturadas suavemente no creme e deixadas por três a cinco minutos antes de passar tudo por peneira fina. A recomendação do Patissiêr é não colocar muito líquido no creme, pode alterar o ponto certo do recheio. Ele fica rosado e perfumado. No creme brullé, é na calda ao redor que se coloca o chá com seu sabor identificável.

 

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Dumas conta em suas memórias que, sob o reinado de Henrique III, as toalhas de mesa de Florença, todas plissadas e frisadas, foram adotadas nos palácios franceses. E o uso da prataria chegou a ser tão exagerado que, para refreá-lo, houve necessidade de um decreto do rei Felipe, o Belo. Estas modas se refletem até hoje, sendo ainda são vistas as toalhas plissadas até o chão, quando a mesa principal é ocupada apenas um lado para que as pessoas fiquem de frente para todos. E as pratas? Os brilhos dos materiais de novas composições e leveza seguem como realce numa sala de jantar.

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“O grande luxo dos anfitriões romanos era apresentar vivos, aos convidados, os peixes que iam comer. Os de belas cores, como o dourado e a trilha, eram dispostos em mesas de mármore, onde morriam sob os olhares de todos, que acompanhavam com volúpia a degradação das cores provocada por sua agonia.” Quem descreve esse costume é o escritor Alexandre Dumas, pai. O livro se chama Memórias Gastronômicas, lançado no Brasil pela Jorge Zahar Editor. Ainda que seja uma obra de menor importância do que O Conde de Monte Cristo e Os Três Mosqueteiros, é muito interessante por suas narrativas bem-humoradas e a Pequena História da Culinária que inclui.

 

 

:: Etiqueta na prática

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Passeio com a afilhada

“Minha afilhadinha só sai comigo se for acompanhada por suas duas irmãs, de sete e 13 anos. Presenteio sempre a menininha e fico sem jeito de não dar nada para as outras. Acontece que está ficando dispendioso para mim. Como contornar a saia-justa?” ISABEL

– Você pode levar um pacote de balas para dividir entre as três meninas, durante o passeio ou para o cinema. Se as saídas com a menininha são frequentes, presenteá-la sempre é transformar o gesto em obrigação. Quanto a suas irmãs, têm idade suficiente para entender que, depois de uma vez, não dá para repetir sempre. Em geral, as mães recomendam às crianças que só o fato de passear já é presente.

Convite sem incluir as crianças

“Vamos comemorar com um jantar para 20 pessoas o aniversário de 50 anos de meu marido. Acontece que não quero que os convidados levem crianças. Como fazer o convite sem magoá-los?” NIDIA

– Se o convite for verbal, sabendo que o convidado tem filhos pequenos, seja franca e acrescente que infelizmente não haverá condições de incluir a criança. Por e-mail, escreva que o convite é restrito ao casal. Nos convites em papel sabe-se que, se no envelope for acrescentado “e família”, inclui os filhos. Senão, não.

Cumprimentar pessoas famosas

“Sou colecionadora de autógrafos e tenho mesmo um álbum. Como faço para falar com atores e atrizes de telenovelas e mesmos outros famosos das artes ao encontrá-los sem ser chata?” LILIAN

– Depende muito da ocasião. Se a pessoa não estiver afobada, pode pedir o autógrafo, mas, se ela estiver entrando num elevador ou fazendo check-in num aeroporto, aguarde ela sentar-se para fazer a abordagem. O que se torna desagradável é abraçá-la ou beijá-la. Basta dizer palavras amáveis, que sempre são bem-recebidas quando não se prolongam em uma tentativa de conversa.

 

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