Celia Ribeiro: o andar elegante vem da alma

Sabia que o sapato tem alma? Ela é concreta, uma estrutura metálica que segue a curva da planta do pé, em função da altura do salto, dando firmeza e equilíbrio para se caminhar. A alma está representada escultoricamente na foto acima, no Museu Salvatore Ferragamo, em Florença. Ferragamo (1898 -1960) era napolitano e, no início da Primeira Guerra Mundial (1914 – 1918), emigrou para Boston (EUA), abrindo com seus irmãos uma loja de botas de caubói. Sua meta, porém, era outra. Em 1927, depois de estudar anatomia, voltou para a Itália e montou uma empresa familiar de sapatos femininos de estilo.

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Nos anos 1930, estrelas de Hollywood já calçavam a grife Ferragamo que, em 1936, fez as plataformas de Carmen Miranda, e depois criou os modelos de salto alto e fino para Marilyn Monroe andar sinuosamente em seus filmes. Enquanto isso, Eva Peron – vestida por Christian Dior – se tornava mais poderosa ainda, pisando nos palanques do peronismo com sapatos de Salvatore Ferragamo como complemento de tailleurs e trajes de gala.

Uma visita ao museu de Ferragamo faz parte da cultura dos profissionais de sapato. O designer Fernando Eduardo Müller, da fábrica Usaflex, em uma de suas frequentes pesquisas na Europa, visitou-o. Edu ressalta a importância de um laboratório técnico no design de um sapato de estilo. Os testes são realizados até mensurar a largura de um maior número de pés para então chegar a uma forma anatômica, que propicie conforto e elegância para quem vai calçar um modelo.

Assim como o rosto não tem dois lados iguais, um pé não é igual ao outro, e pode exigir a palmilha só num sapato do par. Sapato tem memória. O material e as costuras se acomodam de acordo com o pé, o peso do corpo e o modo de andar. Por isso se ensaia em casa para moldar um novo par. Imagine com chuteiras de jogador de futebol.
Etiqueta nos pés

 

Uma mulher elegante assiste a uma cerimônia de pé, com os dois pés juntos ou o pé direito um pouco à frente do esquerdo para servir de apoio ao corpo ou com o peso dividido igualmente entre os dois.

A tradição dos países orientais manda que homens e mulheres entrem num templo ou em casa para rezar depois de retirar os sapatos. Na Tailândia, ao se sentar no chão atapetado do templo, não se faz diante do Buda, com os pés apontando na direção da imagem: ou senta de lado ou dobra os joelhos, sentando nas coxas e os pés para trás. Evita-se sentar de pés descalços em temporada de piscina, de pernas cruzadas e a sola do pé para cima à vista das pessoas em volta.

Um dos motivos que em passado ainda recente as meninas japonesas tinham os pés enfaixados até atrofiá-los na parte alta (gáspea do sapato) era para tolhê-las a caminhar livremente com facilidade. Mas a prática também era fetiche.

Era assim…

 

O poder causa muitas vezes mania de perseguição, medo de ser envenenado à hora da mesa, tanto no lar quanto em banquetes. Desde a Antiguidade, escravos e homens que faziam parte da segurança de um grande senhor provavam sua comida, antes que ele se servisse da primeira porção. Napoleão Bonaparte tinha seus provadores, especialmente durante as campanhas em que era derrotado, como aconteceu no Egito, na Batalha do Nilo, perdida para a Grã-Bretanha em 1798.

Ainda pode ser…

Nas regiões que mantêm costumes bárbaros, certamente há provadores da comida dos poderosos no século 21. Mas não consigo acreditar que o príncipe Harry, da Inglaterra, no jantar oferecido pelo prefeito Luiz Marinho, em São Paulo, “antes da primeira garfada”, tenha dado a um dos membros de sua delegação aquela função, segundo nota da coluna social do jornal O Estado de S. Paulo (27/06/14). Pode ter acontecido de Harry querer saber o que continha a feijoada. Ele adorou – e pediu bis por mais duas vezes.

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:: Aconteceu

E tudo deu certo na logística adotada pelo Estádio Beira-Rio para bem receber as pessoas cadeirantes, logo encaminhadas ao setor de suas poltronas, em poucos minutos. Na confraternização geral da Copa do Mundo, gremistas e colorados uniram-se numa só torcida, sem problemas.
:: Etiqueta na prática

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Indecisão no beijo social

“Tenho mais de 30 anos e nunca sei se, ao cumprimentar uma mulher, devo tomar a iniciativa de beijá-la ou aguardar a iniciativa dela.” ISMAEL

– Depende do grau de intimidade entre você e a mulher. Se for uma senhora mais importante, a etiqueta recomenda que ela tome a iniciativa. Muitas vezes, a mulher sente o beijo masculino ao cumprimentá-la como invasão de privacidade. É uma questão de feeling e de boa educação. E esta regra não se aplica só em relação a homem e mulher: uma mocinha não vai beijar uma senhora à qual está sendo apresentada. É a pessoa mais importante quem “concede” o beijo social.

Tirando uma dúvida

“Quando foi servido o couvert num restaurante, minha amiga pegou o pãozinho, tirou um naco e colocou o pão de volta ao pratinho. Achei que deveria ter comido, aos pedaços, mas sem retornar a sobra ao prato. Quem está certa?” MILENE

– Fundamental é partir o pãozinho com as mãos, sem usar faquinha. Se houver pratinho, é muito mais racional deixar a sobra no prato. Em mesas de muita cerimônia, nem há pratinho, só o pãozinho, colocado diretamente sobre a toalha branca na mesa.

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