Celia Ribeiro: Mais leveza interior para o novo ano

Com tantas situações difíceis de serem vividas, não vale a pena guardar ressentimentos: a cada vez que se pensa em alguém que nos magoou, vem aquela mesma frustração. José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni, que comemora seus 80 anos, lançando o livro Unidos do Outro Mundo, pela editora Estação Brasil, resolveu esse assunto de uma forma mágica e bem estruturada. O ex-vice-presidente de operações da TV Globo conviveu com alguns colegas de trabalho com quem se estranhou e teve fortes confrontos. Alguns deles já morreram e tinham sido tão amigos que ele sentiu saudades. Ao fazer ficção, achou válido já que eles não podiam mais voltar para cá ir a seu encontro, em um espaço intermediário, antes de lhes ser indicado o inferno ou o céu.

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O tempo vai passando e, às vezes, a gente até esquece a causa da aversão por uma pessoa. A poeta Cora Coralina diz que, ao atingir uma idade avançada, carregam-se várias idades, fases da vida que no processo evolutivo do ser humano não justificam ressentimentos em longo prazo. “Ficar de mal” com alguém perturba a família e aos amigos. Dá trabalho! Nesta época em que estamos mais sensíveis, convém pensar nisso e entrar o novo ano mais leve, acabando com a idealização de pessoas em nome do bom senso.

A boa educação trata do assunto em vários itens. Se você reunirá um pequeno grupo em uma sala única, ao formular o convite por e-mail ou telefone, enumere quem serão os convidados em petit comité, dando chance de alguém que ficou “de mal” recentemente com um deles agradecer o convite, alegando compromisso anterior.

Boni mostra no seu livro que o passar do tempo valoriza mais os bons momentos vividos do que as rixas finais, ainda que ele justifique as razões de seus ressentimentos. Dificil é avaliar as causas frente a frente, durante a vida. Mas vale a pena tentar.

Etiqueta na prática

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TROCAR PRESENTES

Às vésperas do veraneio, se você conhece bem seus amigos, dar livros de presente é uma boa ideia. Muitas livrarias colocam um adesivo na contracapa do exemplar, informando que é possível trocá-lo. Se você trocou, quem ofereceu o livro ficará sensibilizado se souber por qual livro fez a troca, pois já tinha o que lhe foi dado. O mesmo vale para presentes de casamento.

É comum os noivos receberem presentes em dinheiro. Em geral, reúnem todos os valores, mas, às vezes, personalizam os valores de acordo. Dois meses depois, um casal que presenteei passou um e-mail com a foto de três almofadas que eles haviam comprado com o valor que eu havia dado.

AMIGAS EM GRUPO

Dezembro é mês de festas, inclusive corporativas, como foi o almoço dos colunistas de Zero Hora, quando se ficou sabendo quem é quem, pelas fotos acima das suas colunas. Foi muito bom. Diante de tão variada programação, acho que forçar uma data em meio a tantos compromissos para a reunião entre amigos íntimos só ajuda a criar estresse. Por isso, a data que escolhemos foi Dia dos Reis, 6 de janeiro, uma quarta-feira, quando em Barcelona é o dia de dar presentes às crianças que esperam no cais a chegada de Netuno. Todos tranquilos e com bastante assunto.

Toronto é uma pequena Nova York mais humanizada, repleta de imigrantes estrangeiros que lá se radicam e são muito bem recebidos. Inclusive a colônia brasileira é bem destacada. Existe lá um grande shopping, Eaton Centre, que chamava atenção nos anos 1980 pela decoração com enormes gaivotas brancas que pendiam por fios invisíveis do teto bem elevado. É uma sugestão de como estabelecer a harmonia acústica com elementos estéticos, pois as gaivotas “voando” em grupos eram de isopor. Hoje as gaivotas não voam mais no Eaton Centre, e outros recursos para manter o equilíbrio acústico estão sendo usados.

Sabe-se que há muitos espaços públicos em Porto Alegre com chapas de isopor acima do teto para garantir que os ruídos não reverberem no ambiente, impedindo as conversas em torno das mesas. A solução de pendentes estéticos dada pelo shopping canadense é bem mais prática e econômica.

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