Celia Ribeiro: em clima de dia das crianças, conheça as fichas de boas maneiras com bichinhos

Foto: Ricardo Duarte
Foto: Ricardo Duarte

Uma amiga me trouxe de Paris um raro presente pelo ineditismo da caixa, ao estilo das de fósforos, contendo fichas ilustradas com ensinamentos de boas maneiras às crianças. O autor e ilustrador do projeto desenvolvido em francês chama-se Marc Vidal. Nas fichas, aparecem um menino e uma menina vestidos com roupas contemporâneas convivendo com animais trajados num estilo mais tosco, para contrastar com os dois personagens. Trata-se de uma série de vinte fichas didáticas que fazem as vezes de uma história em quadrinhos, valendo também como informação aos pais de como ensinar suas crianças.


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Olha só as frases no diálogo entre o urso que faz a chamada telefônica e a menina que a recebe. Soa o telefone. Como os pais estão ausentes, o bicho humanizado pergunta se a menina pode anotar. Ela presta atenção, anota o número e o nome de quem chamou e repete para certificar-se se estão corretos. Em outra ficha, o assunto é final de refeição. O urso come com as crianças e a menina aparece saindo da sala. A recomendação é deixar os talheres lado a lado no prato e, antes de sair da mesa, pedir licença.

No verso das fichas há espaço para a criança anotar a data e o local onde praticou uma ou mais vezes a regrinha na ficha. Achei insólita esta recomendação, pois hoje mesmo uma criança francesa com educação mais tradicional do que as nossas dificilmente a cumpriria. Aos pais é sugerido, de acordo com as anotações do filho, que o presenteiem. Uma boa motivação é a primeira frase na ficha de apresentação: “As boas maneiras são a chave mágica que abre as portas do coração das pessoas. Se tu és bem-educada, todas as pessoas que encontrares têm bom motivo para gostarem de ti”. Mas para bem ensinar comportamento, em casa e na escola, bons exemplos contam muito.

Houve tempo em que o ser humano não tinha vergonha de sua nudez, a ponto de famílias saírem à rua, em direção às casas de banho, quase nuas. À medida que o processo civilizatório foi evoluindo, na Idade Média (395 -1453), surgia mais privacidade e dormir foi se tornando ato privado. O quarto, onde eram recebidas visitas e os serviçais podiam descansar com os patrões, deixou de ser ambiente social. Norbert Elias também ressalta que não havia pudor em fazer necessidades físicas à vista dos outros. O recato se estendeu às boas maneiras, coincidindo com a chegada do garfo à Europa.

Na medida em que o corpo deixava de ser exposto e as pessoas usavam camisolões em vez de dormirem nuas, a arte passou a ser idealizada pela nudez das figuras esculpidas ou pintadas, produzindo nos observadores uma “imagem onírica” de desejos não realizados. Após o período em que as lingeries começaram a aparecer no cinema, no final dos anos 1920, realçando o corpo feminino e o erotismo, surge no século 21 o conforto maior do colchão da cama e na roupa de dormir. Em vez de camisola, as jovens preferem short e camiseta, em sintonia com o esporte e a academia, num reflexo da liberação feminina.

Etiqueta na prática

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Indiscrição nas eleições

“Senti-me chocado nessas eleições com o número de pessoas que ficam insistindo em querer saber em quem vamos votar. Será que não têm desconfiômetro de que estão cometendo uma indiscrição?” João

– Há uma propaganda veiculada nessas eleições bem elucidativa, mostrando a aflição do eleitor que recebeu de seu patrão a imposição que votasse num candidato amigo seu. O voto é secreto, sim. Ninguém tem de dar satisfações de suas escolhas. Há famílias, mesmo de políticos, em que os afetos priorizam diferentes ideologias entre pais e filhos, respeitando-as à hora de confraternizar em torno da mesa do almoço de domingo.

Troca de nomes nas mesas

“Fico admirada como há pessoas que reclamam dos anfitriões das festas quando não é de seu agrado a mesa que lhe foi marcada, trocando (quando chega cedo ao local) o seu cartão nominal com o de uma pessoa de outra mesa, para ficar entre convidados de sua preferência.” ROSANE

– Não é raro tais fatos acontecerem em eventos com card places nas mesas. Uma festa começa sempre pela lista de convidados que pode sofrer alterações diante do limite do número de pessoas que o espaço permite. É comum haver substituições e mesmo cortes. Por isso a participação numa festa é recebida como uma deferência e um convidado se quiser trocar o lugar por algum motivo sério, deve antes procurar o cerimonialista.

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