Celia Ribeiro: etiqueta em teatros pede que se evite ruídos

Neste tempo de frio e chuva ouve-se muita gente tossindo nos cinemas e no teatro. Uma boa precaução para não perturbar o público e os atores no palco é levar pastilhas de hortelã e balas de guaco e de mel para consumir na plateia. Mas diante de uma tosse incontrolável, melhor ficar em casa se medicando. São os concertos de música erudita os mais prejudicados. O pianista Arnaldo Cohen me deu uma entrevista numa das tantas vezes que esteve em Porto Alegre, e falou neste assunto.

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A tosse é uma reação inevitável, mas há limites para um intérprete suportá-la durante um concerto. Certa vez, em São Paulo, Arnaldo enfrentou uma senhora na terceira fila da plateia acometida por um acesso de tosse, enquanto ele tocava uma suave melodia. Como o ruído não cessava, o pianista retirou as mãos do teclado, voltou-se para a plateia e pediu com delicadeza que a senhora saísse do teatro, pois certamente lá fora se sentiria melhor. Ela seguiu o conselho e ele recomeçou.

Todos os artistas têm histórias assim para contar. Ninguém esquece o celular ligado de propósito, ainda mais se tratando de uma plateia de música erudita. Este problema está sendo sanado, graças aos lembretes dados antes do início dos espetáculos. Assisti no Theatro São Pedro faz alguns anos um episódio envolvendo o próprio Arnaldo Cohen que marcou época diante da plateia que lotava o teatro.

Foi durante o segundo movimento do concerto de Schumann que se ouviu, o soar de uma chamada de celular com os acordes de conhecida musica de Mozart. Como o ruído continuava (a pessoa certamente era surda), o pianista e a OSPA pararam de tocar, e Arnaldo Cohen virou-se para a plateia na direção do camarote de onde vinha o som do celular e falou sorridente:

– Por favor, atenda o celular. Para mim não é, estou trabalhando.

Todo mundo riu e ele foi aplaudidíssimo, também naquele instante.

 

* Foto: Julio Cavalheiro, Banco de Dados

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