Célia Ribeiro: o poder de um sapato

Colunista fala sobre a importância do sapato de salto para elegância e postura feminina

Foto: Romero Britto

Uma amiga me presenteou um sapato-objeto, assinado por Romero Britto. Sua sola mede menos de um palmo de comprimento. Lembra logo Carmen Miranda, Andy Warhol, a pop art e o Brasil. Tem humor e remete à moda.

A forma inspira-se em sapatos atuais de verdade, que devem aumentar a clientela dos ortopedistas por sua repercussão na coluna vertebral e no caminhar das mulheres. A primeira vez que tive consciência da importância do sapato de salto para a postura e a elegância femininas faz mais de 30 anos, quando preparava debutantes da Associação Leopoldina Juvenil e outros clubes.

Elas eram meninas de 14 anos que, de repente, tinham de ensaiar com sapato de salto alto para o desfile no baile do début. Seguindo a didática da Lucy Clayton Finishing School de Londres, eu dizia: “Pisem suavemente, primeiro com a planta do pé até o salto do sapato”. Hoje eu não falaria assim. Christian Dior preconizava que o sapato é “o ponto no i da elegância”, o diferencial de uma mulher que sabe pisar.

Também para o homem ele é importante, não há elegância masculina que resista a um sapato sem graxa, o salto e a ponta com o couro gastos. O sapato confirma um visual correto e há quem diga que define uma pessoa. Por isso, é frustrante para as mulheres idosas o uso de sapatos sem salto, priorizando o conforto. Uma roupa discreta é promovida por pés bem calçados e coloridos.

O coração que forma o salto do sapato assinado pelo artista Romero Britto refere-se à paixão das mulheres por saltos altíssimos, com os quais elas já se habituaram a caminhar.

Quando não há copeira

Quando a anfitriã mora sozinha, pede a um amigo que a ajude a receber, abrindo as garrafas e oferecendo as bebidas. O cardápio é compacto. Aperitivos incluem canapés, cubinhos de queijo, azeitonas recheadas e castanhas. Uma salada com verduras será mais nutritiva, incluindo frango desfiado ou cubinhos de atum em conserva, novidade nos supermercados.

Os pratos servidos (empratados) já estarão na mesa quando os convidados sentarem. Depois de usados, são retirados sem empilhar. Uma convidada mais íntima poderá colaborar nesta fase da refeição. O prato único já fica montado para gratinar no forno, meia hora antes do jantar, acompanhado de um molho à parte. Nada de frituras, que atrapalham a anfitriã.

Cozinhas conjugadas criam um clima agradável. A dona ou o dono da casa senta-se à cabeceira e serve-se da comida no prato que está diante de si e passao ao convidado à sua direita, e este ao seguinte, de acordo com os ponteiros do relógio. Bem mais fácil é usar a superfície de um balcão, onde cada um se serve, deixando o centro da mesa para um arranjo baixo de flores.

Dicas extras

Atendimento no comércio é o grande diferencial. A boa atenção de um prestador de serviço quando recebe um cliente, mesmo que não tenha o produto desejado, fará esta pessoa retornar à loja. Também pode acontecer o contrário com o elogio à comida de um restaurante sendo seguido pela crítica ao serviço dos garçons ou à demora na cozinha.

Faz parte do treinamento de pessoal salientar que cada indivíduo tem sua marca. São características pessoais positivas, em que o olhar receptivo voltado para os clientes e a simpatia se integram ao profissionalismo. A aparência é outro ponto importante nesta marca pessoal positiva: roupa adequada ao tipo de trabalho e à cultura mais ou menos formal da empresa. Um publicitário e um artista não vestem o estilo executivo em seu cotidiano.

Espirro no elevador

“O que se faz num elevador quando uma pessoa espirra sem proteger a boca, jogando aquela nuvem de gotinhas em cima da gente?” FERNANDA

? Para isto ser evitado, cultiva- se nas crianças o hábito de, ao espirrar, cobrir a boca com a mão. A mesma providência é tomada quando se boceja, por motivos estéticos. No caso do elevador, é uma questão de saúde pública. Como vítima, você poderia ter baixado a cabeça e colocado a mão sobre a boca e o nariz para não aspirar aquela nuvem úmida.

Garfinhos de aperitivo

“Li nesta coluna a recomendação para usar palitos de plástico com os quitutes de aperitivo. Eu não gosto, e comprei garfinhos de metal com cabo colorido, mas agora não sei como usar.” IRENE

Usam-se palitos plásticos descartáveis para montar um salgadinho formado por cubos de presunto, queijo, pepino em conserva e azeitona. Os garfinhos da Tramontina que a leitora refere são talheres, de uso pessoal, distribuídos para salgadinhos. Eles servem para fisgar bolinhas de camarão, de frango e de queijo, e também cubos de fiambres.

As rosas de Roberto

“Fiquei revoltada assistindo a um show do Roberto Carlos. No final, quando ele começou a entregar rosas para as mulheres nas primeiras filas da plateia, o público saía enquanto o cantor ainda estava no palco.” RITA

? Um artista como Roberto Carlos sabe que o público, após os primeiros aplausos, sai ligeiro, para evitar um problema maior de condução. É o calor dos aplausos durante o show que dá a dimensão do sucesso. Pior é quando os espectadores não gostam e, abstendo-se de vaiar, saem pela plateia, de cabeça baixa, durante uma ópera ou um concerto. Já assisti essa cena em Nova York.

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