Celia Ribeiro: os perfumes aguçam lembranças

Quando surge na primavera o aroma de flor de jasmim e dama-da-noite pelas ruas de Porto Alegre, a gente se lembra de pessoas queridas e episódios que ocorreram nesta mesma época do ano, perdidos com o passar do tempo. O curioso é que, a cada ano, se repete a mesma sensação de reencontro.

O tempo também flui para os perfumes, surgidos com o avanço da indústria química. O autor alemão Patrick Süskind, que fez uma grande pesquisa sobre o tema para escrever o policial O Perfume (editora Record), chama a atenção para uma das regras do seu bom uso: “O perfume vive no tempo; tem a sua juventude, a sua maturidade e a sua velhice. E somente quando nas três diferentes idades o seu aroma é igualmente agradável ele pode ser considerado realizado” e ainda usável. Para Süskind, o aroma “é um irmão da respiração, dele não se pode escapar”.

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Os frascos às vezes se equivalem em importância ao valor do perfume. Eles podem ser obras de arte, em alabastro, jade, vidro, cristal e porcelana, adornados de ouro e pedrarias. Uma amiga minha que reside em Paris vendeu por US$ 1 mil o frasco de cristal de um dos aromas de Guerlain que pertencera a sua mãe nos idos dos anos 1930. Os frascos raros são vendidos para colecionadores em leilões.

As pessoas perfumadas com boas grifes sabem que, antes de comprar um perfume apreciado em uma amiga, devem testá-lo nelas mesmas. O organismo humano tem diferentes químicas, e o que é delicioso em alguém pode ser desagradável em outra pessoa. Os pontos mais quentes da circulação sanguínea propiciam uma maior propagação da fragrância. Um deles é a região atrás da orelha. Não se misturam dois perfumes diferentes: um altera o outro, é como vinho. Para melhor conservação do perfume, guarde sempre o frasco na sua embalagem, em ambiente fresco. Vale a pena.

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O aperto de mão é uma espécie de passaporte para conquistar simpatia. No gesto de boa educação, que representa “tenho prazer em encontrá-lo”, percebe-se o estilo de vida de uma pessoa. Prova disso é o anúncio de um detergente que “não deixa as mãos ásperas”. Também alguns aspectos de temperamento podem ser interpretados no aperto de mão. Na literatura, o lado presunçoso de uma personagem é revelado por cumprimentar “apenas dando a ponta dos dedos”. Mas um aperto de mãos frouxo também é sinal de timidez.

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Em compensação, há homens que nos deixam com a mão dolorida após um aperto de mão. Com anéis, então, é um horror, pois eles apertam justamente nesta região dos dedos. Como nunca se aperta a mão do marido e a dos filhos, não se imagina que eles usem força ao assumir este gesto básico da boa educação. Os “atletas na cortesia” acabam sendo conhecidos por esta característica e, mesmo apreciados por suas boas qualidades e simpatia, evita-se estender-lhes a mão.

:: Etiqueta na prática

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Convite de festa de formatura

“Minha colação de grau em Farmácia será em 2015, no Centro Universitário Metodista do IPA, e gostaria de ter uma orientação sobre salões de festa de Porto Alegre e a etiqueta que se deve seguir nos convites”. SHAIANI

– Escolha o salão de festas quando tiver decidido o número de convidados e o orçamento, observando se existe ar-condicionado no ambiente. Há convidados para a festa que não precisam comparecer à colação de grau. Este convite é encimado por seu nome por extenso, impresso num cartão (15×11), branco, marfim ou amarelo, a cor da faixa da beca dos formandos e do topázio do anel. Tinta de impressão azul marinho.

O bem-vestir masculino

“Quero ensinar meu marido a se vestir bem, assim como os homens de minha família sempre fizeram, num estilo clássico e elegante tanto no dia a dia quanto em eventos. Pode me indicar um livro?” LUIZA

– Não pense em ensinar, e sim em esclarecê-lo sobre como se vestir de acordo com seu estilo, mais ou menos formal. Executivos de empresas de cultura mais tradicional usam gravata no dia a dia; arquitetos, jornalistas e etc são mais informais e se vestem com camisa lisa ou listada, sem gravata, jaqueta em vez de blazer, todas peças de boa qualidade. Gloria Kalil tem um livro, na sua 16ª edição, que se chama Chic Homem, um Manual de Moda e Estilo (editora Senac de São Paulo). Pode esclarecer vocês.

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