Celia Ribeiro: Não houve gaúcha igual à Gilda

Gilda Marinho foi um símbolo de mulher avançada para seu tempo

Celia Ribeiro
Celia Ribeiro Foto: Divulgação

Filha de tradicional família pelotense, irmã de um senador da República, Gilda Marinho (1906 – 1984) marcou época em Porto Alegre – não só pelo brilho cultural, mas pelo estilo de vida livre dos preconceitos sociais. Gilda viveu muitos “namoros”, como se diz hoje, sem esquecer o noivo da sua juventude, que morreu antes do casamento. Com uma vida intelectual ativa, a jornalista trabalhou para a Editora Globo como tradutora e escreveu a Enciclopédia da Mulher. Se houve mulher de estilo foi Gilda Marinho.

Sua fascinante personalidade, a alegria de viver e o senso de humor a tornaram querida em todos os meios. O bom trânsito social a levou ao colunismo social, num  tempo em que o chapéu fazia parte do traje feminino em todas as horas. Lembro-me da Gilda quando comecei no jornalismo. Ela chegava às 15h na redação do jornal A Hora, escrevendo sua crônica, de chapéu Mary Steigleder, pronta para ir a um chá na casa de uma colunável ou jogar bridge num clube.

Gilda Marinho veio de Pelotas morar em Porto Alegre com seus pais, instalando-se até o fim da vida num apartamento do edifício Clube do Comércio. Neste clube, fazia as suas refeições e participava de campeonatos de bridge. Quando foi criada a Confraria Le Bom Gourmet, no recém-inaugurado Hotel Plaza São Rafael, Gilda Marinho foi única representante feminina entre mais de 20 homens. Seu humor e a forma como transitava por todos os assuntos faziam dela uma disputada convidada. 

Gilda foi uma mulher efervescente. Quando Rita Hayworth extasiou as plateias do mundo no filme Gilda, com o slogan “nunca houve mulher igual à Gilda”, a frase foi aplicada imediatamente a Gilda Marinho.

Nesta segunda, dia 6, a jornalista será lembrada durante a quarta edição da Sinfonia de Outono, que será realizada no Clube do Comércio. O coquetel em sua homenagem será seguido pela apresentação das candidatas ao título de Glamour Girl 2013 e um concerto da Orquestra Jovem do Rio Grande do Sul. A programação será encerrada com um desfile do ateliê de alta-costura Veiga Lima, joias de Glória Corbetta e sapatos Dom Gerson.

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