Celia Ribeiro: A feliz infância vivida por Marcelo Rubens Paiva

Li agora o novo livro do escritor e memorialista Marcelo Rubens Paiva – Ainda Estou Aqui -, em que o escritor detém-se em sua mãe, Eunice Paiva. Ela foi uma mulher corajosa, que terminou de criar cinco filhos menores, quando o marido Rubens Paiva, em 1971, foi preso e morto por agentes da ditadura. Marcelo conta que a mãe era exigente nos bons modos. Recomendou ao filho ainda adolescente que dançasse com a menina que o convidara para sua festa de 15 anos. Mesmo sem conhecê-la? Sim, seria sinal de boa educação. Marcelo conversava com uma turma de rapazes e, ao ver a mocinha por perto, largou os amigos e tirou-a para dançar. Os dois não deram uma palavra. Ao terminar a música, ela pediu licença e os amigos fizeram troça dele.

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O livro é muito bem escrito, dando uma ideia às novas gerações dos costumes dos anos 1970, quando já não se usava mais a regrinha de dançar com a aniversariante. Por isso também os amigos acharam graça do gesto de Marcelo.

O filósofo inglês Thomas Hobbes (1588 – 1679) chamou atenção em sua obra mais importante, Leviatã, para o fato de o valor das boas maneiras não estar só em saber saudar de forma correta, mas ajudar para que os homens vivam em paz. Isso significa respeitar os direitos do próximo, o que não vem sendo praticado em geral.

A grande maioria das altas lideranças no comando do Brasil está dando maus exemplos. Mas isso não significa que eles não saibam se portar num banquete, ainda que sejam desonestos. E aqui reside justamente a diferença entre etiqueta e ética: esta tratando das qualidades e da falta de caráter, e a primeira do trato social através dos gestos.

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A Fashion Rio, semana de moda prevista para ser realizada em novembro, foi suspensa devido à crise econômica no país. Será transferida para 2016, completamente reestruturada como um evento multicultural, com a liderança da moda na programação que incluirá outros segmentos criativos. Provavelmente, abrigará também arte e arquitetura, com tantos aspectos que acompanham a moda, como estilo e cores.

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Raf Simons, o atual estilista da maison Dior, que apareceu no filme Dior e Eu, uma lição do que significa hoje um estilista à testa de uma grande empresa, não desenha seus modelos (Christian Dior era pintor e desenhava os primorosos croquis de seus modelos). Raf tem dois colaboradores diretos, e um é desenhista. Ele diz o que deseja em linhas gerais e a equipe – a modelista trabalhou com Dior – de cada um com função específica executa os modelos em tela para Raf Simons analisar. Ele faz os reparos, corrige alguma coisa e pronto.

Etiqueta na prática

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Quando telefonar aproxima mais

O e-mail é ótimo meio de comunicação para uma mensagem que envolva datas, agradecimentos ou um pedido de desculpas que seja difícil de fazer à viva voz. Tem a vantagem de seu destinatário informar-se quando abre o computador ou examina o celular. Muitas vezes, telefona-se em horários impróprios, o celular só recebe recados, mas, em tese, cumprimentar por telefone aproxima mais as duas pessoas. Há a inflexão da voz, que ameniza a frase escrita: “Infelizmente, não vou poder ir a tua festa”. O tom que a pessoa usa ao falar a frase agrega seu pesar por não comparecer.

Quando a conversa flui

Numa sala divertida, em que os cálices contam com o espumante atentamente preenchido, a conversa vai longe, com cada um contando uma história. Pode acontecer de em outra ponta da sala alguém não ouvir a historinha de quem está falando e engrenar um “pois comigo foi assim…”, dispersando as atenções de quem falou primeiro. O jornalista americano Henry Alford, colunista de boas maneiras do New York Times, recomenda que se ouça até o fim o que o outro está contando, pois “conversa não é competição”.

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