Celia Ribeiro: marchetaria tradicional inspira artesão da Serra

Se um menino manifesta talento e paciência para delicados trabalhos em madeira, já é sinal de que na vida adulta, quando se dedicar a outras atividades profissionais, o tempo disponível será ocupado pelo prazer de fazer artesanato. Foi assim com Luiz José Fischer, 71 anos, natural de Três de Maio que, depois de ver os três filhos se tornarem independentes um em Brasília e dois em Porto Alegre , mudou-se com sua mulher, Noemia, para Nova Petrópolis. Fischer é autodidata em marchetaria: à medida que adquiria livros sobre este trabalho artesanal, comprava máquinas.

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Na sua aprazível residência na Serra montou uma oficina, onde adorna caixas, porta-retratos, detalhes de cristaleiras, porta-canetas, baús e mesinhas auxiliares. Tudo era para uso familiar – até chegarem as encomendas e o hobby virar atividade profissional – que você pode conferir no site.

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A marchetaria surgiu 300 a.C., no Japão, mas foram os árabes os grandes mestres e difusores desse sofisticado artesanato. Quem visita museus e castelos com móveis de época conhece a marqueterie, técnica de adorno consagrada na França nos reinados de Luiz XIV, XV e XVI, seguindo motivos geométricos e florais, de acordo com o estilo. Na superfície de um objeto ou móvel de madeira maciça, como o jacarandá, são incrustados filetes de madeira, marfim, prata, ouro e nácar.

Fischer trabalha sem pressa com folhas de madeira de várias tonalidades. Houve fase em que ele se baseou em desenhos de ponto de cruz (foto a esquerda), o que acredita ser inédito em marchetaria. Hoje, se faz marchetaria produzida em máquinas computadorizadas, mas Fischer pensa ser a mesma coisa que pintar uma tela por meio da tecnologia: não se compara à pintura feita pelo artista. Sua experiência revela que, para ser feliz nesta faixa com mais tempo disponível, a preparação começa no decurso da vida, cultivando diversificados interesses prazerosos.

Acontecerá

Se você deseja fugir da óbvia decoração natalina com o maple, a flor vermelha em vaso com terra, então anote os nomes de outras vermelhas que a decoradora floral Angélica Martins aconselha para arranjos: rosa, minirosa, lírio vermelho, nepórico (sementinhas), alstroeméria, boca de leão e lisianthus. Flores vermelhas se inserem perfeitamente no espírito de Natal também na mesa com toalha verde.

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A ceia de Natal é uma evolução do solstício, quando em tempos bem anteriores a Jesus Cristo os povos pagãos do Hemisfério Norte festejavam a chegada do inverno. A inclusão de peru assado na ceia natalina foi difundida na Europa pelos ingleses, que ao fazer a colonização dos Estados Unidos lá encontraram aquela ave criada pelos índios. Os biscoitos natalinos reproduzindo personagens medievais têm sua origem no século XV em mosteiros europeus, desenvolvidos em grande escala e formas aperfeiçoadas pelos alemães. O pão de mel já existia no século X na Europa, uma mistura de farinha, mel e suco de frutas.

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Hoje nos países como o nosso, de clima tropical e altas temperaturas em fim de ano, a ceia de Natal adquiriu características próprias, incluindo no cardápio alguns pratos tradicionais, como peru assado, o pão de mel e os biscoitos ao estilo ainda medieval, graças à imigração de alemães e italianos (panetone). Não acredito que haja feiras de Natal mais lindas do que na Alemanha e na Áustria, onde se serve o Glüwein, vinho branco ou tinto servido quente em canecas, pelo valor de dois a quatro euros. Aqui servimos clericot, bebida de origem espanhola que surgiu na América do Sul, nos países vizinhos de influência espanhola. Sobremesa? Sorvete com biscoitinhos natalinos

Etiqueta na prática

Envie sua pergunta para a Celia: contato@revistadonna.com

:: Nova posição do garfo

“Estivemos em Paris, agora – minha mulher e eu. Fomos almoçar no restaurante Jules Verne na Torre Eiffel e nos chamou atenção na mesa o garfo colocado à esquerda do prato, com os dentes apoiados na mesa, ao contrário do que se vê nos livros de etiqueta. Por se tratar de um restaurante de categoria, acreditamos ser este outro modo de arrumar os talheres na mesa.” ROGERIO

– É natural seu estranhamento. O restaurante Jules Verne segue uma tradição, que envolve a história da etiqueta do garfo. Na França ele tinha o brasão das famílias nobres gravados no lado externo do cabo do talher que para ficar visível era colocado com as pontas para baixo. Este costume estendeu-se às famílias que não pertenciam a nobreza. Já na Inglaterra os brasões eram gravados na parte interna do cabo e o garfo colocado na mesa com as pontas para cima como se usa na América. Karyne D´Avila faz pela internet uma exposição sobre etiqueta dos talheres que vale a pena ver.

Sapato após cirurgia

“Vou tirar as sapatilhas baruk, após uma cirurgia de joanete, na véspera de uma festa de Bodas de Ouro. Posso ir de sapatilhas e qual o tipo de ponta? Estou constrangida. Preciso também de uma sugestão para presentear o casal anfitrião, eles têm tudo e gostam muito de viajar. ” IVONETE

– Combine a sapatilha com a cor predominante de seu traje, para não realçar da saia. Há sapatilhas bonitas e despojadas de enfeites – pretas, bronzeadas e prateadas – como complemento de traje de festa. Importante é que você esteja confortável. O presente pode ser uma caixa para documentos e lembranças, um álbum para as fotos scaneadas da festa inseridas com o convite e imagens da decoração, estarão de acordo.

 

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