Celia Ribeiro: Harmonização entre chá e alimento

Assim como o vinho, o chá também tem suas regrinhas de degustação

Foto: Adriana Franciosi

Ao entrar no espaço da Porto a Porto para uma degustação de chás, diante de uma série de cálices com o líquido de diferentes tons, percebi elementos em comum entre a planta do chá e a uva. O tipo do chá, assim como o vinho, depende do terreno de plantio (terroir). Nas mesinhas para degustação, havia potinhos com ervas e taças para a prova de chá verde, negro, em tons castanhos até o ouro e branco servidos em bules. Também há sommelier de chá, como o chileno Cristian Pastene, que ilustrou sua palestra com os chás importados Dilmah.

O verdadeiro chá é da árvore camellia sinensis, já consumido há 5 mil anos. Só após o sexto ano de plantio, a árvore é podada para o aproveitamento de suas folhas. Às mulheres incumbidas da tarefa é vedado ingerir alimentos com temperos fortes, que poderiam contaminar as folhas para serem prensadas e fermentadas. Índia, China, Japão, Sri Lanka, Quênia e outros países asiáticos são grandes produtores. Apesar do solo favorável à camellia sinensis, plantada no Jardim Botânico do Rio, com mudas trazidas por D. João VI, o Brasil dedica-se mais ao chá por infusão (camomila, cidró etc).

Um tipo de chá pode ter, como o café, diferentes blends, mediante mistura com frutas, e o próprio terroir. Assim como o vinho, pode ser harmonizado com alimentos. O chá verde gelado combina com sushi e patê de foie gras. Nunca se agrega leite ao servi-lo quente. O chá verde pode ser tira-gosto, num copinho pequeno, entre a salada e o prato principal.

O chá negro é o que mais favorece a avaliação de qualidade e se harmoniza com mousse e chocolate. O chá mais valorizado e de maior custo, no entanto, é o branco, feito com o broto do arbusto da camellia sinensis.

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Ainda sobre chá…

Faz parte da lição do sommelier do chá ferver a água só uma vez antes de vertê-la logo na erva ou no sachê em que está contida. Sachê de tecido transparente é o de melhor qualidade; um luxo. A água com a qual se prepara o chá não deve conter alto percentual de minerais e cálcio, que contaminam o sabor final.

A proporção para uma xícara é 250ml de água fervente para duas colheres de sobremesa de chá. O tempo de infusão é de dois a três minutos para o chá verde, três a cinco minutos para o chá negro e um minuto para o branco.

O verdadeiro apreciador não bebe chá com açúcar. Chá com leite, hábito difundido no Brasil pelos portugueses, toma-se exclusivamente com os chás escuros, acrescentando o leite também quente depois do chá na xícara.

Assim como se faz com o vinho, aspira-se o aroma do chá. O sommelier recomenda fungar antes de aspirar um chá, grave pecado contra a etiqueta se for durante uma reunião social.

Fica bom o talharim fervido em água com chá verde. Também é bom o chá feito com a água na qual foi imerso por 24 horas no refrigerador, um morango natural, criando um novo blend.

As máximas de Gloria Kalil

A consultora paulista de moda e etiqueta realizou, faz pouco, uma palestra, em Porto Alegre, promovida por Luxo Brasil, no salão de festas do União. Gloria Kalil cita, como definição oficial de luxo, um modo de vida com consumo de supérfluos.

Luxo é não se decepcionar com amigos e dispor de tempo para curtir aquilo que se gosta, sem ser essencial. Para muita gente o luxo tem de passar pela exclusividade e a raridade daquilo que se adquire. Uma bolsa Hermès, por exemplo, não é exclusiva. Seu luxo é a qualidade da mão de obra que exige dois meses para ser executada por artesãos. Mas nada é mais luxuoso do que a gente se sentir bem em todas as situações.

A escolha adequada de uma roupa de acordo com o estilo próprio é um luxo. A moda atual, graças aos grandes magazines, se pulveriza a todas as necessidades de um estilo. Dois vestidos iguais ficam diferentes de acordo com o tipo físico e o estilo de cada uma das mulheres. Oscar Wilde já dizia: “Só as pessoas artificiais não julgam os outros pela aparência”, pois o visual reflete o conhecimento de si mesmo e a informação.

Lembrancinha personalizada

“Vou me aposentar e mudar de cidade e quero presentear minhas ex-colegas, amigas que acompanharam minha trajetória profissional, com uma pequena lembrança. Só não sei o que poderia ser”. VIVIAN

Quem sabe uma xícara ou um pratinho para copo pintado à mão, com uma flor e as iniciais de quem receberá a lembrança? Existe em Porto Alegre uma associação de pintores em porcelana que recebem encomendas para presentes personalizados. E-mail: agapa.pintura@gmail.com ou Tel. 3343.8225.

Visual para palestra

“Como frequentador de congressos e palestras, me surpreende, quando faz calor, o traje de alguns jovens na plateia. Os rapazes vão até de camiseta e bermudão com chinelo de dedo, e as meninas, de short e minissaia. Como se divulga o traje adequado?” IRINEU

Cabe às universidades em geral tratar deste assunto em sala de aula, assim como fazem as empresas em treinamentos profissionais. O código de roupa (dress code) em âmbito profissional não aceita camisetas estampadas, bermudões e chinelos de dedo. O tênis social (não o da prática de esporte) pode integrar um visual jovem. Quanto ao short para as moças, é moda atual, inclusive com blazer de alfaiataria. Tanto ele como as minissaias curtíssimas não cabem no dress code profissional.

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