Celia Ribeiro: Portugal de ontem e de hoje

Foto: Lauro Alves

Na Bélgica existe o hábito de pedir dois cafezinhos e mais “um café suspenso”, dependendo do número de pessoas na lancheria. Na hora, que pediu pagaos três cafés, mas só são servidos dois. Algum tempo depois pode aparecer alguém com roupa gasta e sinal de pobreza perguntando se há um “café suspenso”. Logo é servido do cafezinho, sem precisar pagar. A tradição é originária de Nápoles e também se aplica a sanduíches suspensos.

Cafezinho é servido fora da mesa e refeições. Quando a dona da casa alcança a xícara para um convidado, ele não passa adiante para outra pessoa na sala, pois é uma deferência que ela lhe faz. Ao final, não se deixa a colher na xícara, mas no pires.

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Numa recente exibição do programa Casa Brasileira, o ator Paulo Rocha, das telenovelas da Rede Globo, visita o vasto apartamento de seu pai no Bairro da Graça, em Lisboa. Paulo Rocha tem saudade daquela vista maravilhosa, do antigo prédio de 1905. Ele vê, em especial no bairro carioca de Santa Tereza, a semelhança com antigas casas portuguesas.

Os contrastes imperam em Portugal. Acompanhando a evolução do tempo, um hotel foi recentemente instalado num antigo mosteiro restaurado internamente com material da maior atualidade. Outro exemplo, este de nova construção, é de uma casa de repouso para idosos, em caixas de concreto, de frente para uma vista panorâmica. No prédio todo branco, as sacadas internas são de vidro para não poluir a paisagem.

A etiqueta em Portugal é mais cerimoniosa. Ana São Gião, autora de Etiqueta e Boas Maneiras (Edições 70), exemplifica o texto de um e-mail: “João Manuel acusa a recepção do amável convite para assistir ao jantar do dia 12 de dezembro, e terá muito prazer em aceitar.” A construção da frase é diferente.

Minha amiga Berenice Goelzer esteve agora em Lisboa e na cidade do Porto. Ao observar os contrastes, salienta uma loja de especialidades como a Pérola do Bolhão, no Porto, com fachada de azulejos Art Nouveau, e os chouriços arranjados no balcão, entremeados de potinhos de flores. Já no restaurante 100 Maneiras, o chef cria novidades. A entrada é Ostra na Espuma dos Dias de Verão, isto é, espuma com alga, kiwi, maracujá e rúcula. Também os utensílios de mesa se renovam. Lascas de bacalhau desidratado são presas singelamente com prendedores de roupa a um suporte de metal de design moderno.

O nome de alguns drinques pode ser meigo, no português de Camões. Assim, ao comer os petiscos de bacalhau eu pediria uma “Mimosa”, espumante com suco de laranja.

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Discrição na farmácia
“Estava aguardando minha vez para ser atendido no balcão, quando uma moça começou a conversar comigo. Eu não queria que ela visse qual o remédio eu ia comprar. Quando o vendedor me atendeu, dei as costas à ela e fiz o pedido baixinho. Como se faz para impedir tanta indiscrição?” MANOEL

– O que você fez está correto. As pessoas não se dão conta que se deve respeitar o espaço de cada um. É por isso que vendedores bem treinados numa farmácia falam baixo com o cliente. Mesmo sem conhecer a pessoa ao lado, não se fica observando o que o outro está adquirindo. São sinais para serem observados na vida urbana.

Separar padrinhos
“Vamos casar na igreja e cada um terá dois casais de padrinhos, irmãos e irmãs. Dois deles são casados com pessoas com quem não temos intimidade, e gostaríamos de substitui-las por outras. Pode dar problema?” JAYME

– Se vocês os substituírem por parentes chegados, não: tios, avós e outros primos. Caso contrário, pode causar constrangimento entre aqueles dois casais.

 

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